LUSOFONIA

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Macron fustiga "a hipocrisia" na África que cala "agressão da Rússia à Ucrânia" 29 Julho 2022

O presidente francês em visita a Yaoundé na terça-feira acusou "especialmente os países africanos" de "hipocrisia" por não estarem como claramente faz a União Europeia a reconhecer a "agressão unilateral" da Rússia à Ucrânia.

Macron fustiga

Na sua deslocação desde o dia 25 à África Ocidental, o presidente Emmanuel Macron— antes de reunir-se em Dacar com Macky Sall, em Bissau com Umaro Sissoco Embaló e na véspera da visita ao Benim — destacou-se pelo discurso virulento na capital da República dos Camarões.

Em Yaoundé, Macron criticou Putin e lembrou aos representantes da sociedade civil camaronesa que "com o presidente russo nunca poderiam ter este género de debate".

Macron reconheceu existir "uma crise das democracias liberais, mas (que) é utilizada pelas democracias iliberais ou regimes autoritários para fazer acreditar que eles são a mesma coisa ou melhor", apontou.

Emmanuel Macron advertiu: "Se vocês se deixam apanhar nesta armadilha, nada a fazer. Não é com o presidente Putin ou outros do mesmo género que vocês irão fazer este género de debate — digo-vos com toda a sinceridade".

A referência à China contida nesse "outros do mesmo género" ficou clara na exortação final "para os países africanos construirem juntos as soluções em parceria, o que os chineses e os russos não vão fazer".

"Há pressão diplomática, ninguém se engane"

O presidente da República Francesa não deixou perder a oportunidade de acusar os "países africanos" de "hipocrisia" por não estarem a apoiar a União Europeia no reconhecimento da "agressão unilateral" da Rússia à Ucrânia.

"Os países europeus escolheram não participar da guerra, mas reconheceram e disseram o nome desta guerra" ao contrário do que fazem "os países africanos que continuam vagos (imprecisos) sobre a invasão da Rússia à Ucrânia", deplorou Macron.

Embora afirmando a "pressão diplomática", que "existe e não me engana", Macron não hesitou mesmo em invocar e fustigar a "hipocrisia" que está por trás dessa imprecisão, do "não saber qualificar esta guerra".

Na sua exortação final, lembrou que os europeus "precisam dos africanos" para que "este esquema (de invasão de um país) não se reproduza".

Esse "esquema enviesado" é o contrário da "ordem internacional desejável, com base na cooperação e no respeito da soberania de cada um", rematou Emmanuel Macron na capital da República dos Camarões que é etapa do seu primeiro périplo africano neste seu segundo mandato no Eliseu.

"Arquivos abertos para escrever tragédia colonial"

Emmanuel Macron expressou a vontade de ajudar a "fazer luz" sobre a atuação do colonialismo francês na colónia da costa ocidental.

Historiadores franceses e camaroneses, disse ele, devem empenhar-se nessa tarefa de "escrever os momentos de sofrimento causados pela tragédia colonial" e "também pela ação francesa no pós-independência".

Fontes: AFP/TF1/Le Monde/. Foto: Presidentes Emmanuel Macron e Paul Biya. O segundo presidente dos Camarões, de 89 anos, está no poder desde 1982 —quando sucedeu a Ahmadou Ahidjo (1960-82) — o que faz dele o mais longevo chefe de Estado mundial não-monárquico. Rodapé: Receção, com a primeira-dama Chantal Vigouroux, de 52 anos.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project