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"Menina milagre" testemunha em tribunal de Paris — Lamenta ausência da companhia aérea 19 Junho 2022

Este mês em que se completam treze anos da catástrofe aérea em que foi a única sobrevivente dentre as 153 pessoas a bordo, a ’menina milagre’ Bahia Bakari tem estado a ser ouvida no tribunal de primeira instância em Paris, enquanto a Yemenia Airways não se fez representar.

O tribunal ouviu-a como se fosse a primeira vez, mas Bahia Bakari perdeu a conta ao número de vezes em que relatou a sua incrível história como sobrevivente de um acidente aéreo em junho de 2009.

Bahia que aos doze anos esteve mais de nove horas agarrada a um destroço do avião ao largo das ilhas Comores, numa noite escura e por entre dores lancinantes, tem sido obrigada nestes treze anos a reviver tudo de novo.

“Eu não queria compreender essa realidade” que era a queda do avião. “O que me fez aguentar foi que me agarrei à ideia de que ia ter com a minha mãe que estava já nas Comores”.

«No momento em que pensava ’Ninguém me vai encontrar’, ouvi uma voz: ’Vem cá’». Olhou e era um bote. Tentou nadar mas o mar estava demasiado agitado. Foi então que um dos pescadores foi buscá-la.

Milagre!, gritaram os socorristas quando Bahia, que pensavam ser mais um corpo morto num destroço de avião, levantou a cabeça.

Bahia Bakari é a partir daí a ‘menina milagre’ do voo 626 da ‘Yemenia Airways’. É no hospital que ela recebe a notícia – que já circulou pelo globo – de que é a única sobrevivente dentre as 153 pessoas, na sua maioria da comunidade comoriana em França, a bordo do avião. “Foi duro tomar consciência de que fui a única que sobreviveu ao acidente. E depois, é a tristeza, porque perdi a minha mãe”.

O que acontece no pós-catástrofe aérea

Bahia a ’menina milagre’ é, além disso, uma rara testemunha do que acontece após um desastre de avião.

As horas de desânimo: não via o avião que a viria salvar e tinha de lutar contra o sono, com “o gosto de petróleo na boca” que se “mistura com o sal e queima-me a garganta, os pulmões, o estômago”. “Sofri de verdade”. Deixa de sentir o corpo, nem sabe que está ferida, com queimaduras no rosto, nos membros.

Ela conta ainda da ’realidade brutal’ que é saber-se a única sobrevivente mas também a insensibilidade de quem lhe deu a notícia de que a mãe morreu.

A ’realidade brutal’ aumenta também com o "desprezo da companhia aérea", a "perseguição dos média", "a vaidade dos políticos" que a visitam no hospital. Como o presidente Sarkozy, que lhe disse: "Tu vais ao Palácio com toda a tua família". Uma visita ao Eliseu, prometida à criança — que esperou em vão.

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Fontes: LeParisien/BFMTV/France24/Europe 1/... Relacionado: Única sobrevivente, 12 anos, caiu e aguentou 10 H no mar — Rara testemunha pós-catástrofe aérea, 10.abr.019. Fotos: (Getty Images): Treze anos depois, Bahia Bakari relembra em tribunal o acidente aéreo de junho de 2009.

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