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MNE de Portugal defende apoio da UE para exportação de cereais para países africanos 23 Maio 2022

O ministro dos Negócios Estrangeiros português admitiu hoje no Mindelo, Cabo Verde, a necessidade de a União Europeia (UE) procurar "soluções" para a exportação de cereais para países africanos, afetados pela escalada de preços provocada pela guerra na Ucrânia.

MNE de Portugal defende apoio da UE para exportação de cereais para países africanos

“Estamos num quadro muito complicado da vida internacional e um quadro que afeta o globo inteiro e de maneira muito especial países no continente africano, países insulares, países que têm o hábito de importar cereais daquela região, da Ucrânia e da Rússia”, afirmou, segundo a Lusa, João Gomes Cravinho, em declarações conjuntas com o homólogo cabo-verdiano, Rui Figueiredo Soares, no início de uma visita de três dias a Cabo Verde.

“Atualmente, devido à invasão da Ucrânia pela Rússia e devido à ação militar da Rússia, nós temos um bloqueio de portos de exportação de cereais da Ucrânia e juntamente com a União Europeia vamos procurar trabalhar para que se encontrem soluções que permitam aliviar as dificuldades criadas pela Rússia. Portanto, isto é um desafio grande, mas é um desafio com relação ao qual Portugal sabe que a parceria com Cabo Verde será sempre uma parceria muito valiosa”, acrescentou o chefe da diplomacia portuguesa.

O Governo cabo-verdiano apelou no início de abril à mobilização de apoio orçamental internacional face ao “cenário desastroso” nas contas públicas provocado pela guerra na Ucrânia, estimando em 40 milhões de euros o impacto para conter a escalada de preços, sobretudo nos alimentos básicos, como os cereais, e nos combustíveis.

Cabo Verde não tem capacidade de refinação e importa todos os combustíveis de que necessita, incluindo para a produção de eletricidade, além de 80% de todos os alimentos que consome, impactado pelos mais de três anos de seca que afeta praticamente todo o arquipélago e pela redução da procura turística desde março de 2020, face à pandemia de covid-19.

“Portugal foi um parceiro de primeira linha para que pudéssemos enfrentar com sucesso os grandes desafios da pandemia e contamos com Portugal também para juntos enfrentarmos os grandes desafios que se jogam neste contexto da guerra da Ucrânia”, afirmou, por seu lado, no Mindelo, ilha de São Vicente, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Integração Regional de Cabo Verde, Rui Figueiredo Soares.

“Tive oportunidade de expressar ao senhor ministro João Cravinho que Cabo Verde continuará a cooperar com Portugal nas instâncias multilaterais e nas organizações de que fazemos parte e nomeadamente na CPLP, nas Nações Unidas, para que consigamos uma solução negociada para a situação de crise que vivemos atualmente e consigamos uma atenção especial aos pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento [SIDS, na sigla em inglês], muito atingidos pela crise pandémica”, acrescentou o chefe da diplomacia cabo-verdiana.

Para Rui Figueiredo Soares citado pela Lusa, a visita de três dias que hoje se inicia “constitui mais uma oportunidade de reafirmar a excelência das relações” entre Cabo Verde e Portugal e permitirá, na quarta-feira, na Praia, ilha de Santiago, “fazer o ponto da situação” e “reforçar esses laços”.

João Gomes Cravinho visita as ilhas de São Vicente, Santo Antão e Santiago, entre hoje e quarta-feira, acompanhado pelo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Francisco André, segundo informação do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal.

A visita, que coincide com o Dia de África (25 de maio), visa dar continuidade aos compromissos firmados na VI Cimeira Bilateral, que decorreu em março na Praia, sob o lema “Parceiros Estratégicos na Recuperação Pós-Pandémica”.

Nesse âmbito, o chefe da diplomacia portuguesa terá encontros de cortesia no dia 25, na cidade da Praia, com o Presidente da República, José Maria Neves, com o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, e com o presidente da Assembleia Nacional, Austelino Correia.

Na terça-feira o ministro visita a ilha de Santo Antão, onde se encontrará com autarcas locais, conclui a Lusa.

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