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Moçambique: Ministério Público acusa 12 iranianos de apoiarem rebeldes 12 Novembro 2020

O Ministério Público moçambicano acusou 12 iranianos de apoiarem os grupos rebeldes em Cabo Delgado, no Norte do país, mantendo-os em prisão preventiva.

Moçambique: Ministério Público acusa 12 iranianos de apoiarem rebeldes

O grupo foi detido, em Dezembro de 2019, numa embarcação carregada de armas ao largo da baía de Pemba, capital provincial de Cabo Delgado.
O Ministério Público acusa-os de terrorismo, associação criminosa, porte de armas proibidas e crime de organização contra o Estado, ordem e tranquilidade públicas, segundo a informação citada esta quarta-feira pela Rádio Moçambique.

De acordo com a acusação, os 12 iranianos pertencem, se o público.pt, a uma organização terrorista e iam abastecer com armas e munições os insurgentes que têm atacado a região.

O grupo transportava na embarcação metralhadoras AK47, caçadeiras, pistolas e munições, binóculos, uma motorizada e um cartão de crédito.
A província de Cabo Delgado é palco há três anos de ataques armados desencadeados por forças terroristas, que se intensificaram este ano.

Há diferentes estimativas para o número de mortos, que vão de mil a duas mil vítimas. Segundo dados oficiais, há, pelo menos, 435 mil deslocados internos devido à violência protagonizada por grupos classificados como terroristas em distritos mais a Norte da província.

As Forças de Defesa e Segurança (FDS) moçambicanas descrevem como “grave” a situação em Cabo Delgado, assinalando que o porto e o aeroporto de Mocímboa da Praia continuam nas mãos de grupos armados.

A capital de Cabo Delgado, Pemba, está desde meados de Outubro a receber uma nova vaga de deslocados, que viajam em barcos precários.
As vítimas da violência na região rica em gás natural têm-se espalhado por outras regiões, nomeadamente as vizinhas províncias de Niassa e Nampula, mas as autoridades locais também têm oferecido ajuda a famílias refugiadas que chegam mais a Sul, nomeadamente à Zambézia e Sofala.

Guterres condena violência

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, condenou esta quarta-feira “veementemente” os massacres em Cabo Delgado e instou as autoridades do país a conduzirem uma investigação sobre os incidentes.

“O secretário-geral está chocado com os recentes relatos de massacres perpetrados por grupos armados [...] em várias aldeias na província de Cabo Delgado, no Norte de Moçambique, incluindo a decapitação e rapto de mulheres e crianças”, lê-se num comunicado divulgado na noite de terça-feira (madrugada de quarta-feira em Lisboa e Maputo) pelo porta-voz, Stephane Dujarric.

Na nota, acrescenta-se que o responsável da ONU “condena veementemente essa brutalidade atroz”.
Vários órgãos de comunicação moçambicanos, portugueses e internacionais relataram um massacre perpetrado pelo Daesh, no final da semana passada, em Cabo Delgado, com início na aldeia de Nanjaba.

A Agência de Informação de Moçambique citou a Polícia moçambicana, afirmando que mais de 50 pessoas foram sequestradas e depois decapitadas na aldeia de Muatide, “num campo de futebol que se transformou num campo de extermínio”.
Segundo a BBC, que cita a Agência de Informação de Moçambique e o portal de notícias Pinnacle News, as decapitações terão sido realizadas entre a passada sexta-feira e domingo.

O Pinnacle News fala mesmo em centenas de vítimas e “cerca de 40 decapitações” noutras aldeias, incluindo de muitas “crianças com menos de 15 anos”.

“O secretário-geral da ONU insta as autoridades do país a conduzir uma investigação sobre esses incidentes e a responsabilizar os responsáveis”, declarou o porta-voz Stephane Dujarric, apelando a “todas as partes em conflito para que cumpram as suas obrigações ao abrigo do direito internacional humanitário e dos direitos humanos”.

O secretário-geral reiterou o compromisso das Nações Unidas em continuar a apoiar a população e o Governo de Moçambique na abordagem urgente das necessidades humanitárias imediatas e nos esforços para defender os direitos humanos, promover o desenvolvimento e prevenir a propagação do extremismo violento.

Já na semana passada, a Agência France-Presse noticiava que “corpos desmembrados de pelo menos cinco adultos e 15 menores foram encontrados (…) numa floresta na cidade de Muidumbe”.

Alguns relatos dizem que as vítimas dos ataques estavam num rito de iniciação ou passagem à vida adulta.

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