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Mais de um quarto da eletricidade produzida em Cabo Verde em 2021 ficou por fatura 24 Fevereiro 2022

Mais de um quarto da eletricidade produzida em Cabo Verde em 2021 foi dada como perdida, não sendo faturada, segundo informação do grupo Electra, que recorreu, entre outros, a 13,6 milhões de litros de gasóleo para essa produção

Mais de um quarto da eletricidade produzida em Cabo Verde em 2021 ficou por fatura

De acordo com a informação divulgada esta qurta-feira pelo grupo estatal, a produção de eletricidade ascendeu a 441.580.109 KWh (Quilowatt-hora) em todo o ano de 2021 e de água a 8.687.416 metros cúbicos.

As vendas ascenderam a 286.724.566 KWh, de eletricidade, e 6.971.992 metros cúbicos de água. A empresa, de produção de eletricidade (componente que o Governo já anunciou que será privatizada) e água, acrescenta que as perdas totais de eletricidade representaram 25,5% da produção total. Em 2020, a empresa deu como perdida 26,1% da produção total de eletricidade e em 2019 essa perda foi de 24,8% do total.

Em 2021, as centrais de produção térmica — que garantem quase 80% das necessidades de eletricidade no país -, consumiram 13.638.540 litros de gasóleo, 9.445.137 litros de Fuel 180 e 59.446.119 litros de Fuel 380, entre outras fontes.

A empresa terminou o ano de 2021 com 162.958 clientes ativos de eletricidade e 31.031 de água. Destes totais, 15.246 são clientes beneficiários da tarifa social de eletricidade e 847 da tarifa social da água.

O conselho de administração do grupo Electra avisou nos últimos dias que o “elevado número” de clientes com faturas de energia elétrica em atraso ameaça a sustentabilidade de todo o setor energético no arquipélago.

Numa nota do conselho de administração, a empresa aponta que as dívidas de clientes registam “um valor muito elevado, causando enormes problemas na tesouraria”, prometendo “ações urgentes para a sua regularização”.

“A situação de elevado número de clientes com faturas de energia elétrica por liquidar está a causar enormes dificuldades na gestão e sustentabilidade da empresa e de todo o setor energético”, lê-se na mesma nota da Electra.

“A situação é muito mais grave e preocupante no que concerne aos grandes clientes, empresas públicas e privadas, serviços autónomos de água, indústria, setor hoteleiro, indústria de panificação, supermercados, centros comerciais e oficinas”, acrescenta.

A Lusa noticiou em setembro passado que os prejuízos do grupo estatal cabo-verdiano Electra dispararam em 2020 para 505 milhões de escudos (4,5 milhões de euros), mas as dívidas de clientes somaram naquele ano 11.330 milhões de escudos (102,6 milhões de euros).

A informação consta do relatório e contas de 2020 do grupo Electra, indicando que as dívidas de clientes — que a empresa descreve como o maior problema que enfrenta na gestão – até desceram ligeiramente, 1,7% face aos 11.525 milhões de escudos (104,5 milhões de euros) de 2019.

A maior fatia das dívidas ao grupo – que integra a Electra SA, Electra Sul e Electra Norte – era de consumidores domésticos, 5.547 milhões de escudos (50,2 milhões de euros), seguindo-se as autarquias, com 2.059 milhões de escudos (18,6 milhões de euros), as empresas públicas, com 1.918 milhões de escudos (17,3 milhões de euros), as empresas privadas, com 1.458 milhões de escudos (13,2 milhões de euros), e o Estado, com 345 milhões de escudos (3,1 milhões de euros).

Na mesma nota do conselho de administração, de 18 de fevereiro, é referido que “para pôr cobro a esta situação, está em execução um plano de ação com medidas severas, direcionadas aos clientes de todas as localidades e de todos os segmentos, a nível nacional, com aviso prévio, a solicitar a regularização da dívida, e pagamento imediato das faturas”.

O grupo Electra fechou 2020 com um total de 813 trabalhadores.

O Governo cabo-verdiano aprovou em julho de 2021 o processo de privatização da Electra, envolvendo a cisão em duas sociedades, de produção e distribuição de eletricidade, e posterior alienação de até 75% do capital a parceiros estratégicos.

Segundo um decreto-lei do Conselho de Ministros publicado em 21 de julho, que aprova o processo de privatização, o mesmo deverá avançar em 2022 e está “em linha com as reformas económicas e estruturais preconizadas no Programa do Governo”, para “redução dos custos e a promoção e eficiência económica” na área da energia.

A semana com Lusa

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