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Mais de 3.000 famílias na ilha cabo-verdiana da Boa Vista com problemas de habitação 04 Abril 2022

Mais de três mil agregados familiares vivem em dificuldades em termos de habitação na ilha da Boa Vista, em Cabo Verde, disse à agência Lusa o autarca local, para quem a situação piorou com a pandemia da covid-19.

Mais de 3.000 famílias na ilha cabo-verdiana da Boa Vista com problemas de habitação

Em entrevista à agência Lusa na cidade da Sal Rei, Cláudio Mendonça avançou que dessas três mil famílias há aquelas que precisam de uma casa completamente nova e aquelas que vivem em habitações precárias e que precisam de melhorias.

O autarca disse que o problema já é do conhecimento também do Governo, que o incluiu no seu “Programa Mais – Mobilização pela Aceleração da Inclusão Social”, criado para pôr fim à pobreza extrema, que abrange cerca de 115 mil famílias, e eliminar a pobreza absoluta até final da legislatura (2021–2026).

A situação mais crítica continua a ser o denominado bairro da Barraca, que surgiu com o “boom” do turismo na ilha, e como o próprio nome diz, no início a maioria das casas era de chapas e irregulares, sem redes de água, eletricidade ou esgoto.

Segundo dados das autoridades locais e nacionais, o bairro alberga cerca de 10 mil pessoas, que chegaram nos últimos 20 anos de todas as ilhas e da costa ocidental africana, para trabalhar nos hotéis, na construção civil ou no comércio.

Com a pandemia da covid-19, Cláudio Mendonça deu conta de dois fenómenos que aconteceram na Boa Vista: primeiro, pessoas que viviam numa situação normal foram socorrer-se no bairro para morar porque aí a renda é mais baixa e a situação é mais confortável.

Mas outras pessoas que não conseguiam pagar renda nem no bairro refugiaram-se em outros sítios, também de barracas, ou em casas desocupadas, o que fez aumentar o número de barracas na segunda ilha mais turística do arquipélago.

Por isso, não tem dúvidas que a situação em termos de habitação na ilha “piorou”, com relatos de pessoas que foram morar nos espaços onde fazem criação dos seus animais, mas também na lixeira municipal.

“São situações que nos preocupam muito, preocupam o Governo, e estamos a trabalhar nesse sentido para realojar as pessoas nos espaços habitacionais que estão a ser construídos, os de Casa para Todos, e acredito que em março/abril vamos ter novas habitações”, avançou.

Ao todo já foram construídas mais 200 habitações no âmbito do programa habitacional do Governo anterior do PAICV, e financiado por Portugal por uma linha de crédito de 200 milhões de euros.

O presidente da Câmara Municipal está ciente que estas casas não vão resolver o problema da habitação, mas sim “minimizá-lo bastante” na ilha, onde o défice habitacional “é muito alto e há sempre entrada de pessoas”.

Por isso, o autarca disse que o trabalho das autoridades é resolver o défice existente, mas também trabalhar para o futuro, pensando na ida de mais pessoas para a ilha, que retomou o turismo em outubro de 2021, após meses fechado por causa da pandemia da covid-19.

Ainda no bairro que os moradores estão a tentar rebatizar de Boa Esperança, Cláudio Mendonça disse que nas partes Sul e Oeste ainda há pessoas que vivem em situação crítica em termos de casas e há outras que querem mesmo “fomentar” a construção das barracas.

“Tivemos de tomar algumas medidas muitas vezes não agradáveis para evitar a propagação de mais casas de lata e barracas aqui na ilha”, referiu o autarca, que assumiu funções em finais de 2020, após vencer as eleições com apoio do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV).

“Há pessoas específicas, há situações especificas em determinadas zonas, é percetível e é possível também resolver este problema do ponto de vista de realojamento das casas que estão a ser construídas neste momento”, prosseguiu.

Mesmo que não consiga acabar, para já, com as casas de barracas na ilha, em conjunto com o Governo, Cláudio Mendonça quer chegar a 2030 com “condições satisfatórias” do ponto de vista da habitação na Boa Vista.

A Semana com Lusa

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