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Mãe liberta filho 3 anos escravo no Brasil de hoje — Coragem de D. Pureza chega ao cinema 31 Janeiro 2022

Dona Pureza Lopes Loiola em 1995 aos 52 anos denunciou às autoridades brasileiras a situação dos neo-escravos que foi testemunhando enquanto seguia em busca do filho desaparecido em 1993. Resgatou Abel no Pará, ao fim de três anos de busca. Neste início de 2022, o filme que levou 12 anos a fazer estreia no Brasil.

Mãe liberta filho 3 anos escravo no Brasil de hoje — Coragem de D. Pureza chega ao cinema

O prémio da ONG ’Anti-Slavery International ’ em 1997 reconheceu a luta da maranhense dona Pureza. Antes da viagem a Londres para receber o prémio, a mãe de Abel teve em 1996 a satisfação de ver o governo brasileiro a reconhecer que há escravos no Brasil.

Foi dona Pureza muulher madura, mãe de cinco filhos que em 1995 apresentou provas às autoridades brasileiras da situação vivida em fazendas e garimpos (mineradoras). Já levava dois anos na sua longa peregrinação em busca do quinto filho, o caçula, que saira de casa em Bacabal para procurar trabalho em Belém do Pará, a uns 300 km de distância.

Ao fim de um mês sem notícias do filho que não tinha chegado à casa dos parentes no Pará, D. Pureza pôs o pé na estrada com "uma bolsa e uma muda de roupa".

Pelo caminhou, dona Pureza (real nas fotos ao alto, à d.ta e em baixo ao centro) testemunhou o recrutamento por "gatos" (como o ficcionado, na foto em baixo à esqª) que prometiam o eldorado. Paraíso laboral que se revelaria o "inferno verde" pior que o vivido-descrito pelo português Ferreira de Castro em 1930.

Ao longo do tempo e do percurso pelo Pará, D. Pureza ia de fazenda em fazenda a trabalhar como cozinheira e tornou-se confidente dos companheiros escravizados. Ouviu relatos de horror dos trabalhadores reduzidos a escravos com documentos subtraídos, dívidas contraídas para não morrer à fome e que nunca mais chegavam ao fim.

Mártires pela liberdade enterrados anonimamente na floresta

Mais horrores: quem procurava fugir a essa escravatura — instituída por fazendeiros, comendadores do desmatamento, donos do garimpo ou da madeira resultante desse desmatamento selvagem do Amazonas — era morto e enterrado na floresta, numa cova sem nome.

Fontes: Sites institucionais/BBC/. Relacionado: Brasil: Índio militante ecologista morto por traficantes de madeira na Amazónia, 04.nov.019.

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