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A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Mais de 80 cidadãos revoltados com o cancelamento de voos para os EUA 02 Julho 2020

Desde 19 de Março o arquipélago de Cabo Verde está fechado a voos internacionais – permitindo apenas voos sanitários e de repatriamento – como medida para travar o alastramento da pandemia de Covid-19. Por causa disso, mais de oito dezenas de cabo-verdianos, com vistos de imigrante, sentem-se lesados porque alguns estão na eminência de serem impedidos de entrar nos EUA, visto que o período da validade dos vistos de entrada já está expirado ou prestes a expirar-se. Aflitos com esta situação, pedem às autoridades nacionais que criem alguma saída urgente para que não percam esta oportunidade de estarem juntos de seus familiares. É que, além de prejuízos elevados acumulados, quase todos já desmantelaram os seus lares e pediram licença de trabalho por causa da programação antecipada dessas viagens agora canceladas.

Mais de 80 cidadãos revoltados com o cancelamento de voos para os EUA

Segundo um grupo que esteve na Redação do Asemanaonline, são mais de oito dezenas de cabo-verdianos com vistos de imigrante para os EUA. Todos se mostram revoltados por causa do cancelamento dos voos para aquele país norte-americano desde os meados de Março passado, isto devido à pandemia do novo coronavírus. É que, conforme dizem, estão na eminência de perder os bilhetes de passagens agora encarecidos com as taxas e demorar mais tempo para entrar nos EUA para integrarem às respetivas famílias. Isto sem contar com enormes prejuízos investidos para o sustento e encargos familiares na Cidade da Praia, sobretudo aqueles que vieram de outras ilhas e que se desligaram dos serviços onde trabalhavam, nomeadamente no Fogo e na Brava.

Um grupo desses cidadãos cabo-verdianos, que pretendem viajar para os EUA como imigrantes, procuraram o Asemanaonline para manifestar a sua indignação e revolta em relação ao cancelamento de voos internacionais referidos. Para muitos, esta medida do Governo é vista como um “desrespeito e desigualdade” para com os nacionais que estão retidos no país e que pretendem viajar para os EUA, antes da data de expiração dos respetivos vistos de entrada.

Descontente com esta situação estão Eliane Lopes e suas duas filhas menores, que residem no Bairro de Palmarejo, Cidade da Praia. Lopes mostra-se desgastadas porque, segundo diz, ela e suas filhas estão com vistos de imigrante desde o passado 21 de Fevereiro, cuja validade expira no próximo dia 17 de Julho. “Estamos estupefatas porque a nossa primeira viagem estava programada para o dia 20 de Março. Entretanto, com o surgimento do Covid-19, o Governo suspendeu todas as ligações internacionais a 19 de Março, e desde então, apenas permite voos pontuais sanitários ou de repatriamento de cidadãos. Por isso, fomos obrigados a alterar a viagem para esta sexta-feira, 03, o que segundo as agências de viagens, não poderemos viajar, enquanto não forem retomados os voos. Aliás, se o Governo foi capaz de autorizar voos de repatriamento de cidadãos que se encontravam no exterior, porque não consegue fazer o mesmo com todos nós que estamos retidos no país e com pretensão de fixar a residência nos EUA, junto dos nossos familiares?”, questiona Eliane.

Como apurou este jornal, tanto Eliane como dezenas de outros passageiros dizem que vivem momentos de incerteza, uma vez que a Embaixada dos EUA em Cabo Verde ainda não lhes deu nenhuma garantia de prorrogação de vistos que já estão expirados ou que venham a expirar-se daqui a alguns dias. “Mas mais: o meu marido, que reside nos EUA desde o ano de 2016, vê a vida familiar totalmente desfeita, porque já teve prejuízos incalculáveis na compra de apartamento, mobiliário e outras despesas adicionais para nos acolher (pagamento de vistos e bilhetes de passagens para as três)”, lamenta Eliane.

Prejuízos de cerca 300 contos e apelo para intervenção do governo

Outra inconformada com essa situação é Maria Eugénia Silva, residente em Achada Mato, Cidade da Praia, que também tinha a intenção de viajar, com as três filhas, para os EUA, no passado dia 13 de Junho. Silva revela ao Asemanaonline que já acumulou, com a suspensão de voos internacionais, um prejuízo no país de cerca de 300 contos, desde que conseguiu os vistos de imigrante a 17 de Março passado. “Os nossos vistos expiram na primeira semana de Agosto (05 e 10 de Agosto). Meu pai faleceu nos EUA há um mês, minha mãe, que se encontra adoentada, está sozinha.Por isso, quero viajar a tempo para lhe dar as assistências necessárias. Durante este período de pandemia já tive um prejuízo de cerca de 300 contos, em bilhetes de passagens, alimentação, renda de casa, entre outros”, desabafa.

Corrobora a mesma preocupação Maria José Barros, residente em São Filipe do Fogo, que pretende viajar para os EUA acompanhada do marido e da filha menor. “Tomámos os vistos de imigrante desde o dia 09 de Janeiro passado, já programámos as viagens para os EUA três vezes consecutivas: 23 de Março, 28 de Março e agora, para esta sexta-feira, 03. Mas certamente não vamos conseguir viajar, porque até este momento ninguém nos disse nada e os nossos vistos têm a validade até 06 deste mês», alertou.

Perante este cenário e momentos de ansiedade, esses passageiros, que estão impedidos de viajar para os EUA, exigem que o executivo de Ulisses Correia e Silva, em consertação com a Embaixada dos EUA na Cidade da Praia, criem alguma alternativa para que possam viajar a tempo e, facultar, na medida do possível, a prorrogação dos vistos, isto em caso da expiração do seu prazo de validade.

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