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MERCADO DO COCO: BREVE CRÓNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA 23 Fevereiro 2022

Em de dezembro de 2018 foi aprovado o Plano de Atividades e o Orçamento para 2019 em que se incluiu um valor adicional de 350 mil contos provenientes do Programa PRAA, com vista a financiar a conclusão das obras do Mercado do Coco. Em fevereiro de 2022 saúdo a decisão do Presidente Francisco Carvalho de devolver aos praienses o antigo Campo do Coco e de transformá-lo num espaço de lazer e prática de desporto.

Por: Vladmir Silves Ferreira

MERCADO DO COCO: BREVE CRÓNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA

Em agosto de 2009 o então Presidente da Câmara Municipal da Praia, Ulisses Correia e Silva, anunciou que autarquia iria construir o novo mercado central da Praia, previsto para o local onde existia o Campo do Coco, visando proporcionar melhores condições de higiene, de apresentação e de organização do comércio formal e informal da capital do país. Iria então nascer o “Centro comercial mercado da Praia” orçado em cerca de 350 mil contos.

Na mesma data a Câmara Municipal da Praia informou a população, pela comunicação social, que já teria o financiamento para o Projeto, e que no ano seguinte ficaríamos a saber a decisão sobre o empréstimo que solicitou junto da Bolsa de Valores (a uma taxa de juros de 6,5%, amortizáveis em 20 anos), para arrancar com as obras nos meses seguintes.

O projeto foi então apresentado pela Empresa de Consultoria, Apresentação e Experimentação do Brasil (CCGS). A estrutura teria um parque de estacionamento com 68 vagas, 326 postos de venda ou quiosques, um jardim infantil, uma câmara de frio, um espaço para exposições, além de espaços reservados à Guarda Municipal e à Administração do Mercado, entre outras valências.

Na altura, enquanto eleitos municipais, congratulamo-nos com a iniciativa de se construir um novo mercado, contudo mostramos a nossa discordância em relação ao local escolhido, por duas principais razões: primeiro, os jovens de Achadinha baixo e arredores iriam ficar privados de uma importante infraestrutura desportiva que na altura até recebia jogos da segunda divisão; segundo, todos os praienses sabem que a várzea é uma zona com problemas de drenagem de água.

Em outubro de 2012, pela comunicação social, ficou-se a saber que as obras estariam atrasadas em um ano devida a problemas detetados durante as escavações, obra esta que tinha a previsão de estar pronta em agosto de 2012.

Com a nova data, na sequência dos atrasos nas escavações, a CMP anunciou que a nova previsão de término das obras seria para o verão de 2013, comunicado este que foi avançado pelo então vereador das infraestruturas da Câmara Municipal da Praia, Alberto Melo, dizendo este que a parte mais difícil já teria então sido ultrapassada.

Nesta altura, o citado autarca, disse que “já foram executados todos os 110 cubos de betão, com 16 metros de profundidade”, esclarecendo que que chegaria, nos próximos dias, a estrutura metálica. Depois disso, aduziu que esperava que as obras ganhassem um ritmo mais acelerado para que pudesse ser inaugurada em agosto de 2013; informara, ainda nesta data, o citado vereador, que mais de 100 mil contos já haviam sido gastos nas escavações.

Em agosto de 2014 a comunicação social informava que “Iniciadas em 2011 e com custos que já somam 450 mil contos (cerca de quatro milhões de euros), as obras do novo Mercado Municipal da Praia permaneciam paralisadas sem que se saiba as causas deste pára-arranca que já dura há anos”, e no local, havia somente o esqueleto de aço da edificação em concreto ainda cru. As obras do primeiro piso do prédio pouco avançaram, nem as paredes foram levantadas.

Não obstante a engenharia financeira feita para a sua construção, o andamento das obras foi adiado para o verão seguinte, agosto de 2013, sendo que a isso somou-se o atraso na entrega das estruturas metálicas, estas retidas nas alfândegas do país, estranhamente, por falta de verbas.

Em novembro de 2013, o então vereador da área de Finanças e Comércio da Praia, Óscar Santos, afirmou que apesar da derrapagem do valor da obra, que chegou a 20% e do “atraso na conclusão”, a parte fundamental para a transferência dos vendedores do mercado de Sucupira para o novo mercado municipal estaria completamente concluída em 2014”.

Em 2014, o então líder da bancada municipal do PAICV, Jorge Garcia, chegou a declarar a sua preocupação com o mercado, tendo em vista, inclusive, o início da amortização do empréstimo obrigacionista da CMP na Bolsa de Valores de Cabo Verde, que já havia iniciado.

Em julho de 2016, enquanto candidato à Câmara da Praia, Óscar Santos concedeu uma entrevista ao “A Semana” tendo afirmado, na ocasião, que as diversas interrupções verificadas na execução da obra deviam-se ao facto de se ter um projeto inicial, mas ao longo do percurso “foi constatado que era preciso fazer algumas alterações de fundo”. Instado a pronunciar se o custo do empreendimento já não atingira o dobro do previsto respondeu que “houve sim uma derrapagem, porque tivemos que fazer uma intervenção para dar mais segurança à obra”.

Em fevereiro de 2017, pela RCV, a população passou a saber que o já Presidente da Câmara Municipal da Praia, Óscar Santos, garantia que as obras estariam agora aceleradas. Sem apontar uma data específica, perspetivou para “ainda este ano” a conclusão do novo Mercado da Praia.

Em novembro de 2017, o então vereador do Urbanismo e Planeamento Territorial, Rafael Fernandes, disse na comunicação social que as obras do Mercado do Coco, cuja conclusão estava prevista para o final do mesmo ano, estavam paralisadas devido à revisão do projeto. Entretanto disse ainda que o novo arranque das obras estava previsto para o primeiro semestre do ano seguinte (2018) e que apesar de saber que o cenário já era previsto, a revisão implicaria um esforço financeiro adicional de 50 mil contos.

Em janeiro de 2018, o então Presidente, Óscar Santos, disse que a Câmara Municipal da Praia (CMP) já estava a trabalhar no “reequacionamento” do projeto do Mercado do Coco, cuja obra já ia com um atraso considerável, e a autarquia tinha uma proposta no sentido de se aumentar mais um piso ao edifício.

Em de dezembro de 2018 foi aprovado o Plano de Atividades e o Orçamento para 2019 em que se incluiu um valor adicional de 350 mil contos provenientes do Programa PRAA, com vista a financiar a conclusão das obras do Mercado do Coco.

Em fevereiro de 2022 saúdo a decisão do Presidente Francisco Carvalho de devolver aos praienses o antigo Campo do Coco e de transformá-lo num espaço de lazer e prática de desporto.

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