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Mensagem do PR: José Maria Neves apela que a hora é de mobilização geral 31 Dezembro 2022

O Presidente da República apelou hoje, na sua mensagem de novo ano, que a hora é de mobilização geral, o que não se compadece com a excessiva politização, pois, qualquer desperdício seria pernicioso para Cabo Verde, afetando particularmente a recuperação da economia. «Impõe-se a criação de uma sociedade da amizade, em que os diferentes partidos políticos, os colegas de trabalho, os vizinhos, todos, possam viver em paz e harmonia e se entendam», defendeu José Maria Neves.

Mensagem do PR: José Maria Neves apela que a hora é de mobilização geral

Ainda na sua mensagem (ver na integra na rubrica Registos deste jornal), advertiu ser importante evitar a erosão das instituições, na certeza de que uma sociedade dividida e com crispações não avança. «Espero que esta quadra festiva e o chamado ´espirito de Natal´ sejam bons conselheiros para conseguirmos estes propósitos, nomeadamente, rever aforma de fazer política, mudar o relacionamento entre o Estado e a Sociedade Civil, inovar em matéria de políticas públicas e na busca de consensos com vista a uma maior e melhor partilha de poder, e ser mais célere e sofisticado, com mais qualidade nas decisões», realçou, considerando que talvez resida aqui a diferença entre um país maduro, avançado e moderno, e um país subdesenvolvido.

Situação de emergência social com famílias em dificuldades

O mais alto magistrado da nação cabo-verdiana fez questão de realçar que Cabo Verde vive uma situação de emergência social, com muitas famílias a enfrentarem maiores dificuldades. «Vivenciamos uma situação de emergência económica e social e é nesta altura que a nossa atenção se deve dirigir para as famílias que hoje enfrentam maiores dificuldades, por serem vítimas de uma divisão desigual de oportunidades e de rendimentos. O Estado tem um compromisso indeclinável para com os mais pobres. Complementarmente, e lá onde o Estado não chega, cabe às ONG’s, Sociedade Civil e cidadãos em geral, canalizar os esforços para contribuir para que ninguém fique para trás».

Numa conjuntura de enormes desafios face ao incremento da pobreza das desigualdades, o PR destacou ser justo reconhecer e saudar o excelente trabalho dos atores sociais que não têm poupado esforços para, através da sua ação benemérita e de fraternidade, levar um pouco de solidariedade àqueles que mais precisam, principalmente nesta época festiva. «Isto constitui uma mensagem de que na nossa sociedade ainda prevalece mos sentimentos de amor ao próximo, empatia, generosidade e capacidade de doar», acrescentou, salientando o desejo de que o ansiado crescimento económico seja materializado, e que seja igualmente portador de desenvolvimento, beneficiando prioritariamente aqueles que hoje enfrentam a situação de extrema vulnerabilidade e de insegurança alimentar.

Insegurança e necessidade de consolidar Estado de Direito

«Faço votos para que este Novo Ano seja portador de mais paz, harmonia, civilidade e segurança, e que consigamos dar um bom combate à violência urbana, com destaque para a cidade da Praia. Cabo Verde é a terra da morabeza e todos os seus cidadãos e visitantes devem poder desfrutar de um clima de tranquilidade. Deixo um apelo para que se debruce à volta das causas e do que estará na génese da escalada da violência urbana, refletir sobre o que terá falhado ou que correu menos bem. Isto sempre na certeza de que, em diversos graus, existe uma corresponsabilidade quanto à atual situação, e que devemos concentrar
as ações nas medidas preventivas ao invés de uma atitude reativa e de resultados muito questionáveis
», sugeriu o PR.

«É importante fazer tudo para consolidar as instituições do Estado de Direito Democrático, com realce para o aperfeiçoamento, maior sincronização e reforço das capacidades dos órgãos encarregados da administração da justiça, da segurança e do combate à criminalidade. A nossa atenção deverá igualmente recair sobre a recorrente situação de morosidade da justiça e a sensação de impunidade», disse o Chefe de Estado.

Policrise e mudanças climáticas

Referindo-se à conjuntura atual, José Maria Neves passou também em revista a situação de policrise que se vive em Cabo Verde. «Estamos a encerrar um ano que entrou já sob o signo de uma policrise, com um feixe enorme de problemas atrelado. Destaco a pandemia e os seus efeitos devastadores, tanto sociais, económicos, sanitários ou políticos, com perdas muito profundas, e nunca antes imaginadas, que se traduziram em mais desemprego, pobreza, desigualdade e exclusão social. E como se não bastasse, a deflagração de conflitos, com destaque para a guerra na Ucrânia, fez disparar o custo da energia e condicionou as cadeias de abastecimento, com o consequente aumento dos preços dos alimentos».

A juntar a tudo isso, o PR desataca as mudanças climáticas e as suas severas consequências, nomeadamente para o nosso arquipélago, bem como o retrocesso nas democracias, em alguns países. «A interação entre estas diferentes crises tem como resultado um mundo mais precário, mais disruptivo e de aparente caos, com evidentes reflexos num pequeno país como é o caso de Cabo Verde. Mas a nossa conhecida esperança e a já demonstrada capacidade de resiliência, que nos permitiram enfrentar e vencer as diferentes crises, como as secas, fomes e mortandades, também nos ajudarão a superar esta conjuntura adversa. Conhecendo a têmpera do cabo-verdiano, cuja história se assemelha a uma corrida de obstáculos, sabemos que terá recursos de energia suficientes para enfrentar esta crise “, advogou JMN na sua mensagem de ano novo (ver na íntegra na rubrica Registos deste jornal).

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