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Madrugada de rebulício na Avenida Cidade de Lisboa 21 Novembro 2021

Houve tiros e correrias cerca das seis da manhã, deste domingo 21, ao fim da madrugada nada tranquila na Avenida Cidade de Lisboa, parece que com epicentro na rotunda do Sucupira. A tranquilidade da noite nessa zona da capital terminou aí pelas quatro da manhã com as explosões dos tubos de escape das motos, quiçá em competição. Depois, veio o silêncio. E de súbito, os tiros de ’boka-bedju’, seguindo-se o tropel de um grupo. "Uns vinte" — rapazes? raparigas também e elas também portadoras de boka-bedjus! — a correr perseguidos pelos carros da PN. Boas canelas e becos e travessas por onde não transitam carros terão facilitado a fuga aos delinquentes que populares na manhã nascente dizem ter atravessado a ribeira de Lém-Cachorro para o leste.

Madrugada de rebulício na Avenida Cidade de Lisboa

Todo o problema tem solução, dizem os otimistas. Mas há casos em que nem esses veem a saída ao fundo do túnel da absurdidade existencial.

Absurdo sim, porque não se compreende como tanto labor deu tão magro senão nulo resultado. Tantos estudos, diagnósticos a montante e a jusante. Tanta teoria dirigida à aplicação sem que a humanidade consiga erradicar o crime. Nem sequer nas sociedades mais amáveis ou mais estruturadas ou de democracia perfeita.

O que falta? A educação em casa como se evoca neste final de madrugada do que tem um tempo e um lugar: foi há uns dois anos num minimercado conhecido, num dos bairros emergentes na parte mais ocidental da capital de todos nós.

Falávamos sobre o flagelo de thugs que já nem dá notícia, deixou de entrar nos noticiários.

— Ka ta ben un doensa pa leva-s moku? (E não vem uma doença que os leve de uma vez por todas?)

A fala é de uma famosa figura da cultura. Logo contestado por uma senhora presente que diz:

— Omi kredu, nho ka tene fidju? (Credo, homem, o senhor não tem filhos?)

– Fidjus di meu N eduka-s pa es ser genti. Ken ki pais ka eduka-l, pulisa ta toma konta. (Os meus filhos eu eduquei-os para serem gente. Daquele a quem os pais não educaram, a polícia é que há de encarregar-se).

E esta, hein?

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