LUSOFONIA

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Moçambique: Familiares querem reabrir inquérito sobre acidente que matou Samora 23 Outubro 2021

Em 19 de outubro de 1986 um suspeito acidente de avião causou a morte aos 53 anos do primeiro presidente da República de Moçambique. Houve ou não mão criminosa, quiçá soviética, na morte de Samora? Trinta e cinco anos depois, a interrogação perdura e Graça Machel lembrou-o aos presidentes Nyusi e Ramaphosa no Memorial de Mbuzini.

Moçambique: Familiares querem reabrir inquérito sobre acidente que matou Samora

A cerimónia que assinalou na África do Sul os trinta e cinco anos do falecimento de Samora Machel — realizada no museu erigido em memória dele, na localidade sul-africana de Mbuzini, na fronteira com Moçambique — foi presidida por Graça Machel, a notável viúva de dois presidentes carismáticos, ladeada dos presidentes Filipe Nyusi, Joaquim Chissano e Cyril Ramaphosa.

A duas vezes viúva, de Samora e de Mandela, Graça, de 63 anos, considerou que o primeiro presidente moçambicano foi "assassinado" para calar uma voz de referência africana.

"Muitas vezes pensamos que foi assassinado um líder, sim. Mas com ele, também foi assassinada a luta tenaz e incondicional" de líderes africanos como Cabral, Neto, afirmou a "mamã Graça" de moçambicanos e sul-africanos.

O combate contra a pobreza, prosseguiu, deve ser a prioridade dos governos e as riquezas que a África Austral possui devem beneficiar o povo.

"Eu tinha de usar o meu cabelo branco para dizer: filhos meus, estes povos merecem muito mais do que têm recebido", disse Graça Machel, no mesmo palco em que estavam sentados os presidentes moçambicano, Filipe Nyusi, e sul-africano, Cyril Ramaphosa. No Memorial a Samora, além destes esteve também o ex-presidente Joaquim Chissano.

O presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, enalteceu a família Machel, com a viúva Graça ao seu lado, e fez a ponte entre a visão do primeiro chefe de Estado moçambicano e a atualidade.

"O projeto de Samora Machel está ameaçado por ações macabras em Cabo Delgado", disse Nyusi, numa alusão à onda de violência que já dura há quatro anos e que se transformou numa guerra. Desde julho, o país conta com apoios militares do Ruanda e da SADC-Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, que integra vários países da região com destaque para a África do Sul.

Nyusi agradeceu o empenho dos "filhos" da África do Sul em Cabo Delgado, cujo apoio militar à ação conjunta está a permitir "travar a agressão" contra Moçambique que vê "resultados".

Libertação de África

Por seu lado, Cyril Ramaphosa salientou, ao longo do seu discurso, a proximidade e irmandade entre os dois países, considerando que Mbuzini é um local "sagrado" e "um lugar onde se realizou um grande sacrifício".

"Os sul-africanos jamais esquecerão o contributo de Samora Machel e das pessoas de Moçambique na luta para garantir que a nossa liberdade [luta contra o apartheid]", declarou Ramaphosa.

Tese: distração dos tripulantes russos

Em 2010, o jornalista José Milhazes, do diário lisboeta Público e da televisão SIC, publicou o livro Samora Machel: Atentado ou Acidente? em que considera que a queda do avião — de fabrico russo, no regresso dum encontro na Zâmbia — nada teve a ver com um atentado ou uma falha mecânica, mas sim com diversos erros da tripulação russa.

Um deles: em lugar de executar corretamente as operações de voo, os três membros da tripulação, incluindo o piloto, estavam entretidos a partilhar bebidas alcoólicas e outras mercadorias adquiridas em Lusaka pois que não era possível obtê-las em Moçambique.

Segundo Milhazes, que reside em Moscovo desde fins dos anos de 1970, tanto os soviéticos como os moçambicanos teriam interesse em divulgar a tese de um atentado perpetrado pelo governo racista da África do Sul. A URSS quereria salvaguardar a sua reputação quanto à qualidade mecânica do aparelho e ao profissionalismo da tripulação, enquanto que o governo de Moçambique quereria criar um herói.
— -

Fontes: ODIA.mz/DW.de. Fotos: No Memorial a Samora, Graça Machel, ladeada pelos presidentes moçambicano, Filipe Nyusi, e sul-africano, Cyril Ramaphosa, bem como pelo ex-presidente Joaquim Chissano. O dia em que casou com Samora. Com Nelson Mandela, com quem esteve casada até à morte dele (1998 a 2016).

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project