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Marielle Franco: Miliciano mandante do crime é capturado, após delação premiada de ex-viúva de capitão Nóbrega 04 Agosto 2021

Na quinta-feira, 29, o miliciano Almir Rogério Gomes da Silva (foto), natural de Rio de Janeiro-Brasil que é apontado como o mandante do assassinato de Marielle em março de 2018, teve confirmada a prisão preventiva. Segundo as fontes terá sido a agora ex-viúva do miliciano Adriano da Nóbrega a decidir, em delação premiada, revelar esse facto ao fim de mais de três anos.

Marielle Franco: Miliciano mandante do crime é capturado, após delação premiada de ex-viúva de capitão Nóbrega

O alegado mandante do crime foi capturado na véspera da apresentação ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A polícia deteve Almir, natural do Rio de Janeiro, no município de Queimadas do Estado do Paraíba.

O agora detido Almir estava foragido da Justiça havia mais de um ano, mas em ligação com outros crimes — extorsões, venda ilegal de botijões de gás e homicídios.

Só a partir da delação premiada da viúva do miliciano Adriano da Nóbrega — morto em fevereiro de 2020 —, a ficha de Almir passou a incluir a participação no caso Marielle. Segundo Júlia Mello Lotufo, Almir liderava em Jacarepaguá, zona oeste do Rio, a milícia Gardênia Azul. Também em entrevista à revista Veja, no mês de julho, apontou que o líder da milícia Gardênia Azul era o mandante do crime executado por Lessa e Vieira.

Júlia Mello Lotufo está em prisão domiciliária suspeita de lavagem de capitais. De acordo com investigações, ela cuidava do património do marido desde que Nóbrega fugiu para evitar ter de responder por um caso ligado à famosa "rachadinha" no gabinete de Flávio Bolsonaro (uma investigação que a pedido do presidente está suspensa).

Nóbrega, suspeito também de três homicídios, foi retirado em janeiro do ano passado da lista dos criminosos mais procurados. Elaborada pelo próprio ministro da Justiça, a lista foi via Twitter divulgada por Moro, que citou "critérios técnicos" seguindo orientações do próprio presidente. Jair Bolsonaro tinha em 2005 expressado apoio a Nóbrega, então preso por homicídio.

Nóbrega morreu num cerco policial em fevereiro de 2020. A sua viúva voltou a casar este ano, com um outro suspeito de lavagem de capitais, .

Promotoras de Justiça discordam da delação

Segundo confirmou à imprensa o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, as promotoras Simone Sibílio e Letícia Emile, que desde outubro de 2019 estavam à frente do inquérito sobre o duplo assassinato, deixaram o caso.

O Ministério Público, segundo as fontes, terá indicado um novo promotor para trabalhar com as duas magistradas. Isto aconteceu depois que elas levantaram sérias dúvidas sobre a factualidade das delações apresentadas pela "viúva de Nóbrega". Sentindo-se desautorizadas, ambas preferiram sair.

Ronnie Lessa, o executante preso acumula com o crime de destruição de provas

"Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos, que dirigia o automóvel usado para o crime, e Ronnie Lessa, 48 anos, foram detidos numa operação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil do Rio de Janeiro, na madrugada de 12 de março de 2019", lê-se no site da Agência Brasil.

Um ano e quatro meses depois, Lessa é o único suspeito detido e destaca-se por ter sido de novo condenado no passado dia 10 pelo crime de destruição de provas. Pelo mesmo crime, a Justiça do Rio condenou mais quatro acusados — a esposa de Lessa, o cunhado e dois amigos.

De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro, os cinco desfizeram-se de diversas armas — entre as quais a submetralhadora HK MP5 utilizada para perpetrar o duplo homicído, da vereadora e motorista do município fluminense —, atirando-as ao mar da Barra da Tijuca, Zona Oeste da cidade.

O presidente Bolsonaro reagiu violentamente às notícias que ligavam a sua família aos dois ex-militares envolvidos no duplo assassinato de Marielle e Anderson (Detidos pelo assassinato de Marielle Franco dois militares próximos dos Bolsonaros, 13.mar.019).
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Fontes: UOL/Globo/... Relacionado: Brasil: ’Queima de arquivo’ poderá estar por trás da morte do ex-capitão Nóbrega ligado a Flávio Bolsonaro ..., 10.fev.020; "Rachadinha de Flávio Bolsonaro": Queiroz é detido em casa de advogado no interior de SP e entregue à Justiça do Rio, 16.fev.020.

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