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Máscaras contra Covid -19: Vi Novo Mundo 03 Maio 2020

O nosso colaborador em Itália descreve, no apontamento que se segue, a sensação de estar num novo mundo, ao partilhar a sua experiência de usar máscaras para proteger de Covid -19 naquele pais europeu mais assolado pela pandemia de novo coronavírus. «Sentia-me um ser estranho com os utensílios que não estava habituado e nem quero habituar-me a esta vida virtual. Com uma autorização para locomover-me pelas ruas de uma pacata cidade, num dos países mais infetados do mundo e da Europa, a Itália, ao silêncio de um clima enfadonho, de um ambiente sem cor, de uma sensação de medo, pressentia a presença de uma parasita impalpável me acompanhando até ao destino da minha viagem», escreve Albino Sequeira, concluindo que a prudência deve ser o imperativo agora, em que os governantes estão aceitar a advertência pelos erros. Leia o artigo a seguir.

Máscaras contra Covid -19: Vi Novo Mundo

Vi Novo Mundo

Hoje, pela primeira vez, no tempo em que reina a pandemia Covid 19, utilizei a máscara de proteção e as luvas.

Sentia-me um ser estranho com os utensílios que não estava habituado e nem quero habituar-me a esta vida virtual.

Com uma autorização para locomover-me pelas ruas de uma pacata cidade, num dos países mais infetados do mundo e da Europa, a Itália, ao silêncio de um clima enfadonho, de um ambiente sem cor, de uma sensação de medo, pressentia a presença de uma parasita impalpável me acompanhando até ao destino da minha viagem.

Não soa bem, mas a questão é essa, para saíres da sua casa é preciso um pedaço de papel. A alegria de estar na rua transformou num pavor. Em que ponto fomos parar? Em que confim da terra estacionamos?

Durante este período refleti várias questões acerca dessa nova era em que estamos a viver. Uma nova fase da lua, em que a existência de um vírus determina as regras de convivência e de relacionamento entre os seres humanos e os coloca a compreender a verdadeira essência da vida.

Não sei se o mundo renovou ou se o ser humano renasceu com outra expressão cultural, novo hábito de viver, atitudes sanitárias diferentes e adaptar a outros modos de alimentação.

Pela grande fila que reparei para entrar num supermercado e pela maioria das estantes quase vazias de géneros de primeira necessidade, dei conta que é uma realidade que se aproxima da previsão da ONU e da OMS, antevendo uma possível crise alimentar. Espero que assim não seja.

A coronavírus já provocou milhares de mortos e infetados em todo o planeta. Sem nenhuma cura à vista, a expectativa e ansiedade de conviver com este invisível é cada vez mais uma circunstância real, sobretudo para os trabalhadores das diversas áreas de atuação.

De todos os apuros que o Covid 19 está a provocar, a que destacar uma, que passa despercebida pelas pessoas, a fobia do homem ao seu semelhante. Ninguém mais quer avizinhar uns dos outros, com receio e desconfiança de que um ou outro esteja contaminado. O olhar é deveras suspeitoso e preocupante.

O ambiente pode estar livre das poluições dos transportes, das indústrias, mas se vê infeto por um vírus, tal que, precisamos de ajuda de um objeto para evitar a contaminação, de igual privando-nos de usar a belo prazer um bem delicioso e gratuito, o ar.

O sol de esperança nasce dia após dia, nas tardes escaldantes se regeneram o brilho de novos tempos e com promessas de um moderno jardim do Éden, de amores importados pelos ventos alísios que desabrocham as rosas da natureza e cristaliza as águas do mar.

Os louros vão aparecer como um arco-íris, à beira das (horizontes) de todas as nações, dando cor no tempo certo e seu multicolorido não ofusca. O seu encanto é progressivo.

Porque os países se insurgem e os povos são sacrificados? Os líderes mundiais conspiram e fazem da gente os presidiários, lançando as suas algemas.

A Prudência deve ser o imperativo agora, em que os governantes estão aceitar a advertência pelos erros.

Albino Sequeira*
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*Escritor e economista

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