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Mãe veste-se de homem "por 36 anos" para sustentar a família 21 Maio 2022

É a aparência que conta mais, decidiu a mãe de família que, farta de assédio no trabalho, mudou de aldeia, cortou o cabelo, apertou o peito com faixas e trocou o nome feminino e o sari por um nome e roupa de homem. Vinte anos depois, cumprido o seu papel de provedora da família, podia ter mudado para o que a Mãe-Natureza lhe destinou. Mas não: decidiu que é "mais fácil ser homem". Agora virou notícia internacional.

Mãe veste-se de homem

O diário londrino The Times noticia esta sexta-feira sobre "a mulher na Índia que viveu trinta e nove anos a fingir ser um homem para poder sustentar a família".

Três anos antes, Suna Petchiammal, "a mulher "que viveu trinta e seis anos" como homem para ser o Ganha-pão da família já tinha sido notícia nas páginas do Times of India (na sua edição de 25-06-2019).

Mas não era a primeira vez que se dava a notícia. Em 2002, Mathu que fora Suna revelou ao The New Indian Express que ["s]ó os familiares mais próximos e a filha sabiam que era uma mulher".

Como revelou a mãe de família, ela decidira havia 20 anos sair da sua terra — na aldeia de Kattunayakkanpatti, no distrito de Tamil Nadu — porque como jovem viúva estava a ser vítima de assédio no trabalho.

A mudança radical — de terra e de identidade, do sari para o lunghi (calças) —permitiu-lhe trabalhar em paz para conseguir sustentar a sua família. Trabalhou como pintor de paredes, servente de pedreiro, vendedor de chá, garçon, entre outros empregos "para homem".

Terminado o seu papel de educadora, com a filha adulta e independente, podia ter voltado ao sari, ao nome e aos longos cabelos. Assumidamente homem por duas décadas, Suna expressava que estava a ter dificuldade em sair do papel de Muthu, pois que é "mais fácil ser homem".

Cabelos doados ao templo

Renasceu como Muthu ao sair do templo onde deixou os cabelos. O templo (hindu) de Tiruchendur Murugan é uma das bases mais lucrativas da "colheita de cabelos", prática milenar, e tem vindo há décadas a alimentar uma indústria exportadora de cabelos da Índia para o mundo. Moda, che la donna è mobile, canta Pavarotti... Quantas cabeças pelo globo com efémeras cabeleiras com as cores, texturas e dimensões que o capricho dita!

Ganha-pão da família

Longe do sistema de casta da Índia, pelo mundo do Ocidente e Oriente modernos, o que se passou com Suna seria insólito? Por aqui não há divisão por género biológico que a sociedade já há séculos que convive com essa realidade da mãe-preta (de todas as etnicidades e das classes mais sacrificadas) que nos sustenta a todos.

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