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Mensagem nas redes sociais sobre cura do coronavírus faz aumentar vendas de erva-doce no mercado do Mindelo 30 Janeiro 2020

Uma mensagem que circula nas redes sociais apontando o chá de erva-doce como cura para o coronavírus fez já aumentar, em três dias, a venda desta erva no Mercado Municipal, no centro da cidade do Mindelo. Mas fontes médicas desmentem tais informações.

Mensagem nas redes sociais sobre cura do coronavírus faz aumentar vendas de erva-doce no mercado do Mindelo

A Inforpress procurou saber qual foi o efeito da mensagem, que circula nestes dias nas redes sociais, indicando que um infectologista brasileiro recomenda tomar de 12 em 12 horas o chá de erva-doce, pois, ele, alegadamente mata o vírus de Influenza, e contém o Tamiflu, o remédio, alegadamente, usado para tratar a gripe A –H1N1, o coronavírus, que se alastra pelo mundo a partir de China.

E na reportagem no Mercado Municipal do Mindelo, a vendedeira Bia foi a primeira a assegurar que desde segunda-feira tem vendido e esgotou nesta quarta-feira todo o stock de erva-doce.

“Toda a gente está à procura de erva-doce e já vendi tudo que eu tinha aqui na banca”, disse a vendedeira que espera ter mais neste sábado.

A mesma coisa com Matilde Silva e Andreza dos Santos, que confirmaram que nestes dias só têm vendido erva-doce.

“A toda hora aparece-me fregueses aqui em busca de erva-doce, já vendi muito”, sublinhou Andreza dos Santos, que nesta quarta-feira era das poucas que ainda tinha um pouco desta erva, normalmente vendida em maços de 50 ou 100 escudos.

Carolina Colito também asseverou ter vendido toda a quantidade, tanto verde, como seca, que tinha na sua banca.

“As pessoas vieram comprar dizendo que viram no Facebook que tal cura a nova gripe, mas, acho uma grande mentira”, defendeu.

E ao parece Carolina Colito tem razão, já que, segundo o jornal Folha de São Paulo (Brasil), as instituições mencionadas nas mensagens das redes sociais, Hospital das Clínicas e Hospital de São Domingos, todos em São Paulo, desmentiram a divulgação das informações.

A Folha de São Paulo assegurou que, em nota, o Hospital São Domingos afirmou que nenhum infectologista da sua equipa indica o uso do chá e que não há nenhuma comprovação científica quanto ao uso do chá de erva-doce no lugar do medicamento contra o vírus H1N1 ou com o mesmo efeito do Tamiflu.

“Diferente do que diz a mensagem, o medicamento não é feito de erva-doce”, reiterou a mesma fonte, alegando que segundo a farmacêutica responsável pelo remédio, ele é composto por fosfato de oseltamivir e não por anis estrelado ou pela erva-doce.

O médico e professor da Faculdade de Medicina de São Paulo, Esper Kallas afirmou que é “totalmente mentira” que tomar chá de erva-doce e comer fígado de boi, também como se diz na mensagem, previne ou trata a gripe.

“Não existem remédios ou comidas mágicas”, afirma também Francisco Ivanildo, médico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, entrevistado pela Folha de São Paulo.

Também, segundo os dois médicos ouvidos pelo jornal, não há comprovação clínica sobre a ingestão de vitamina C, presente na laranja e acerola, possa tratar gripes e resfriados.

Na verdade, conforme os mesmos, a vitamina pode melhorar a imunidade, mas, não evitar a doença em si.

Os médicos recomendam sim, uma alimentação balanceada, que combine frutas, verduras e proteínas e também manter-se hidratado.

As autoridades de saúde chinesas anunciaram 5.974 casos confirmados de contaminação na China continental, mais 1.400 em relação a terça-feira, e o número de mortes elevou para 132. A Semana com Inforpress

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