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Mediação russa do conflito Arménia-Azerbaidjão: "Penosa assinatura do acordo" de paz, diz PM arménio cuja demissão está a ser pedida na rua 14 Novembro 2020

Ao fim de sete semanas de incursões armadas entre os dois países que disputam o território de Nagorno-Karabakh, a Arménia e o Azerbaidjão assinaram na terça-feira, 11, um acordo de paz em Genebra mediado pela Rússia. Milhares sairam à rua em Yerevan a pedir a demissão do chefe de governo arménio.

Mediação russa do conflito Arménia-Azerbaidjão:

O primeiro-ministro arménio, Nikol Pashinyan, pode ter ditado a sorte do seu governo com esta assinatura do acordo com os presidentes do Azerbaidjão e da Rússia para "garantir a paz" no território Nagorno-Karabakh. O enclave azeri na Arménia é fonte de incursões armadas pela República do Azerbaidjão desde a sua anexação primeiro em 1923 aquando da integração na URSS e de novo em 1991, aquando da independência das duas repúblicas da ex-URSS.

Em 27 de setembro, os dois governos romperam o acordo de paz assinado há quatro anos e declararam a lei marcial, pela qual o poder das Forças Armadas se sobrepõe aos direitos civis. O resultado, viu-se nestas sete semanas, foram as mortes em largas centenas, senão milhares de pessoas de ambos os lados— o do Azerbaidjão rico em petróleo e o da Arménia empobrecida.

A pressão internacional no sentido de um acordo de paz fez-se sentir durante este período, com os jogos geopolíticos da Rússia e da Turquia pelo meio. Até há uma semana, o presidente turco tinha esperança de conseguir um lugar à mesa negocial, mas a União Europeia e a diplomacia de Mike Pompeo influenciaram a escolha da Rússia para a mediação.

Decisão difícil para o povo da Arménia

"Foi uma decisão dolorosa", que "resultou de uma análise profunda da situação militar e em concertação com os melhores especialistas", disse Pashinyan em comunicado nas redes sociais.

"Acredito que esta é a melhor solução possível para a situação atual. Não é uma vitória, mas também só há derrota para quem se sentir derrotado. A Arménia nunca se considerará derrotada e este é um novo começo para a nossa união nacional e renascimento arménio", rematou o primeiro-ministro.

Entendimento diferente têm os manifestantes que saíram à rua na tarde do mesmo dia a pedir a demissão do primeiro-ministro.

Pashinyan está no cargo desde 8 de maio de 2018. A sua eleição, aos 42 anos, tornou-se possível graças ao grande apoio da esposa Anna Hakobyan (foto inserida).

A jornalista, tal como o marido, foi uma importante figura na "Revolução de Veludo" — protestos que agitaram o país entre 31 de março e 8 de maio de 2018 — que impediu o presidente Serzh Sargsyan de se candidatar a um terceiro mandato, inconstitucional.

Putin e Erdogan desmentem-se mutuamente

O presidente turco esteve no parlamento a anunciar que o país vai participar na força-tarefa incumbida de manter a paz no enclave de Nagorno-Karabakh. Para Erdogan o acordo assinado em Genebra "é uma vitória da aliança turco-azeri, ao fim de 28 anos da ocupação de terras azeri".

O Kremlin reagiu de imediato, com um comunicado a informar que "a Turquia não tem qualquer papel no acordo hoje assinado entre os Presidentes da Rússia e do Azerbaidjão, e o chefe do governo da Arménia".

Putin citado pela agência oficial, TASS, disse: "O acordo de Karabakh agora assinado estabelece novas bases mais justas e que beneficiam o povo do Azerbaidjão e o povo da Arménia. As força arménias e azeris vão manter as posições que cada uma detém em Karabakh".

Turquia-Arménia sob fundo de ’Genocídio Arménio’

Noventa e oito anos depois, o massacre de um milhão e meio de arménios por soldados do Império Otomano, antecessor da República da Turquia, continua a marcar a atualidade das relações diplomáticas entre a Turquia e os países ocidentais. Desde 1922 que os arménios reivindicavam o reconhecimento da responsabilidade alemã no massacre perpetrado pelo aliado do Terceiro Reich durante a Grande Guerra.

Há dois anos, a votação no parlamento alemão pela qual a Alemanha assumiu a responsabilidade no Genocídio Arménio — e com isso reconheceu ter-se tratado de um genocídio e não de uma eventualidade da guerra, como tem afirmado a Turquia — desencadeou vários protestos em Istambul. O embaixador turco em Berlim foi chamado à Turquia (Arménia: Angela Merkel em visita oficial indispõe Turquia, em braço de ferro sobre ’Genocídio Arménio’, 27.ago.018).

Há dois anos, a visita oficial de dois dias da chanceler alemã à República da Arménia para conversações com o seu homólogo, o primeiro-ministro Nikol Pashinyan, eleito havia quatro meses, em 8 de maio, teve tudo para aumentar ao só a tensão diplomática Alemanha-Turquia mas também pode ter reacendido o conflito na região.

Fontes: Reuters/TASS/Al Arabiyah/Armenian Weekly /Armenian Times. Fotos (Reuters): Presidentes do Azerbaidjão, Ilham Aliyev (à esquerda), da Turquia Recep Tayyip Erdogan e da Rússia, Vladimir Puti, e o primeiro-ministro da Arménia, Nikol Pashinyan.

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