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‘Mórmons’ com primeiro templo em Cabo Verde num “novo espírito” para 15 mil membros 31 Maio 2022

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mais conhecida por Igreja Mórmon, construiu o seu primeiro templo em Cabo Verde, para realizar as mais altas ordenanças, esperando um "novo espírito" para 15 mil membros.

‘Mórmons’ com primeiro templo em Cabo Verde num “novo espírito” para 15 mil membros

Com origem nos Estados Unidos há aproximadamente 200 anos, a igreja está em Cabo Verde há cerca de 30 anos, onde tem mais de 15 mil membros, que agora podem fazer as mais altas ordenanças no país, entre as quais o casamento, que denominam de “selamento”.

“Antes disso, os membros tinham de ir ao Brasil ou então a Espanha para fazer essas ordenanças, entre as quais o casamento eterno, que só é feito no tempo sagrado, e agora já podem fazê-lo aqui no próprio país”, regozijou-se Roseveltt Teixeira, 41 anos, que em abril foi designado para ser Setenta, que é o representante máximo da igreja no arquipélago, nesta que é a primeira vez que o cargo é exercido por um cabo-verdiano.

Construído numa propriedade de 1.805 hectares, o templo fica situado na Avenida Cidade de Lisboa, no Tahiti, zona de confluência para os diversos bairros da cidade da Praia, em frente a várias instituições públicas e privadas, entre elas os auditórios e biblioteca nacionais, emprestando uma nova vida e imagem de requalificação de toda aquela zona baixa da capital do país.

Com início da construção em maio de 2019, a inauguração está marcada para 19 de junho, com sessão exclusivamente para os membros, mas até lá o templo está de portas abertas para receber governantes, líderes de opinião, jornalistas, amigos e a população em geral, sendo que depois disso apenas o jardim pode ser visitado por qualquer pessoa.

Considerado como um símbolo da fé em Jesus Cristo, o responsável máximo disse à Lusa que ter o edifício no país é “um grande privilégio”.

“O templo para nós é um lugar de paz, um lugar sagrado, onde nós vamos para realizar as mais altas ordenanças ou promessas, compromissos com Deus”, reforçou o membro, para quem o espaço vai trazer uma maior espiritualidade para as famílias, um maior crescimento a partir de agora, bem como receber membros de outros países.

Cabo Verde passa a ter o 173.º templo em funcionamento em todo o mundo, sendo que na Costa Ocidental Africana há mais dois (Gana e Nigéria) e mais três em toda a África, de um total de seis no continente.

Num investimento de doações da igreja, cujos valores não são revelados, o templo foi construído com muita mão-de-obra local, segundo Roseveltt Teixeira, garantindo que a manutenção também vai ser feita por empresas e profissionais locais, numa forma de contribuir para a economia cabo-verdiana.

Além da religião, o Setenta deu conta que a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias tem realizado vários projetos sociais e comunitários ao longo dos anos em Cabo Verde, ligados à saúde, educação, água, agricultura, pecuária e apoia portadores de deficiências e suas famílias.

De uma forma geral, considerou que o crescimento da igreja em Cabo Verde tem sido “bom”, explicando que “o cabo-verdiano é um povo de fé, acredita em Deus e em Jesus Cristo”.

Entretanto, ainda há muitas críticas sobre alegados privilégios à Igreja Católica, que é a mais antiga e maioritária no arquipélago, cerca de 95%, num Estado laico, que defende a liberdade religiosa.

Algo que o Setenta considerou ser normal, mas garantiu que a igreja cristã que representa une-se a qualquer outra ou religião, quando o propósito é um projeto humanitário para o bem da comunidade.

“Nós estamos sempre disponíveis a ajudar, independentemente se é uma religião, uma instituição, o Governo, estamos sempre prontos e somos os primeiros a responder sempre”, afirmou Teixeira, que antes era o responsável por todas as igrejas nas ilhas de Santiago e Maio.

O responsável disse que a laicidade facilitou o crescimento no país, notando que o edifício prestes a ser inaugurado tem paredes meias com o memorial Amílcar Cabral, que é um lutador pela liberdade da pátria.

“Podemos falar também de liberdade religiosa e tudo isso, estamos felizes por estar num país onde temos liberdade religiosa”, reforçou o mesmo responsável da igreja missionária.

Depois de serem inaugurados, os templos ficam apenas disponíveis para os membros da comunidade mórmon, ao contrário das capelas espalhadas pelo mundo, que são de acesso público.

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias foi fundada em 1830 por Joseph Smith, em Fayette, Nova Iorque.

A Semana com Lusa

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