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Moçambique ignorava ser destino da carga de nitrato que causou explosões em Beirute 07 Agosto 2020

Moçambique surpreende-se com a revelação de que era o destino da carga de nitrato que arrasou uma vasta área desde o porto ao centro de Beirute esta terça-feira, na pior explosão química da história libanesa.

Moçambique ignorava ser destino da carga de nitrato que causou explosões em Beirute

A carga — duas mil setecentas e cinquenta toneladas de nitrato de amónio — retida desde outubro de 2013 no porto da capital do Líbano foi apreendida ao navio MV Rhosus, que saiu do porto de Batumi, na República da Geórgia. A paragem em Beirute parece ter sido ditada por razões técnicas, dado o estado decrépito da embarcação.

Tudo no barco inspira pouca confiança. A carga é declarada como produto agrícola, mas sabe-se que o nitrato serve para fazer explosivos. O proprietário é o russo Yuri Grechushkin (motard na foto), mas o MV Rhosus ostenta a bandeira moldava.

Mas não foi pelas irregularidades listadas que as autoridades portuárias decidem apreender a carga. Foi porque o armador recusou pagar as taxas e serviços e entrou num braço-de-ferro legal com as autoridades libanesas.

Com o caso a arrastar-se, numa saga legal sem fim e a tripulação sem salários, Yuri Grechushkin (foto) demite-se das suas responsabilidades.

Esta sucessão de irregularidades só se torna pública quando na terça-feira se dá a mortal explosão que vitimou milhares de pessoas, entre as quais mais de 130 morreram, cinco mil ficaram perdidas e trezentas mil ficaram sem casa numa vasta área desde a zona portuária até ao centro de Beirute.

O capitão do MV Rhosus, Boris Prokoshev, disse, na quarta-feira à rádio Echo Moscow, que a tripulação ficou presa dentro do barco sem qualquer apoio do armador russo. "Eu escrevia todos os dias ao presidente Putin. Sem resposta. Tivemos de vender o combustível para contratar um advogado, porque nos deixaram sem nada, sem água nem comida".

Segundo o capitão, ao fim de dez meses, de outubro 2013 a agosto 2014, é que a tripulação "prisioneira no barco, com a sua carga potencialmente explosiva", foi autorizada a sair e voltar para casa. Até hoje continuam sem receber os seus salários, no montante de dezenas de milhares de dólares.

Segundo relatórios a que a imprensa teve acesso, "a carga do Rhosus ficou no armazém nº12". O barco esse, segundo a Radio Free Europe acabou por afundar em 2017 ou 2018, "perante a inação das autoridades do porto de Beirute".

O armador russo reside em Limassol, Chipre.


Autoridades portuárias acusam o governo

A alegada "inação das autoridades do porto de Beirute" levou estas a reagir na quarta-feira com um comunicado em que provam com documentos ter avisado repetidamente o governo do "grande perigo" e que a substância tinha de ser retirada do porto por razões de segurança.

A TV Al Jazeera mostrou ontem uma carta, de 2016, que o diretor do porto dirigiu à tutela: "Considerando o perigo extremo que enfrentamos ao guardar esses bens no armazém em condições climáticas inadequadas, reafirmamos o nosso pedido para que a agência marítima faça a reexportação destes bens imediatamente para preservar a segurança do porto e dos seus trabalhadores. Ou então decida-se pela venda de todo o montante à Companhia Libanesa de Explosivos".

No mesmo sentido o diretor da Alfândega escreveu, em 2018, ao tribunal — encarregado de promover um leilão para a venda dessa carga entrada em 2013 —a pedir orientações sobre o que podia fazer para "preservar a segurança do pessoal a trabalhar no porto".

Corrupção? Negligência?

A crise política no Líbano ou a corrupção estão a ser apontadas como a causa da explosão desta terça-feira. A Reuters cita, esta quinta-feira, o relatório de uma equipa de inspetores que em fevereiro trazia um aviso alarmante: "a carga de nitratos armazenada pode varrer do mapa toda a cidade de Beirute".

Fontes: Reuters/ DW.de/Times of Israel. Fotos (AF/Reuters). Noiva regressa ao cenário da filmagem do video, que a explosão iniciada vários quilómetros antes deixou interrompido.

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