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Militares tomam o poder no Burkina Faso 25 Janeiro 2022

Os militares do Burkina Faso anunciaram que estão no poder após a detenção do PR e a dissolução do Parlamento. Também fecharam as fronteiras do país e prometeram um "regresso à ordem constitucional" num "prazo razoável".

Militares tomam o poder no Burkina Faso

Os militares amotinados do Burkina Faso declararam, esta segunda-feira (24.01), na televisão estatal que uma junta militar assumiu o controlo do país após a detenção do Presidente democraticamente eleito e a dissolução do Parlamento.

O capitão Sidsore Kaber Ouedraogo disse que o Movimento Patriótico de Salvaguarda e Restauração trabalharia para estabelecer um calendário "aceitável para todos" para a realização de novas eleições, mas sem avançar pormenores.

Os soldados disseram que o Presidente estava detido, mas numa declaração na sua conta do Twitter, o chefe de Estado não deixou claro a situação em que se encontra no momento. Roch Kaboré, exortou os militares rebeldes a deporem as armas.

"Nossa Nação está a passar momentos difíceis. Devemos salvaguardar a democracia. Convido aqueles que pegaram em armas a depô-las, no superior interesse da Nação. É através do diálogo e do ouvir que devemos resolver as nossas contradições", disse o Presidente, numa mensagem na rede social Twitter.

O partido do Presidente Roch Marc Kaboré, denunciou hoje uma "tentativa abortada de assassínio" do chefe de Estado, cujo destino continua desconhecido após o motim de soldados em vários quartéis do país.

Enquanto o Burkina Faso "se aproxima de hora em hora para um golpe militar", o Movimento Popular para o Progresso (MPP) também denuncia em comunicado de imprensa "o saque da residência privada do chefe de Estado" e "a tentativa de assassínio de um ministro", que não identifica.

Comunidade internacional condena "tentativa de golpe"

A CEDEAO anunciou em comunicado que está a acompanhar "com grande preocupação" o desenvolvimento da situação no Burkina Faso, "caracterizada" desde domingo (23.01) "por uma tentativa de golpe de Estado". A organização regional "responsabiliza os militares pela integridade física do Presidente Roch Marc Christian Kaboré", que fontes militares afirmam ter sido detido por soldados amotinados em Ouagadougou, lê-se no comunicado de imprensa.

A CEDEAO condena a ação dos militares, que classifica "como de extrema gravidade", exortando-os a "regressarem aos quartéis, manter uma postura republicana e a privilegiarem o diálogo com as autoridades para a resolução dos seus problemas".

Da mesma forma, o chefe da Comissão da União Africana Moussa Faki Mahamat condenou "veementemente" o que considerou ser uma "tentativa de golpe" no Burkina Faso contra o Presidente democraticamente eleito.

Num comunicado, Mahamat apelou ao exército nacional e às forças de segurança do país a "aderir estritamente à sua vocação republicana, nomeadamente a defesa da segurança interna e externa do país".

Por seu turno, a União Europeia (UE) pediu a libertação "imediata" do Presidente e de outros oficiais que se crê estarem detidos por soldados. A UE insta "que a liberdade do Presidente Roch Marc Kaboré e dos membros das instituições governamentais seja imediatamente estabelecida", disse o chefe da política externa da UE, Josep Borrell, numa declaração.

Numa conferência de imprensa, Borrell disse que a situação no Burkina Faso era "extremamente preocupante" e que "sabemos agora que o Presidente Kabore está sob o controlo dos militares".

"Respeitem a Constituição"

Os Estados Unidos também exigiram aos militares do Burkina Faso a "libertação imediata" do Presidente Roch Marc Kaboré e que "respeitem a Constituição" e os "líderes civis" do país. "Pedimos a todas as partes na atual situação que mantenham a calma e procurem o diálogo para ultrapassar as suas divergências", disse à AFP um porta-voz da diplomacia norte-americana.

"O Governo dos Estados Unidos está ao corrente de informações segundo as quais militares do Burkina Faso detiveram o Presidente Roch Marc Kaboré", afirmou a fonte.

"Apelamos à libertação imediata do Presidente Kaboré e outros responsáveis do governo, e pedimos aos membros das forças de segurança que respeitem a Constituição do Burkina Faso e os seus seus líderes civis", insistiu, enfatizando que a diplomacia norte-americana está em contacto com "parceiros internacionais" e também com responsáveis do executivo burquinabê.

O Presidente Kaboré, no poder desde 2015 e reeleito em 2020 com a promessa de lutar contra os terroristas, tem vindo a ser cada vez mais contestado por uma população atormentada pela violência de vários grupos extremistas islâmicos e pela incapacidade das forças armadas do país responderem ao problema da insegurança.

Quartéis militares são palco de motins

Vários quartéis no Burkina Faso foram este domingo palco de motins de militares, que exigiram a substituição das chefias militares e os "meios apropriados" para combater os grupos terroristas, que atacam o país desde 2015.

Uma dúzia de soldados encapuzados e armados montavam esta manhã guarda às instalações da Rádio Televisão do Burkina (RTB), que transmite programas de entretenimento, noticiou a agência francesa AFP.

Foram ouvidos tiros no domingo à noite perto da residência do Presidente e na madrugada desta segunda-feira decorreu uma batalha no palácio presidencial enquanto um helicóptero sobrevoava o edifício.

As estradas da capital estavam vazias no domingo à noite, exceto nos postos de controlo fortemente vigiados por soldados.

Outra agência noticiosa, a AP, informou que soldados revoltosos terão assumido o controlo do quartel militar de Sangoulé Lamizana na capital, Ouagadougou, este domingo.

O motim no quartel de Sangoulé Lamizana ocorreu um dia depois de uma manifestação em Ouagadougou, que apelou à demissão de Kaboré, a última de uma série de protestos contra o chefe de Estado, num contexto de desespero social pela forma como o seu Governo tem vindo a lidar com a insurreição islâmica.

O Governo do país não faz quaisquer declarações desde domingo, tendo a última sido a do ministro da Defesa, Aimé Barthelemy Simporé, que afirmou à RTB que alguns quartéis tinham sido afetados pela agitação, não só em Ouagadougou, mas também em outras cidades do país. C/ Agência Lusa, AFP, AP

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