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Mali em espiral de violência interétnica: 95 morreram em aldeia dizimada a pretexto de ajudar djihadistas — Mortos em África sem notícia, no Níger, Sudão... 11 Junho 2019

Na noite de domingo para segunda-feira, 10, "pelo menos noventa e cinco pessoas morreram" em Sobane-Kou, na região Dogon, no que as autoridades pensam ser parte da espiral de vingança interétnica entre peuls e dogons. Homens armados atacaram a aldeia de menos de trezentos habitantes, "mataram, pilharam e incendiaram casas".

Mali em espiral de violência interétnica: 95 morreram em aldeia dizimada a pretexto de ajudar djihadistas — Mortos em África sem notícia, no Níger, Sudão...

O ataque da madrugada de segunda-feira, 10, segue-se ao perpetrado há dois meses por por milicias dogon a Ogossogou, aldeia peul no centro do Mali.

O massacre de 23 de março foi tido como o pior dos últimos seis anos e decorreu durante a visita do Conselho de Segurança da ONU ao Mali e Burkina-Faso. Levou de imediato à demissão do CEMFA e da maior parte dos chefes militares do país, neste momento a aguardar julgamento.

O presidente da República, Ibrahim Boubacar Keita, dera ordens para um conselho de ministros reunido de emergência que dissolveu o grupo miliciano dogon ’Dan Nan Ambassougou’, "a fim de dar a uns e outros o sinal claro de que é o Estado que garante a segurança das populações".

O ataque deste início de semana mostra que a mensagem não passou.

Mortos em África sem notícia

Os atos terroristas em África passam em quase silêncio nos ’media’, quando comparados à intensa cobertura dada em países do primeiro-mundo. Porquê? A examinar pela hipótese do motivo geopolítico-racial: um país do primeiro-mundo onde não é suposto acontecer ’versus’ um país de África, visto como um lugar atrasado onde mortes brutais seriam ‘moeda corrente’.

O Níger, descrito como “país pobre” da também “região pobre saheliana”, vive sob constante ameaça de ataques terroristas, seja por djihadistas, no norte e oeste, seja pelo Boko Haram, no sudeste. Os vinte e oito nigerinos mortos há três semanas (14/5) na emboscada que djihadistas armaram à patrulha de 50 militares nigerinos – que perseguia os terroristas que na antevéspera atacaram uma prisão de alta segurança a 50 km da capital e mataram um soldado nigerino — só foram notícia num canal francês sobre África.

Porque é que a mortandade nessa sexta-feira, 14, que ocorreu próxima à aldeia Tongo Tongo, junto à fronteira maliana na região de Tillabéri, teve menos destaque que a morte de nove soldados — quatro americanos e cinco nigerinos – há dois anos também numa emboscada?

O massacre de cristãos na Nigéria. Enquanto o massacre de Nova Zelândia teve larga cobertura, o massacre de cristãos na Nigéria não. Porquê?

O que leva ao silêncio dos media? A hipótese é de que haverá um motivo geopolítico (e quiçá racial): a Nova Zelândia é um país do primeiro-mundo onde não é suposto acontecer.

A Nigéria, o Sudão, o Mali… o mapa da violência terrorista em África cresce mas não a sua cobertura mediática. A teoria mais corrente é que isso resulta da perceção de que a África é um lugar atrasado onde mortes brutais seriam ‘moeda corrente’.

Fontes: LE Monde/AFP/… LS

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