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Caso da morte da criança Sharon no Mindelo: Vozes críticas pedem demissão do ministro Arlindo do Rosário 10 Agosto 2019

Está a causar forte revolta no país e na Diáspora a morte, hoje, no Mindelo, de Sharon Lopes (ver foto), a criança de 4 anos, diagnosticada com câncer em estágio avançado. Tudo por alegada negligência dos ministérios de Saúde e da Segurança Social e dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades na agilização do processo visando a sua evacuação para Portugal. Por isso, vários são as vozes a exigirem responsabilidades – pedem inclusive a demissão do ministro Arlindo do Rosário que, mesmo perante este caso grave, continua em visita na região Fogo e Brava.

Caso da morte da criança Sharon no Mindelo: Vozes críticas pedem demissão do ministro Arlindo do Rosário

Os protestos são fortes, principalmente através das redes sociais. Mas os familiares da linda Sharon Lopes, falecida esta sexta-feira, foram os primeiros a denunciarem este caso e alertarem as autoridades nacionais para descentralizarem o processo das evacuações de doentes para outros países, nomeadamente para a Espanha, França e Itália. Outros falam inclusive para se aproveitar melhor a vizinha República do Senegal, que agora está sendo frequentada por muitos doentes de Cabo Verde.

Perante as consequências da alegada negligência registada no processo de evacuação de Sharon Lopes, vários são aqueles que pedem o apuramento das responsabilidades sobretudo junto do Ministério de Saúde e da Segurança Social - pedem inclusive a cabeça do ministro Arlindo do Rosário que, apesar deste caso grave, permanece em visita na região Fogo e Brava - e tomadas de medidas para se evitar que algo semelhante venha a repetir no futuro em Cabo Verde.

Neste particular, o analista Avelino Bonifácio escreve, na sua página de facebook sobre o caso, alertando que sirva para livrar outras Sharon. «Que a sua morte interpele a todos sobre a importância da vida e sirva para livrar outras Sharon dos que acham estarem investidos de poder para decidir, por Deus, a hora que alguns devem partir. Que Deus te restitua, para eternidade, a vida que os homens te subtraíram. Condolências à família!», lamentou.

Entretanto, o Director Nacional da Saúde (DNS) admitiu, hoje,09, a necessidade de aperfeiçoar o sistema nacional de evacuações em vigor há mais de 20 anos, para que seja adaptado às exigências actuais.

Arthur Correia fez, segundo a Inforpress, esta consideração à imprensa, na Cidade da Praia, em reacção ao caso Sharon Lopes. Uma criança de 4 anos, diagnosticada com câncer em estágio avançado, que aguardava evacuação para Portugal, entretanto veio a falecer esta sexta-feira.

O responsável começou por dizer que o Ministério da Saúde (MS), consciente da gravidade da situação clínica e da sua rápida evolução que a criança apresentava, “envidou todos os esforços” para abreviar sua evacuação, no âmbito do sistema de evacuações em vigor.

O DNS fundamenta que Sharon foi examinada pela Junta de Saúde de Barlavento, a 13 de Junho e, no mesmo dia, o respectivo relatório foi submetido à tutela, que o homologou no dia seguinte.

A mesma fonte clarificou que, na fatalidade da morte da Sharon Lopes, todos os procedimentos exigidos foram cumpridos atempadamente, mas que por falta de vagas nos hospitais portugueses não foi possível uma resposta que fizesse com que a jovem viajasse a Portugal de imediato.

Reforma do sistema de evacuações

Correia sustentou que o MS “tem consciência” que o sistema de evacuações em vigor há mais de 20 anos precisa ser aperfeiçoado e adaptado às exigências actuais, garantindo que esse processo já começou.

“O processo de aperfeiçoamento já foi iniciado com a criação de uma coordenadora geral das juntas aqui no país, com a criação também de uma junta conjunta em Portugal, constituída por médicos cabo-verdianos e médicos portugueses”, garantiu, sublinhando que vão ser realizadas reuniões durante todo esse segundo semestre para continuar a melhoria desse sistema.

O DNS explicou, no entanto, que para situações de máxima urgência é a Embaixada de Cabo Verde em Portugal que poderá accionar o mecanismo mais célere, mas sempre a depender da disponibilidade de vagas nos hospitais portugueses.
Por outro lado, indicou que o MS, em nome da transparência e pelo respeito dos familiares, vai abrir um inquérito para esclarecer toda a conduta que envolveu “este triste caso”.

Contudo, Artur Correia lamentou “profundamente” o desfecho do caso, apresentando, segundo revela a Inforpress, as mais sentidas condolências à família enlutada neste momento de consternação. O coletivo do Asemanaonline aproveita também para apresentar as suas sentidas condolências aos familiares de Sharon Lopes, falecida esta sexta-feira, no Mindelo.

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