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Mário Lúcio apresenta na Praia a sua mais recente obra literária “Manifesto a Crioulização” 23 Janeiro 2022

O escritor Mário Lúcio lançou hoje, na Praia, a sua mais recente obra literária “Manifesto a Crioulização”, um trabalho com o qual pretende mostrar quais são as nossas origens, a origem do crioulo cabo-verdiano e todos os crioulos do mundo.

“O objectivo é mostrar quais são as nossas origens, nós, os cabo-verdianos e os crioulos do mundo”, disse o escritor e poeta, em declarações à Inforpress, à margem da apresentação desta sua nova obra literária, apresentada na Presidência da República pelo também escritor e estudioso dos crioulos Manuel Veiga.

Segundo ele, “se for vermos ver pelas nossas origens, saberemos a parte que veio da Europa, mas a parte que veio da África perde-se no Atlântico”.

“Como que nós conseguimos criar uma identidade, não tendo uma identidade prévia, não havendo uma cultura autóctone de Cabo Verde?, perguntou Mário Lúcio Sousa, para depois dizer que, analisando todo esse percurso, o cabo-verdiano mostrou como que, dentro da história da humanidade, “nós criamos uma identidade para o futuro (…) uma identidade que não havia no século XV”.

“Portanto, eu disponibilizo um pensamento para que as entidades não sejam tratadas como elementos estanques, mas abertos, plurais e dinâmicos”, sintetizou Mário Lúcio nesta sua nova obra literária.

Para o escritor, que é também músico, isto serviu de exemplo a vários lugares do mundo, como nas Antilhas, na Ásia e, hoje, nas periferias da Europa, na criação de entidades múltiplas carregadas por um só indivíduo.

Por sua vez, o apresentador do livro, Manuel Veiga, considera que o “Manifesto de Crioulização” é, em si, um manifesto de alguém que está a expor “algo que considera importante”.

“Ele [Mário Lúcio] acha que o crioulo, para a Nação cabo-verdiana, é das coisas mais importantes que nós temos, um património”, frisou Veiga, que considera que o crioulo é um património não só em Cabo Verde, mas é “património lá onde ele existe”.

Para Cabo Verde, sublinhou o linguista, é “uma questão vital porque a nação global”, que se expressa sobretudo pela crioulidade.

“Crioulo é um património fundamental para Cabo Verde”, defendeu, acrescentando que o cabo-verdiano não deve perder a crioulidade, porque, justificou, esta é “o nosso património do lado multirracial”.

“O cabo-verdiano é o quê? É a pátria, o território é o que está aqui dentro [do País]. O crioulo está dentro, mas está fora”, asseverou, concluindo que tanto o cabo-verdiano como o crioulo “são patrimónios nossos”.

Conforme defendeu, um é património nacional territorial e outro é um “património quase que inter-racial”.

A apresentação da obra foi feita naquilo que Manuel Veiga considerou de bilinguismo paritário, quer dizer uma parte em crioulo e outra parte em português.

Instado se o “Manifesto e Crioulização” não deve ser escrito em cabo-verdiano, o apresentador não viu nisto nenhum paradoxo, porque, segundo ele, o livro poderia estar escrito em francês, em inglês e podia estar também, naturalmente, em cabo-verdiano.

“A língua é um veículo. O mais importante é aquilo que a língua veicula. Seria muito melhor se fosse em cabo-verdiano, mas o Mário Lúcio, naturalmente, quer atingir outros palcos, outros públicos. Daí que tenha utilizado o português”, defendeu o linguista.

Perguntado sobre a oficialização da língua cabo-verdiana, afirmou que isto já está perto.

“O crioulo é nosso e devemos fazer tudo por tudo para o valorizar”, admitiu Manuel Veiga, que acredita que na próxima revisão da Constituição da República a língua cabo-verdiana vai ser oficializada.

O linguista afirmou na sua dissertação que o crioulo cabo-verdiano “é o mais antigo do mundo”.

“Todos os outros de base francesa são do século XVII e, nós, no século XV já estávamos a tentar a gatinhar”, indicou, acrescentando que a maior parte do crioulo nasceu da confrontação dos denominadores europeus com o escravo africano. A Semana com Inforpress

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