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Morre professora e activista política Maria Luísa Tavares Sousa e Blanqui 14 Julho 2018

Faleceu, esta quinta-feira,12, em Genebra, Suíça, aos 96 anos de idade, a professora Maria Luísa Tavares Sousa e Blanqui. Natural de Cabo Verde, Luísa Blanqui foi também uma activista política influente mas discreta na luta pela Independência Nacional de Cabo Verde, que teve relações de trabalho com Amilcar Lopes Cabral, o fundador do PAIGC.

Morre professora e activista política Maria Luísa Tavares Sousa e Blanqui

Em comunciado, a Fundaçao Amilcar Cabral (FAC) lamenta a sua morte, enderçando sentidas condolências à familia enlutada. «É com profundo pesar que registamos o desaparecimento físico desta ilustre professora cabo-verdiana e patriota convicta. Para a família enlutada vão as nossas mais sentidas condolências», diz o documento

Referindo-se ao perfil multefacedado de Tavares Sousa e Blanqui, a FAC destaca a sua particpação na luta pela libertaçao nacional e sua relação com Amilcar Cabral. «Além de docente de qualidades excecionais, a professora Luísa Blanqui foi também uma activista política influente mas discreta na luta pela Independência Nacional de Cabo Verde. Participou nas atividades da Casa dos Estudantes do Império em Lisboa e, durante o período da luta colonial, manteve relações de trabalho com Amílcar Cabral e vários ativistas portugueses que, na clandestinidade, se associavam à luta contra o salazarismo».

Percurso e homenagem

Conforme o documento, Maria Luísa Tavares e Sousa Blanqui, nasceu na cidade da Praia, em 25 de Agosto de 1921. Completou os estudos secundários em Lisboa e, em 1951, formou-se em Filologia Românica pela Universidade de Coimbra. Continuou a sua formação em várias instituições estrangeiras em Espanha, Itália e França, e leccionou em Portugal, em vários colégios.

Ainda segundo o comunicado da FAC, ela trabalhou em Cabo Verde de 1958 a 1960, leccionando a disciplina de Francês na Secção da Praia do Liceu Gil Eanes. «As medidas inovadoras introduzidas a nível da escola e o trabalho de consciencialização política realizado junto dos alunos causaram-lhe incompatibilidades com a Direcção do Liceu, que teriam chegado ao conhecimento da PIDE (Polícia Internacional da Defesa do Estado). Assim, em 1960, a professora Maria Luísa Blanqui decidiu deixar o País e, a partir do mesmo ano, passou a trabalhar na Universidade de Genebra, Suíça».

Mas permaneceu sempre em contacto com Cabo Verde. Desde 1975, Luísa Blanqui visitava Cabo Verde de cinco em cinco anos por altura das celebrações da Independência Nacional. Mas por razões de saúde, a sua última visita aconteceu em 1990. «Hoje, Luísa Blanqui é referenciada pelos seus ex-alunos como uma professora exemplar, cujos ensinamentos e atitude educadora tiveram um impacto fundamental no desenvolvimento de valores éticos e de cidadania que os têm acompanhado na sua trajetória de vida pessoal e profissional».

Para reconhecer o seu trabalho prestado como docente, em 2015, por ocasião do 40º aniversário da Independência de Cabo Verde, foi homenageada por iniciativa do Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos de Almeida Fonseca, com a Medalha de Mérito por serviços prestados no domínio da educação em Cabo Verde.

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