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Mali de luto pela morte do ex-presidente Boubacar Keita — Doente desde golpe de Estado 16 Janeiro 2022

O presidente Ibrahim Boubacar Keita faleceu hoje em Bamako, aos 76 anos, vítima de doença que o acompanhou após um golpe de Estado — liderado pelo coronel Assimi Goita — o ter forçado a retirar-se, em agosto de 2020.

Mali de luto pela morte do ex-presidente Boubacar Keita — Doente desde golpe de Estado

Boubacar presidiu ao Mali entre setembro de 2013 e 18 de agosto de 2020. O conhecido por IBK afirmava ser "um homem de esquerda", que ascendeu gradualmente nos escalões do poder maliano. Primeiro sob a presidência de Alpha Oumar Konaré (1992-2002), o primeiro presidente democraticamente eleito no Mali — de quem foi primeiro-ministro (1994-2000) antes de subir a presidente da Assembleia Nacional.

A sua renúncia — que anunciou em discurso televisivo con referência ao "apoio e o carinho do povo maliano" — foi saudada nas ruas de Bamako por manifestantes que, segundo a AFP, confraternizavam com soldados responsáveis pela intentona condenada pelas duas mais importantes organizações africanas: a CEDEAO e a UA-União Africana condenaram de imediato o ’golpe de Estado’.

Os acontecimentos no Mali, que culminaram na renúncia do chefe de Estado, não surpreenderam, porém, dados os constantes conflitos interétnicos que fazem dezenas, centenas de mortes e apenas são aflorados nos noticiários internacionais.

A erosão da imagem do presidente Boubacar foi progressiva, proporcional à "falta de ação positiva do Estado maliano", incapaz de acudir as populações vítimas de ataques ora de milícias dogons ora de rebeldes peuls...

Os contingentes das forças armadas nacionais têm sido lentas e só chegam para constatar a mortandade e destruição das aldeias de grupos como dogons e peuls. E alimenta-se assim o ciclo de vindicta interétnica.

As disfunções do Estado maliano são profundas e revelam-se na falta de "coesão necessária entre as comunidades", a qual tem conduzido a conflitos constantes sobre os direitos à terra, sejam terrenos agrícolas sejam terrenos urbanos e periurbanos.

Na base desse permanente conflito estão desde as expropriações de terrenos agrícolas muitas delas orientadas por interesses privados que o Estado acaba por beneficiar, segundo o referido estudo, que exemplifica com as relações estreitas entre o poder e o latifundiário Modibo Keita, do GDCM-Grande Distribuidor Cerealífero do Mali.

"As vítimas de expropriações de terrenos, de vendas de parcelas de modo anárquico, de atribuições equívocas de lotes" existem em várias comunidades ao longo do Mali que em extensão é o quinto maior país de África mas cujas áreas agrícolas ocupam um espaço muito reduzido e, por isso, muito cobiçado.

Presidência manchada pela falta de ação positiva

Os massacres interétnicos, que causaram perto de dois mil mortos entre aldeãos no Mali nos dois últimos anos, e têm na base a disputa por terrenos agrícolas, são um dos sinais da falta de ação positiva do Estado maliano presidido por Ibrahim Boubacar Keita durante ... anos.
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Fontes: Fontes: Le Monde/Journal du Mali/ABC news/BBC. Relacionado: Mali: Presidente diz que sai para "evitar derramar sangue", 19.ago.020; Mali: Espiral de vingança interétnica por milícias num Estado longe dos pobres e perto do rico – Cadastro digital dos terrenos é única esperança, 26.mar.2019; Mali em espiral de violência interétnica: 95 morreram em aldeia dizimada a pretexto de ajudar djihadistas ... , 11.jun.019; Mali: Conflito étnico que matou mais de 130 faz cair chefias militares, 25.mar.019.

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