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Milhões de crianças precisam de assistência humanitária no Afeganistão 24 Agosto 2021

Cerca de 10 milhões de crianças precisam de assistência humanitária no Afeganistão, quando enfrentam problemas de desnutrição ou violação dos seus direitos, alertou esta segunda-feira, 23, o Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para a Infância (Unicef), garantindo que a instabilidade no país não impedirá a organização "de continuar no terreno".

Milhões de crianças precisam de assistência humanitária no Afeganistão

"Estima-se que um milhão de crianças sofrerão de desnutrição aguda grave no decorrer deste ano e poderão morrer sem tratamento", alertou a organização em comunicado, citado pela Lusa, no qual indicava também que cerca de "4,2 milhões de crianças não vão à escola, incluindo mais de 2,2 milhões de meninas".

Desde o início do ano, "mais de 2.000 violações graves dos direitos da criança" foram documentadas, e aproximadamente 435.000 crianças e mulheres tiveram que se mudar para outras áreas do Afeganistão para escapar da violência e outros problemas, de acordo com a Unicef.

"Esta é a triste realidade que as crianças afegãs enfrentam e permanece assim, independentemente dos eventos políticos em andamento e mudanças no governo", disse a organização, acrescentando que a situação pode piorar nos próximos meses devido às devastadoras consequências económicas relacionadas com a pandemia Covid-19 , e os problemas de seca que o país apresenta, conforme escreve a mesma fonte

Por este motivo, a Unicef "irá permanecer no terreno agora e no futuro", uma vez que "milhões vão continuar a necessitar dos serviços essenciais, como saúde, campanhas de vacinação contra a poliomielite e sarampo, nutrição e proteção, abrigo, água e saneamento".

No entanto, para levar a cabo a sua missão humanitária, tanto a Unicef como a Organização Mundial de Saúde pediram no domingo, num comunicado conjunto, "o estabelecimento de uma ponte aérea", uma vez que o aeroporto de Cabul mantém suspensos os voos comerciais após a tomada de poder do país por parte dos talibãs, há cerca de uma semana.

Ambas as organizações "pedem acesso imediato e sem obstáculos para entregar remédios e outros suplementos que salvam vidas para milhões de pessoas que precisam de ajuda, incluindo 300.000 deslocados nos últimos dois meses", revela o comunicado.

"Nos últimos anos, houve um progresso significativo no aumento do acesso das meninas à educação, é vital que essas conquistas sejam sustentadas e que os esforços de promoção continuem para que todas as meninas no Afeganistão recebam uma educação de qualidade", refere o comunicado da Unicef divulgado esta segunda-feira, segundo a Lusa.

Portanto, "instamos os talibãs, e outras partes, a garantir que a Unicef e os nossos parceiros humanitários tenham acesso seguro, oportuno e irrestrito para chegar às crianças necessitadas onde quer que estejam", e que seu trabalho no país seja enquadrado "de acordo com as diretrizes humanitárias princípios de humanidade, neutralidade, imparcialidade e independência", referem.

"O nosso compromisso com as crianças do Afeganistão é inequívoco e nosso objetivo é que os direitos de cada uma delas sejam realizados e protegidos", afirma a organização, citado pela nossa fonte.

Recorde-se que os talibãs conquistaram Cabul, em 17 de Agosto, culminando uma ofensiva iniciada em Maio, quando começou a retirada das forças militares norte-americanas e da NATO.

De acordo com a Agência Lusa, as forças internacionais estavam no país desde 2001, no âmbito da ofensiva liderada pelos Estados Unidos contra o regime extremista (1996-2001), que acolhia no território o líder da Al-Qaida, Osama bin Laden, principal responsável pelos atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001.

"A tomada da capital levou milhares de pessoas ao aeroporto de Cabul para tentar fugir do Afeganistão, no fim de uma presença militar estrangeira de 20 anos dos Estados Unidos e dos aliados na NATO, incluindo Portugal", escreve a nossa fonte.

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