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Viúva de milionário ’don Juan japonês’ acusada de conjugicídio 23 Maio 2021

Há três anos que não progredia a investigação à morte do milionário Kosuke Nozaki, de 77 anos, ocorrida em maio de 2018 na sua casa de Tanabe, no nordeste japonês, poucos meses depois do seu casamento com Saki Sudo, de 22 anos. Esta quarta-feira a jovem viúva foi indiciada por um tribunal de Tóquio, quatro meses após a imprensa noticiar que ela ia mudar para o Dubai.

Viúva de milionário ’don Juan japonês’ acusada de conjugicídio

A quadrimilésima-primeira das suas "mulheres jovens e bonitas" é suspeita de ter imposto o fim da carreira donjuanesca do quase octogenário Kosuke Nozaki, poucos meses depois do matrimónio, concluiu a polícia japonesa ao fim de três anos de investigação. A autópsia mostrou a presença de drogas no cadáver, a indiciar o envenenamento como causa mortis.

Segundo a imprensa japonesa desta sexta-feira, este é um caso difícil de provar, porque "não há testemunhas, nem provas físicas" de que a jovem envenenou até à morte o marido 55 anos mais velho.

Uma das primeiras pistas incriminatórias — após a autópsia revelar que apesar da grande quantidade de drogas, não havia quaisquer marcas de picadas de seringa no corpo — foram as buscas online que a jovem fez nas semanas antes da morte do marido e que incluíram o contacto com um traficante de drogas.

Um mês depois da morte de Nozaki, a polícia fez buscas nas duas casas, a de Tóquio (foto central em baixo) e na de Tanabe (1ª foto). Nesta encontraram um cão enterrado no jardim. A autópsia indicou que morrera envenenado dezoito dias antes do dono.

No seu primeiro depoimento à polícia, após a morte do marido nessa noite de 24 de maio de 2018, Sudo disse que, após jantarem juntos, encontrara Nozaki inconsciente no segundo piso da casa (1ªfoto). Uma empregada tinha tentado socorrer o patrão "aplicando-lhe massagem cardíaca", em vão.

Segundo a acusação que determinou a prisão agora — dois meses após ela em fevereiro retomar o seu nome de solteira —, Saki Sudo tinha colocado uma "grande quantidade de um estimulante não especificado" numa bebida de Kosuke Nozaki. Foi esta, segundo a polícia, a causa da morte.

Meses antes da sua morte, Kosuke Nozaki — selfmade-man que fez fortuna do zero, começando por vender preservativos, álcool e restos de metal — disse, em entrevista a um jornal de negócios, que estava feliz ao lado de Saki mas consciente de que a jovem, muito provavelmente, estaria com ele por causa do seu dinheiro.

Nessa mesma entrevista, ao Gendai Business, o magnata revelou como aplicou um dos seus estratagemas para travar conhecimento com a jovem mal a viu no aeroporto de Haneda, em Tóquio.

Viu-a e de imediato pôs em ação um dos seus truques: fingiu que tropeçava e a jovem correu para o ajudar, vangloriou-se. Mal sabia o iludido espertalhão o que a ilusória sina lhe preparava para daí a meses.

3 biliões gastos com 4 mil "jovens e bonitas"

Estes números — três biliões de ienes, c. 3 mil milhões CVE — constam do livro autobiográfico ’Don Juan de Kishu’, de 2016, em que o magnata Kosuke Nozaki revela que procurou sempre ganhar muito dinheiro "para poder sair com mulheres atraentes".

O japonês autoproclamado Don Juan — deste modo identificando-se com o mítico sedutor espanhol do século XVII — escreveu: "Não estou interessado em carros ou casas".

"Em vez disso, tenho um desejo ilimitado de fazer sexo com mulheres bonitas", confessou no livro — (foto da capa) — que inclui capítulos sobre "como seduzir" de estudantes universitárias" a "comissárias de bordo em aviões".

Vida imita ficção

O autoproclamado Don Juan japonês será o primeiro nipónico mas é só mais um dos vastos descendentes do arquetípico Don Juan da literatura espanhola, criado por Tirso de Molina em 1630. Nos últimos quatro séculos da cultura ocidental, a personagem concebida para salvar os jovens libertinos coetâneos de Molina inspirou, mas já sem tanta intenção moralizadora, centenas de versões do teatro à música, da literatura ao cinema.

A intenção do autor espanhol é moralizadora: dirige-se aos jovens seus contemporâneos, de vida libertina e certos de que o Ato de Contrição na derradeira hora os livraria do Inferno e elevaria ao Céu.

A "criatura" de Molina, que é jovem, encantador e sedutor nas palavras, leva a bom termo a sua obra de depredação, certo de que "hay tiempo para el Acto de Contrición".

Mas, como demonstra o autor espanhol, o jovem libertino terá o castigo máximo no dia em que o pai de uma jovem inocente "lava a honra da família" com o sangue do predador.

Don Juan Tenorio morre jovem e sem tempo de dizer "Perdão , Meus Deus". Que pior castigo para o devoto católico no Século de Ouro Espanhol?

A justiça, completa, total — porque impede a elevação ao Céu — foi feita pelo pai de uma jovem inocente seduzida por Don Juan, que por trás da sua bela aparência era o Diabo disfarçado, na versão de Tirso de Molina e nem sempre seguida pelos seus sucessores.

Fontes: Japan Times/Wall Street Journal /Gendai Business. Fotos (Kyodo/Insta): A casa em Tanabe, Wakayama-Kishu. Kosuke Nozaki e o livro autobiográfico ’Don Juan de Kishu’ publicado em 2016. Saki Sudo em ’selfies’ da sua vida de glamour.

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