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Lusofonia: Vacina antipaludismo na mira da Fundação Gulbenkian da Ciência 04 Fevereiro 2021

Um grupo do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), liderado pelo português Miguel Soares, investiga desde 2014, à procura da resposta que pode resultar na tão decisiva vacina eficaz contra a malária.

Lusofonia: Vacina antipaludismo na mira da Fundação Gulbenkian da Ciência

Em agosto de 2016, uma equipa do IGC-Instituto Gulbenkian de Ciência liderada pelo português Miguel Soares (foto à d.ta), arrancou com a investigação sobre se a molécula de açúcar "alfa-gal", expressa pelo parasita da malária, o "Plasmodium", deve fazer parte de uma nova vacina anti-malárica.

Dois anos antes, em 2014, a equipa descobriu, numa experiência com ratinhos, que a molécula de açúcar também se manifesta na superfície de uma estirpe da bactéria "E.coli", que existe no intestino humano saudável, gerando uma resposta de defesa natural do organismo contra a malária.

Essa experiência permitiu avançar a importantes comclusão de que a expressão da "alfa-gal" pelas estirpes benéficas da E.coli, quando existentes no intestino, "é suficiente para induzir a produção de anticorpos naturais anti-alfa-gal, que reconhecem a mesma molécula de açúcar na superfície do Plasmodium".

Daí que ao serem vacinados contra uma molécula sintética de açúcar "alfa-gal", os ratinhos produziam elevados níveis de anticorpos anti-alfa-gal "altamente protetores contra a transmissão de malária por mosquitos", de acordo com Miguel Soares.

A investigação, publicada na revista Cell, foi, na altura, cofinanciada pela Fundação Bill e Melinda Gates, nos Estados Unidos, que fixou como meta "um mundo livre de malária até 2020".

O trabalho qie a equipa do IGC tem vindo a realizar contou no biénio 2014-14 com a colaboração do Instituto de Higiene e Medicina Tropical e da Malaria Vaccine Initiative, esta, uma organização norte-americana sem fins lucrativos vocacionada para o desenvolvimento de vacinas contra a malária. uma doença infecciosa que se transmite através da picada de uma fêmea do mosquito "Anopheles", infetada com o parasita Plasmodium falciparum.

A doença, disseminada em regiões tropicais e subtropicais, tem como sintomas febre e dores de cabeça.

Dois tipos de vacina

A epidemiologia da malária varia enormemente em todo o mundo e levou à crença de que pode ser necessário adotar estratégias muito diferentes de desenvolvimento de vacinas para atingir as diferentes populações.

Assim, uma vacina do tipo 1 é sugerida para aqueles expostos principalmente à malária causada pelo Plasmodium falciparum na África subsaariana, com o objetivo principal de reduzir o número de casos graves de malária e mortes em bebés e crianços expostas a altas taxas de transmissão.

Quanto à vacina do tipo 2, é sugerida para ’viajantes’, com o objetivo de prevenir todos os casos de sintomas clínicos em indivíduos sem exposição prévia. Esse é outro grande problema de saúde pública, com a malária se apresentando como uma das ameaças mais substanciais à saúde dos viajantes.

Os problemas com as terapias farmacêuticas disponíveis atualmente incluem custos, disponibilidade, efeitos adversos e contra-indicações, inconveniência e conformidade. Muitos destes obstáculos seriam reduzidos ou eliminados completamente com uma vacina de eficácia superior a 85-90%.

Génio da ciência, menino da sua mãe

A atriz Lídia Franco não esconde o orgulho pelo percurso do filho, Miguel Soares. O cientista Miguel Soares, investigador de renome mundial e líder da equipa do ICG que trabalha na vacina contra a malária.

O currículo deste cientista inclui a coordenação de vários grupos no estrangeiro. Mas, como conta a mãe, o seu começo foi difícil: "O Miguel não conseguiu entrar na faculdade em Portugal, por falta de média, e teve de ir estudar para a Bélgica".

Expatriado, o filho da atriz brilhou e obteve sempre bolsas de estudo. Doutorou-se com a nota máxima, o que lhe valeu ser convidado para trabalhar em Harvard, onde esteve dez anos.

"Em Portugal, desperdiçam-se as vocações em prol de uma média que não tem qualquer significado. O que está errado", lamentou a atriz Lídia Franco.

Fontes: Site do IGC /Lusa. Fotos: Mapa da malária. "Cientista genial" Miguel Soares, da Gulbenkian: acredita-se que a sua equipa está perto de obter a prmeira vacina eficaz para combater o paludismo.

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