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Mia Couto: «Faço parte daquele grupo que não dá conta de que existe a CPLP» 27 Novembro 2018

“Não vejo que a CPLP tenha encontrado um caminho visível, claro, de afirmação, em que a gente percebe que eles são um parceiro que está presente. Há qualquer coisa que está a falhar. Ela existir ou não existir é praticamente igual para os escritores, por exemplo”. Foi desta forma que, em entrevista recente concedida ao portal ONU News, o escritor moçambicano Mia Couto defende uma presença mais forte da cultura entre as prioridades da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Mia Couto: «Faço parte daquele grupo que não dá conta de que existe a CPLP»

Conforme a mesma entrevista retomada pelo Cenabertaonline, Mia Couto lamenta que a organização se mantenha “num plano muito formal, muito distante da vida das pessoas” e defende que a CPLP deveria ter “uma dimensão mais cultural”. Ou seja, deve estar “mais ligada às preocupações do quotidiano das pessoas” e afirmar-se efectivamente como “uma resposta, num mundo que é guiado pela anglofonia e pelos interesses anglófonos”.

Questionado sobre o lugar das línguas locais de Moçambique, o escritor afirma, na mesma entrevista, que é “absolutamente essencial que passemos do discurso, das intenções políticas, para uma coisa mais concreta, mais real”: “Já é tempo de finalizarmos o trabalho que foi iniciado, de padronização da ortografia, de inserção dessas línguas nos currículos, de uma maneira que seja cuidadosa, que obedeça a esta condição de que este país vai ser um país multilingue”.

Mia Couto realça também a forma como o ensino do português é encarado em Moçambique - muitas vezes sem que se tenha em conta que se trata de uma “segunda língua” ou “língua de chegada”-, deve ser repensado.

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