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Mali: Freira refém de djihadistas desde 2017 é libertada — 935 à espera de lucrativo resgate? 12 Outubro 2021

A religiosa católica Gloria Cecilia Narváez — na foto 1, acompanha-a o arcebispo de Bamako na visita ao presidente interino do Mali, Assimi Goita — quatro anos após ser raptada e mantida até agora refém do GSIM-’Grupo de Apoio ao Islão e Muçulmanos’, braço maliano da Al-Qaida, foi libertada este sábado, segundo informações no site da presidência maliana. No domingo, foi recebida pelo papa em Roma.

Mali: Freira refém de djihadistas desde 2017 é libertada — 935 à espera de lucrativo resgate?

A irmã Gloria, da congregação suíça ’Franciscanas da Maria Imaculada’, foi levada da missão de Koutiala, 400 quilómetros a leste da capital Bamako, como refém em 2017. A missionária colombiana esteve até sábado na lista de "mais de 935 pessoas sequestradas no país desde 2017".

"Mais de quatro anos e meio depois foi libertada", congratulou-se este sábado o arcebispo de Bamako, Jean Zerbo.

"Rezámos muito por ela, para ser libertada. Agradeço às autoridades do Mali e outras pessoas de boa vontade que tornaram isso possível", disse o arcebispo à AFP.

Desconhece-se por enquanto se esta liberdade foi obtida com pagamento de resgate aos sequestradores do GSIM-’Grupo de Apoio ao Islão e Muçulmanos’, braço da Al-Qaida sediado no Mali. Esta é uma prática que se suspeita ser frequente, mas mantida em sigilo.


Missionárias, destinos diferentes

Ainda estão por esclarecer os contornos da libertação da Irmã Glória. É que os djihadistas do Mali mantêm "mais de 935 pessoas sequestradas no país desde 2017" em cativeiro, segundo um relatório da ong Armed Conflict Location and Event Data Project/Projeto de Localização e Dados sobre Conflitos Armados e (outros) Eventos.

Talvez ainda o mistério desta libertação permaneça, como no caso da missionária suíça sequestrada em 2016 e executada em 2020 por djihadistas. Só quatro anos e onze meses depois é que, segundo a imprensa francesa revelou no início deste ano, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Suíça — sem representantes no Mali — recebeu provas de que a religiosa protestante fora executada três ou quatro meses antes, em outubro ou novembro (de 2020). As provas da sua execução estão num vídeo do GSIM-’Grupo de Apoio ao Islão e Muçulmanos’, braço da Al-Qaeda com base no Mali, enviado às autoridades suíças.

A suíça Béatrice Stockly estava desaparecida da missão protestante em Tombuctu, desde janeiro de 2016. Mas o caso desta refém passou em grande silêncio durante mais de quatro anos, comparativamente ao dos reféns franceses que acabaram por ser libertados em outubro último (de 2020).

Execução em vez de lucrativo resgate. Também está por esclarecer o porquê de os raptores terem executado a sequestrada ao fim de mais de quatro anos, com todas as despesas inerentes que deveriam ser ressarcidas com a entrega de um generoso resgate.

A prática de sequestro para pedir resgate é tida como vantajosa para os djihadistas, já que os países, mesmo os mais fortes como a França, evitam, em nome da segurança dos seus nacionais prisioneiros, usar forças especiais para os libertar.

Um antigo ministro suíço reconheceu que a Confederação Helvética (nome oficial do país) tem estado a pagar pela libertação dos reféns.

Carta chega quatro anos depois

Só em março do corrente, completados quatro anos de cativeiro, o irmão da religiosa colombiana recebeu uma carta. Escrita por Gloria Cecilia a confirmar que está viva.

"Ela sempre escreve em letras maiúsculas, soube logo que era ela", contou o irmão à AFP. "Na carta estavam os nomes dos nossos pais e ela assinava no fim".

Fontes: AFP/BBC/Le Monde/L’Express/Vatican News. Relacionado: Suíça silencia execução djihadista de missionária no Mali, 12.fev.021; Ex-reféns no Mali libertados em troca com djihadistas: Cissé morreu de Covid, francesa diz: "Já não sou Sophie mas Mariam" —Síndrome de Estocolmo?, 30.dez.020). Foto 1 (Presidência do Mali com AFP): Gloria Cecilia Narváez acompanhada do arcebispo de Bamako na visita ao presidente interino do Mali, no sábado. Na foto 2 (Vatican News), recebida pelo papa em Roma, no domingo 10.

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