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Mais de 50 foguenses retidos e em situação difícil na Praia: Henriqueta Cardoso lança SOS, pedindo intervenção urgente do governo para o retorno das pessoas ao Fogo 31 Maio 2020

Mais de 50 foguenses estão retidos na Praia, alguns dos quais com mais de três meses, passando por privações várias e até fome, segundo já denunciaram através de outros meios da comunicação social. A maioria deles chegou à Capital, antes do estado de emergência, por razões ponderosas, nomeadamente para o tratamento médico, tomada de vistos e em missão de serviços e negócios.

Daniel David Rosa da Veiga (ver foto no roda pé da notícia), um dos elementos do grupo ouvido por este jornal, confessa que já tem três meses e 16 dias em casa de um amigo e longe da sua mãe idosa e mulher que deve ter bebé no início deste mês de Junho.Considera penalizador se todos permanecerem em Santiago até depois do dia 30 de Junho, altura em que o governo anunciou a reabertura das ligações marítimas e aéreas no país.

«Que seja criada condições urgentes que nos permitam regressar com a máxima segurança para a nossa ilha. Apoiamos a ideia e estamos disponíveis a fazer o teste de controlo de Covid - 19 e ficar em quarentena depois da nossa chegada ao Fogo», exige Henriqueta Cardoso (ver foto principal), com ar preocupada. Com este SOS lançado, Cardoso espera a rápida intervenção do Governo da República para resolver a situação difícil por que passam os mais de 50 retidos na Praia. Para mais detalhes, leia a entrevista, que se segue, em que a Henriqueta descreve os problemas que vem enfrentando na Praia e as diligências que tem feito sem sucesso junto do governo e da Câmara de São Filipe para o seu regresso à ilha do vulcão.

Mais de 50 foguenses retidos e em situação difícil na Praia: Henriqueta Cardoso lança SOS, pedindo intervenção urgente do governo para o retorno das pessoas ao Fogo

A Semana - Mais de 50 foguenses continuam retidos na Praia, desde antes da proclamação do estado de emergência em Cabo Verde, por causa da pandemia de Covid -19. No seu caso, desde quando espera a decisão do Governo para o retorno à ilha?

Henriqueta Cardoso – Eu estou com mais de 60 dias na Praia, ou seja, desde a data em que tive a alta médica, que foi a 31 de maço deste ano.

Fez pedidos para o regresso à ilha?

Sim. Eu fiz vários pedidos por email ao Ministro da Administração Interna, ao Serviço Nacional de Proteção Civil e Bombeiros e também ao Serviço Municipal de Proteção Civil. Isto sem contar com as várias chamadas e tentativas de contactos, que inclui uma deslocação ao Ministério da Administração Interna. Mas nenhuma destas tentativas de contatos com os responsáveis dos serviços referidos teve sucesso.

Seguidamente fiz a inscrição na Plataforma eletrónica criada pelo Governo para o efeito, em que foram enviados os comprovativos da minha deslocação à Praia. Mas não tive também qualquer resposta. Recentemente tenho tentado contato com o Presidente da Câmara Municipal de São Filipe, que nunca esteve disponível em me atender e nem retornou as minhas chamadas.

Com o levantamento do estado de emergência na Praia nesta sexta-feira, o governo admitiu retomar ligações marítimas e aéreas só depois de 30 de Junho. Como vê essa medida?

Vejo com preocupação esta medida, sobretudo por falta de atenção à situação dos mais de 50 foquenses retidos na Praia há mais de dois meses. Porque nem se quer se falou numa alternativa que permita o regresso das pessoas retidas às suas ilhas de residência. Estranha-nos toda a movimentação para fazer o repatriamento de cidadãos nacionais no estrangeiro, mas os que estão na ilha de Santiago nem sequer merecem uma atenção ou resposta aos pedidos feitos neste sentido. Temos conhecimento de pessoas que se têm deslocando, saindo de Santiago para São Vicente, por exemplo.

Pessoas em situação difícil e ajuda urgente do governo

Como tem estado a viver na Praia, sabendo que a família se encontra no Fogo e há falta de recursos financeiros para tal?

Com limitações imagináveis, dependo da solidariedade de pessoas amigas, que agradecemos. E tenho conhecimento de alguns que estão a passar por sérias privações.

Mas a minha preocupação maior se prende com o facto de que, com o regresso do país à normalidade na última sexta-feira, os meus dois filhos, todos menores (4 e 10 anos), ficarão sozinhos em casa, pois, o meu marido terá de ir trabalhar agora. E a minha mãe que carece de cuidados especiais, por limitação de saúde e por estar no grupo dos vulneráveis, também não poderá contar com os meus cuidados por continuar na Praia. Pode imaginar também esta estadia forçada na Capital, que está tendo impactos financeiros fortes na vida da minha família.

O que propõe ao governo em termos de medidas que deve tomar para resolver a situação dos mais 50 foguenses retidos na Praia há mais de dois meses?

Que seja criada as condições urgentes que nos permitam a regressar com a máxima segurança para a nossa ilha. Apoiamos a ideia e estamos disponíveis a fazer o teste de controlo de Covid -19 e ficar em quarentena depois da nossa chegada à ilha. Porque também não queremos colocar a ilha do Fogo e seus moradores em risco.

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