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Morte do Combatente Baró: Homenagem em câmara-ardente no Quartel Jaime Mota 30 Junho 2019

As Forças Armadas de Cabo Verde informa que a câmara-ardente para a prestação de homenagem ao Combatente da Liberdade de Pátria Joaquim Pedro Silva (Baró), falecido, na sexta-feira,28, no Hospital Agostinho Neto, se efectuará, esta segunda-feira, no Quartel Jaime Mota, de onde partirá o cortejo fúnebre, cujo funeral se realizará, no período da tarde, no Cemitério de São Filipe, Praia.

Morte do Combatente Baró: Homenagem em câmara-ardente no Quartel Jaime Mota

Em declaração à Inforpress, o presidente da Associação dos Combatentes da Liberdade da Pátria (ACOLP) disse que o corpo de Joaquim Pedro Silva (Baró) estará no quartel a partir das 09 horas.

Carlos Reis adianta que mais tarde as Forças Armadas de Cabo Verde farão uma homenagem ao falecido, acto que também vai contar com a participação da ACOLP, representada pelo combatente Júlio de Carvalho, que fará o elogio fúnebre. O enterro está previsto para acontecer na tarde de segunda-feira, no cemitério de Achada de São Filipe -Praia.

«Nesta hora de consternação e profunda tristeza, as Forças Armadas de Cabo Verde apresentam à família enlutada as suas mais sentidas condolências pelo desaparecimento físico do Combatente da Liberdade da Pátria e Comandante na reforma, Joaquim Pedro Silva», diz em comunicado as FA.

Entretanto, o ex-Presidente da República e Combatente da Liberdade da Pátria, Pedro Pires, disse, este sábado,29, em entrevista à Inforpress, que Joaquim Pedro Silva foi uma referência pelo seu espírito de sacrifício, apego e dedicação à causa da Independência.

“Cabo Verde perde um dos lutadores pela sua independência, pela sua dignidade, e pela recuperação, sobretudo, da sua dignidade de país livre, soberano e de país que quer, e que continua a lutar, para que decida e tenha as rédeas do seu futuro nas suas próprias mãos”, disse o ex-PR de Cabo Verde, referindo que sempre vai se lembrar do patriota cabo-verdiano que foi Baró, um dos seus amigos mais próximos.
Segundo Pedro Pires, a amizade com Joaquim Pedro Silva começou bem cedo ainda em São Vicente, quando ambos estudavam no Liceu Gil Eanes. Após terem-se separado encontraram-se em Lisboa, Portugal, quando Joaquim Pedro Silva foi prestar o serviço militar obrigatório, numa época em que Pedro Pires preparava a sua saída clandestina de Portugal.

“Eu soube da presença dele, do Silvino da Luz, e de outros companheiros que nós conhecemos no Liceu Gil Eanes, mas não foi possível nenhum encontro com eles antes da sua partida para Luanda, onde prestou serviços militares obrigatórios como oficial miliciano”, recorda Pedro Pires, avançando que em Angola Joaquim Pedro Silva foi” surpreendido e ficou bastante marcado” pela violência, pelo comportamento das tropas coloniais e dos próprios colonos.

Participação na luta armada e funções exercidas em Cabo Verde

Depois, prosseguiu o PP, encontraram-se em França onde constituíram o grupo do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e fizeram preparação militar em Cuba – o núcleo da ala de Cabo Verde que formou as FARP, o braço armado do PAIGC.

“Tivemos um relacionamento muito próximo, passamos todos aqueles anos juntos e pude apreciar o patriotismo, o engajamento do Baró em relação à nossa Luta de Libertação Nacional. Éramos um grupo de jovens que sonhávamos e agíamos em favor da libertação do nosso país”, adiantou.

Segundo Pedro Pires, regressou a Cabo Verde em 1974 e fez uma intervenção na ilha de Santiago e depois no Maio e nas outras ilhas, procurando mobilizar, convencer e persuadir os cabo-verdianos de que a independência era a melhor solução para que saíssem da situação de “abandono, de miséria, de pobreza e de falta de perspectiva para o futuro” em que o povo se encontrava.

Depois da independência, Joaquim Pedro Silva trabalhou como militar de carreira porque conseguiu a patente de comandante nas lutas guerrilheiras, desempenhou funções no parlamento (vice-Presidente da ANP), nas Forças Armadas (Chefe de Estado Maior e Secretário de Estado de Defesa) e depois foi embaixador de Cabo Verde em Angola.

De acordo com Pedro Pires, depois dos anos 90, o ex-combatente viveu alguns anos em Angola e regressou mais tarde a Cabo Verde, “um pouco adoentado”. Mas segundo PP Joaquim Pedro Silva Baró passou todo esse tempo “a procurar organizar a sua vida e mantendo relações de proximidade com os seus companheiros e particularmente com os de Cuba.”

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