A Semana - Mais de 50 foguenses continuam retidos na Praia, desde antes da proclamação do estado de emergência em Cabo Verde, por causa da pandemia de Covid -19. No seu caso, desde quando espera a decisão do Governo para o retorno à ilha?
Henriqueta Cardoso – Eu estou com mais de 60 dias na Praia, ou seja, desde a data em que tive a alta médica, que foi a 31 de maço deste ano.
Fez pedidos para o regresso à ilha?
Sim. Eu fiz vários pedidos por email ao Ministro da Administração Interna, ao Serviço Nacional de Proteção Civil e Bombeiros e também ao Serviço Municipal de Proteção Civil. Isto sem contar com as várias chamadas e tentativas de contactos, que inclui uma deslocação ao Ministério da Administração Interna. Mas nenhuma destas tentativas de contatos com os responsáveis dos serviços referidos teve sucesso.
Seguidamente fiz a inscrição na Plataforma eletrónica criada pelo Governo para o efeito, em que foram enviados os comprovativos da minha deslocação à Praia. Mas não tive também qualquer resposta. Recentemente tenho tentado contato com o Presidente da Câmara Municipal de São Filipe, que nunca esteve disponível em me atender e nem retornou as minhas chamadas.
Com o levantamento do estado de emergência na Praia nesta sexta-feira, o governo admitiu retomar ligações marítimas e aéreas só depois de 30 de Junho. Como vê essa medida?
Vejo com preocupação esta medida, sobretudo por falta de atenção à situação dos mais de 50 foquenses retidos na Praia há mais de dois meses. Porque nem se quer se falou numa alternativa que permita o regresso das pessoas retidas às suas ilhas de residência. Estranha-nos toda a movimentação para fazer o repatriamento de cidadãos nacionais no estrangeiro, mas os que estão na ilha de Santiago nem sequer merecem uma atenção ou resposta aos pedidos feitos neste sentido. Temos conhecimento de pessoas que se têm deslocando, saindo de Santiago para São Vicente, por exemplo.
Pessoas em situação difícil e ajuda urgente do governo
Como tem estado a viver na Praia, sabendo que a família se encontra no Fogo e há falta de recursos financeiros para tal?
Com limitações imagináveis, dependo da solidariedade de pessoas amigas, que agradecemos. E tenho conhecimento de alguns que estão a passar por sérias privações.
Mas a minha preocupação maior se prende com o facto de que, com o regresso do país à normalidade na última sexta-feira, os meus dois filhos, todos menores (4 e 10 anos), ficarão sozinhos em casa, pois, o meu marido terá de ir trabalhar agora. E a minha mãe que carece de cuidados especiais, por limitação de saúde e por estar no grupo dos vulneráveis, também não poderá contar com os meus cuidados por continuar na Praia. Pode imaginar também esta estadia forçada na Capital, que está tendo impactos financeiros fortes na vida da minha família.
O que propõe ao governo em termos de medidas que deve tomar para resolver a situação dos mais 50 foguenses retidos na Praia há mais de dois meses?
Que seja criada as condições urgentes que nos permitam a regressar com a máxima segurança para a nossa ilha. Apoiamos a ideia e estamos disponíveis a fazer o teste de controlo de Covid -19 e ficar em quarentena depois da nossa chegada à ilha. Porque também não queremos colocar a ilha do Fogo e seus moradores em risco.
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