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Mais de 10 mil pessoas na manifestação de Sokols : "Soncent crê sei de isolamento" e apresenta cartão vermelho às políticas do Governo 06 Julho 2019

Ao som de apitos e munidos de cartão vermelho, em sinal de reprovação do desempenho dos políticos, e cartazes, mais de 10 mil são-vicentinos voltaram a sair às ruas da cidade do Mindelo, esta sexta-feira, 05 de Julho, para protestarem contra o isolamento da ilha, a falta de medidas públicas para o desenvolvimento local e exigir do Governo de Ulisses Correia e Silva e da Câmara Municipal liderada por Augusto César Neves o comprimento das promessas da campanha eleitoral para o desenvolvimento da ilha, numa manifestação organizada pelo movimento cívico Sokols 2017. "Não podemos continuar a desprezar o povo, pois este sabe o que quer e a juventude também", enfatizou Salvador Mascarenhas, porta-voz do Sokols, no final do protesto.

Mais de 10 mil pessoas na manifestação de Sokols  :

Apesar das investidas da JPD em desmobilizar pessoas através de contactos e realização de passeios com jovens em Flamengo, os residentes responderam em peso ao apelo lançado pelo Sokols, participando em massa na manifestação desta sexta-feira. A organização revela que a marcha cívica de hoje superou a de 2017 em termos de participação popular - fontes independentes estimam em mais de 10 mil pessoas - de todos os partidos e sem partidos - participaram nessa manifestação de protesto. A jornada de luta também contou com a presença de pessoas de Santo Antão e São Nicolau.

A passeata teve início na Praça Estrela por volta das 11 horas e percorreu as principais artérias da cidade, passando pela Rua de Coco, Rua de Lisboa, Avenida Baltazar Lopes, Avenida Alberto Leite, Avenida 05 de Julho e culminou com uma concentração dos populares na Praça Dom Luís. Foram várias as palavras de ordem vindas dos manifestantes como “O povo unido, aqui é sem partido”, “Soncent Kre sei de isolament”, "Povo já acorda" e “Soncent Kre autonomia”.

Na recta final do protesto, um grupo de manifestantes, por iniciativa própria, deslocou-se ao edifício da Câmara Municipal, gritando palavras de ordem como “no ka krê Gust”, isto, numa clara alusão ao fraco desempenho da atual equipa camarária. Tudo aconteceu «perante um dispositivo policial musculado» destacado para o efeito, que ficou, em forma de barreira, frente ao edifício camarário até ao final dos protestos.

Segundo Salvador Mascarenhas, esta resposta da população “em massa” deixou o movimento satisfeito. “Vamos continuar a nossa luta, firme, serena, com muita disciplina e pacifismo”, avançou Salvador, para quem a solução para Cabo Verde e para São Vicente passa por uma solução política de candidaturas independente - nas autárquicas e nas legislativas.

“Temos que estar sempre atento, porque o poder corrompe. Nós não candidatamos a nada, estimulamos a cidadania activa”, reforçou Salvador Mascarenhas, para quem há na ilha “pessoas competentes” que poderiam constituir uma equipa independente.

Questionado no final se a Sokols irá apoiar alguma iniciativa independente nas eleições autárquicas, Salvador Mascarenhas responde, dizendo que o movimento irá promover alguns debates para estimular o surgimento destas iniciativas da sociedade civil.

“Nós não nos vamos candidatar, estaremos a estimular o surgimento dessas iniciativas. A Sokols não vai apoiar nenhuma lista, ficaremos contentes com o surgimento de uma lista às autárquicas, vinda da sociedade civil”, conclui Salvador Mascarenhas.

Ameaça com vaia ao governo

Para analistas atentos, o protesto desta sexta-feira promovido pelo Sokols é visto como mais um cartão vermelho apresentado ao Governo de Ulisses Correias e Silva, cujo desempenho é fortemente contestado na ilha do Porto Grande - o MpD está em debandada e a cair em descrédito junto do povo, segundo revelam estudos independentes recentes.

Diante de tais desgastes, consta que uma missão do governo, chefiado pelo Primeiro-ministro, está a caminho do Mindelo para tentar reverter a situação. A fazer fé nos ânimos exaltados que se regista na ilha, derivados sobretudo por descontentamentos dos residentes com as politicas do Governo e da Câmara, observadores locais alertam que o chefe do Governo e demais ministros correm agora o risco de serem vaiados por onde passam. Vamos esperar pelos próximos desenvolvimentos - em 2017 a comitiva do Primeiro-ministro foi bloqueado à entrada da cidade do Mindelo por um grupos de cidadãos.

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