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Mam Bia tita conta estória na criol: o livro infanto-juvenil de Ivone Aida 13 Junho 2009

Primeira obra de Ivone Aida dedicada ao público infanto-juvenil, “Mam Bia tita conta estória na criol” (Instituto Camões), já está no mercado. É uma colectânea que recolhe a tradição oral de estórias infantis ouvidas por Ivone Aida nos seus tempos de criança em Santiago e S. Nicolau.

Mam Bia tita conta estória na criol: o livro infanto-juvenil de Ivone Aida

Decana das escritoras cabo-verdianas que com o nome Ivone Ramos já deu à estampa “Vidas vividas” (1990), “Futcêra ta cende na rotcha” (2000) e “A Exilada” (2005), só agora Ivone Aida, aos 83 anos, imprime em livro estas estórias, que contou aos filhos e agora repete aos netos, com o título “Mam Bia tita conta estória na criol”.

Uma obra que, diz o seu apresentador, o filólogo, professor e também filho, José Luís Ramos, é “um testemunho vivo das nossas tradições orais infantis”, facilitando “o acesso a este passado já longínquo a todas as crianças”. Porque, acrescenta, “aponta para o retorno a uma autoria colectiva de estórias, próprias dos primeiros tempos em que a composição do mito se realiza em situação viva, na presença dos focos humanos”.

Nessa era, “a voz não poderia ser atribuída a um único membro do grupo social que se servia dessas narrativas como alimento para os momentos de lazer da vida diária”. Daí que a leitura de “Mam Bia tita conta estória na criol” estimula “uma imersão num universo pouco objectivo que permeia essas narrativas, contadas em cada tempo, em cada lugar de forma diferente, o que lhes garante a longevidade”, afirma José Luís Ramos.

Mais: essas estórias são a porta de entrada num mundo de “novas experiências significativas de percepção do mundo”. E o intérprete e o leitor acabam por ser, segundo o apresentador, “múltiplos, porque actualizam várias vozes de uma só vez. O lugar do corpo do contador é um lugar de memória, materializado pelo produto objecto livro, composto como forma literária dotada de palavra, traço, cor, movimento, luminosidade e textura”, analisa o professor José Luís Ramos.

Teresa Sofia Fortes

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