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Moda: Estilista cabo-verdiana percorre mercados internacionais levando na bagagem suas raízes 04 Novembro 2022

Cindy Monteiro é uma estilista cabo-verdiana que, não obstante os desafios da profissão no arquipélago, tem vindo a percorrer mercados internacionais, nomeadamente africano, europeu e americano, levando na bagagem a suas raízes.

Moda: Estilista cabo-verdiana percorre mercados internacionais levando na bagagem suas raízes

Em declarações à Inforpress, a designer, que acaba de chegar da Madeira, onde fez seu último desfile deste ano e onde tem também marcado presença quase todos os anos, com uma marca “muito ecológica”, ressalvou que há quase 10 anos que opera na área.

“Sendo a moda um dos sectores que mais polui o ambiente, a minha marca tem um lado muito ecológica. Preocupamos muito com o meio ambiente. O nosso trabalho é muito feito à mão, muita pintura à mão”, explicou Cindy Monteiro.

A jovem admitiu que ainda fica sempre “surpresa” ao ver seu trabalho a subir palcos internacionais, pois esta parte nunca esteve nos seus planos, porém, vai aonde o vento a leva.

De entre os palcos que já pisou, a que “impactou” foi quando, em 2017, apresentou o seu trabalho em Nova York, no Fashion Week, um “grande sonho”, que não esperava que se tornasse realidade.

Por agora, a estilista tem outro grande sonho, desfilar nos palcos de Paris, urbe onde, uma vez por ano, são apresentadas as grandes Coleções Coutoure, um sonho que a mesma considera bem distante a sua concretização, porque também há que cumprir um “montão” de requisitos para poder aceder a este tipo de evento, tornando complicada a sua participação.

Durante a conversa com a Inforpress, Cindy Monteiro sublinhou que são muitas as dificuldades de ser estilista em Cabo Verde, sendo uma delas o facto de vários sectores de actividades económicas no País viver da importação, por não usufruir de uma indústria têxtil.

“Não produzimos nenhum tecido, o que acaba por encarecer bastante as nossas coleções. O nosso mercado também é muito pequeno, o que complica ter uma actividade económica neste sector e há outra dificuldade, que é menor, comparada com alguns anos atrás, mas a moda é um sector em Cabo Verde que está por descobrir”, considerou.

A população cabo-verdiana, acrescentou, ainda não tem ainda esta cultura da moda e o entendimento daquilo que é o trabalho de um estilista.

“Exemplo que dou muitas vezes, é que muitas pessoas me solicitam um desenho para levar numa costureira, tenho noção que as pessoas não entendem, mas é um bocado insultante estes pedidos, porque diminui o nosso trabalho”, disse.

Hoje em dia, mencionou, poderia estar em outros lugares do mundo que facilitariam o seu trabalho, e muitas pessoas têm tentado convencê-la, mas o “amor” por Cabo Verde a mantem “presa” ao arquipélago, pelo menos por enquanto.

“Somos nós os encarregados a desenvolver o nosso País, porque se não fizermos, quem vai fazer?” questionou a jovem.

Cindy Monteiro indicou que as suas coleções rondam a volta de 20 a 25 peças com “bastante” glamour, transmitindo sempre a força da mulher cabo-verdiana.

“Tenho como inspiração a minha mãe, minha avó e bisavó, que são mulheres cabo-verdianas de muita força, e as minhas peças transmitem um bocado de tudo aquilo que foi a minha experiência de vida”, frisou.

A profissional, que neste momento trabalha na nova coleção, a apresentar no Inverno 2023/2024, aconselhou aos jovens que querem seguir a área a decidirem por si mesmas, que guardem suas identidades, que façam aquilo que lhes fazem bem, porque é isto que depois a roupa irá refletir, e a peça terá outra apreciação.

“A moda tem uma particularidade: é uma área que lhe permite ser muito visionário, ter um pouco de entendimento social, para poder perceber o que está à sua volta e projetá-lo nas roupas” salientou.

Formada em Comunicação e Imagem, Cindy Monteiro, filha de pais cabo-verdianos, nasceu na Suíça, país onde viveu até aos seus 11 anos de idade, antes de vir residir em Cabo Verde.

Desde criança teve o gosto pela moda, conforme narrou à Inforpress, sublinhando que sempre quis trabalhar na área, mas este trabalho começou meio em tom de brincadeira, quando em 2013 foi solicitada a improvisar umas peças, em três semanas, para um show de cabelo.

Na altura, lembra, as roupas fizeram muito sucesso e a organização lhe pediu para fazer ‘shooting’ fotográfico das roupas que acabaram por ser publicados em várias revistas internacionais, daí começou a sua jornada, da Cabo Verde para o mundo.

A Semana com Inforpress

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