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Mais de 200 migrantes intercetados no Mediterrâneo e devolvidos à Líbia 12 Fevereiro 2021

Mais de 200 migrantes foram intercetados pela guarda costeira líbia quando tentavam atravessar o Mediterrâneo e foram levados de volta à Líbia, apesar de o país ser considerado "inseguro", declarou esta quinta-feira, 11, a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Mais de 200 migrantes intercetados no Mediterrâneo e devolvidos à Líbia

Segundo a OIM, os migrantes desembarcaram na noite de quarta-feira e receberam os primeiros socorros dos seus funcionários antes de as autoridades líbias se encarregarem de transferi-los para um centro de detenção no noroeste do país.

Com esta operação, eleva-se a 1.700, o número de pessoas intercetadas desde o início de Fevereiro em alto mar pela guarda costeira da Líbia, entidade que está sob a suspeita de diferentes organizações humanitárias internacionais devido aos seus supostos vínculos com grupos criminosos que se dedicam ao lucrativo negócio do tráfico humano, conforme escreve a Agência Lusa.

Recorde-se que no domingo passado, as autoridades italianas concederam permissão para entrar no porto e desembarcar o navio de resgate humanitário "Ocean Viking", que transportava 422 migrantes resgatados do Mediterrâneo nos últimos dias. Nesta “rota migratória do Mediterrâneo Central”, considerada a mais mortífera do mundo, também navega e opera o navio Astral, fretado pela organização "Open Arms", que já resgatou mais cinquenta pessoas, diz a mesma fonte.

De salientar que Líbia, um Estado mergulhado no caos devido à guerra civil, desde que a ditadura do Presidente líbio Muammar Khadafi foi deposta em 2011, é o epicentro da chamada rota de migração do Mediterrâneo Central. “Desde então, mais de um milhão de pessoas se aventuraram nas suas praias em busca de um futuro a norte do Mediterrâneo”, escreve a Lusa, acrescentando que esta nova intercetação coincidiu na quarta-feira com um apelo da OIM à União Europeia (UE) e aos seus Estados membros, para que adotem medidas urgentes para conter rejeições, expulsões coletivas e o uso de violência contra migrantes e refugiados, incluindo crianças. Tanto fora da UE como nas suas fronteiras marítimas.

"A OIM continua a receber relatórios documentados de violações de direitos humanos e infrações ao direito internacional e suas convenções, incluindo a Convenção Europeia de Direitos Humanos", explicou a organização em comunicado, citado pela Lusa.

"As nossas interações diretas com os migrantes, inclusive durante a prestação de assistência, bem como vários depoimentos e fotografias compartilhados por organizações não governamentais (ONG) e os media, confirmam o nível de brutalidade a que foram submetidos antes de serem rejeitados pelas fronteiras terrestres e marítimas", acrescentou. Seguindo esses argumentos, o Chefe de Gabinete da OIM, Eugenio Ambrosi, lembrou que "o uso excessivo de força e violência contra a população civil é injustificável".

Refira-se que rejeições e expulsões coletivas são proibidas pelo direito internacional e da UE, e a OIM condena nos termos mais veementes o abuso de migrantes e refugiados em qualquer fronteira.

"A situação alarmante em algumas das fronteiras externas da UE destaca a necessidade de melhorar a política e governação de migração e asilo e de implementar práticas humanas e integradas baseadas nos direitos", referiu ainda Ambrosi, segundo a fonte que vimos citando.

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