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’Miss Côte d’Ivoire 2019’ antecipa divisão étnica da presidencial 2020: "Tara Gueye não soa marfinense" 20 Julho 2019

Dizem que nada fazia prever que a política ia entrar no ’Miss Côte d’Ivoire 2019’. A eleição há um mês de Tara, de 22 anos e futura economista, parecia incontestável, porque a sua beleza e qualidades morais e sociais tinham resistido às sabatinas impostas às vinte e sete candidatas.

’Miss Côte d’Ivoire 2019’ antecipa divisão étnica da presidencial 2020:

A identidade ivoirense da miss nacional deste ano está a ser contestada por causa do patrónimo Gueye, que é do pai senegalês. Tara e a mãe são nacionais da Costa do Marfim, mas isso não impediu certos espíritos de pôr em causa a legitimidade da sua eleição como “representante da beleza nacional ivoirense”.

“Uma ivoirense pode concorrer a miss Senegal”? É uma das perguntas que surgem entre os críticos da eleição de Tara Gueye. Gueye não é um patrónimo do país, mas o segundo presidente chamava-se Robert Guéi. Ou seja, a diferença é só ortográfica, analisa uma linguista que estuda a antroponomástica (área dedicada ao estudo dos nomes de pessoas).

A polémica podia ser anódina se não trouxesse para a frente da cena o debate “Quem é e quem não é ivoirense”, que contribuiu para a guerra civil que devastou o país entre 2002 e 2011.

A pergunta num país multicultural, construido por uma imigração proveniente dos países vizinhos sahelianos, serviu para marginalizar as populações mais a norte, culturalmente próximas das do Burkina-Faso, do Mali ou da Guiné-Conacri.

Estas a quem a ascensão ao poder de Alassane Ouattara, em 2011, deu a oportunidade de revanche: em vez de dar solução ao problema étnico, o presidente confiou os cargos de decisão às personalidades originárias do norte do país.


Fontes: BBC/Le Monde/Arquivos.

Relacionado: Holanda: TPI inocenta o ex-Presidente Laurent Gbagbo de crimes contra Humanidade, 14.1.2019; Costa do Marfim: Ex-primeira-dama Simone Gbagbo entre 800 amnistiados do Presidente Ouattara no Dia da Independência, 8.ago.2018; Gbagbo vai ser julgado por crimes contra a Humanidade, 14.6.2014; Combates entre forças de Gbagbo e de Ouattara prosseguem nas ruas de Abidjan, 13.4.2011.

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