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Morreu Eurico Barros, ativista da nova poesia pós-independência 27 Agosto 2018

O pais, com destaque para o mundo das letras, está de luto. Almir Eurico Lopes de Barros, 58 anos, faleceu em casa, na terça-feira, 21, na Praia, ao fim de vários anos de sofrimento intermitente. Licenciado em direito e poeta, foi um dinamizador cívico e cultural com o grupo "Sopinha de Alfabeto", que, em 1986, lançou o número 1 da publicação homónima dirigida por Mito Elias.

Morreu Eurico Barros, ativista da nova poesia pós-independência

“Um grande defensor da verdade não se preocupando em agradar ao mundo e o sistema de mentiras que gere o mundo”, é como um familiar retrata Almir Eurico Lopes de Barros, nascido em 1960 na Praia.

Vivia recluso numa parte da casa da família, a lutar com crises de depressão. Na terça-feira, foi encontrado morto nos seus aposentos, dois dias depois de deixar de ser visto pela última vez. Terá morrido de um ataque cardíaco.

Jovem, participou no lançamento de "Sopinha de Alfabeto", grupo de poetas e criadores sob a batuta criativa de Mito Elias "para o combate à quase letargia cultural" em que vivia Cabo Verde, por ocasião do 50º aniversário da ’Claridade’ em 1986.

A revista do grupo homónimo tinha "o objetivo de criar ou tentar criar um espaço livre de publicação e divulgação no domínio das Artes e Letras". Eurico de Barros colaborou em dois números da revista, com produções literárias e de artes como a fotografia e o desenho, a combinar as diversas linguagens.

Co-autorou “Cabo Verde -80, Que Constituição?”

O presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, que não esteve presente no funeral na quarta-feira, 22, deixou uma sentida homenagem no seu mural do Facebook, a lembrar a convivência em Portugal. O “jovem sonhador, ambicioso, um pouco rebelde e inquieto intelectual e politicamente, pedia-me amiúde conselhos, ele estudante, eu docente, na Faculdade de Direito de Lisboa".

Jorge Carlos Fonseca conta que Eurico Barros, “bem mais novo, esteve comigo e outros companheiros na criação e na militância nos Círculos Cabo-Verdianos para a Democracia (C.C.P.D.) nos anos oitenta e até foi um dos autores de uma brochura que, na altura, deu algum brado («Cabo Verde -80, Que Constituição?»), com um pseudónimo”.

Após o regresso a Cabo Verde “a vida não lhe terá corrido bem”, "mormente depois do início de noventa”, descreve Fonseca. “Fomo-nos vendo e conversando, mas os caminhos e os percursos nem sempre se cruzaram”, lamenta o chefe de Estado.

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