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MpD acusa líder do PAICV de ser “irresponsável” e de tentar “envenenar” a política cabo-verdiana 06 Fevereiro 2020

O MpD (poder) acusou a líder do PAICV de ser “irresponsável” e de tentar “envenenar” a política cabo-verdiana, e desafiou-a a apresentar às autoridades judiciais os casos de “criminalidade de colarinho branco” que lhe tem chegado ao conhecimento.

MpD acusa líder do PAICV de ser “irresponsável” e de tentar “envenenar” a política cabo-verdiana

As acusações foram feitas pela deputada do Movimento para a Democracia (MpD) Filomena Gonçalves, em declaração política que teve como propósito a ética, forma de fazer política e foco nas afirmações da presidente do PAICV que afirmou que a “criminalidade de colarinho branco” está a tornar-se cada vez mais “organizada e perigosa, invisível e intocável, alimentada pela obsessão do lucro”.

Para o MpD, trata-se de uma afirmação “grave” e “irresponsável” que jamais deveria sair da boca da representante do povo nesta casa parlamentar, que é responsável máximo do maior partido da oposição.

Filomena Gonçalves considerou que a postura de Janira Hopffer Almada não dignifica o papel que a Constituição e as demais leis da República reservam aos partidos da oposição, onde todos devem “opor-se em cair à tentação de cair na mesquinhice e imaturidade” que se insiste em tentar envenenar a política cabo-verdiana e que deve ser combatida sem tréguas sobretudo por pessoas do bem e responsáveis.

Para o MpD, a corrupção foi muito tolerada no Governo anterior liderado pelo PAICV, prática essa, que tem sido combatida e denunciada pelo actual Governo que tem tido medidas determinantes no combate a esse flagelo.

Na ocasião lembrou que o maior partido da oposição não conseguiu explicar e justificar os alegados casos do Fundo do Ambiente, Fundo do Turismo, Banco da Cultura, Novo Banco e entre outras algumas dezenas de casos que são do conhecimento público.

“Desafiamos a líder do maior partido da oposição de Cabo Verde a indicar em concreto os casos de criminalidade de colarinho branco que lhe tem chegado ao conhecimento, apresentar às instâncias judiciais competentes, se os não fizer estará apenas a descredibilizar e lançar suspensões sobre o bom nome e o prestígio dos cidadãos do bem, das instituições da democracia e de Cabo Verde”, referiu.

A deputada do MpD exortou ainda a líder do PAICV a apresentar ao poder judicial e à sociedade cabo-verdiana informações que confirmam casos de “criminalidade de colarinho branco”, prestando assim um grande serviço à nação, à sociedade e ao grande capital imensurável que é a democracia.

PAICV e UCID rebatem maioria

No seu entender, o PAICV deve apostar num novo espírito de patriotismo de serviço, de responsabilidade onde cada um contribui e toma conta não só do próprio, mas de todos.

Por seu turno, o líder parlamentar do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Rui Semedo, disse que a deputada do MpD não tem moral de “exigir” nada uma vez que o Governo não tem feito nada para resolver a situação da corrupção no país que tem estado a “desagradar-se” cada vez mais.

“No passado tivemos um conjunto de questões graves que ficaram por resolver, um dos maiores escândalos do país foi o caso da Enapor porque comprovou-se e confirmou-se que o dinheiro não entrou nos cofres do Estado. Até hoje está-se a procurar aquele dinheiro, estamos a ter casos com a questão do terreno que envolve vários colarinhos brancos que não estão a ser esclarecido e a senhora abafa e aponta dedos aos outros”, mencionou, assegurando que o Governo não tem disponibilizado informações.

O PAICV adiantou que, neste momento, tem acontecido “casos que beneficiam empresas com interesses pessoais”, situações que misturam interesses públicos e privados com denúncias e comprovação, mas não são esclarecidos pelo MpD, que decide apenas apontar o dedo e condenar os outros.

Rui Semedo afirmou que os organismos internacionais reconhecem que existe problemas a nível da corrupção em Cabo Verde que precisam ser resolvidos.

Para o presidente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), António Monteiro, os governos do MpD e do PAICV têm contributo para que a sociedade cabo-verdiana duvide, conteste, questione e aponte os dedos.

“Não temos tido a felicidade de termos governação completamente transparente, não estamos a dizer que há corrupção de colarinhos brancos, nós estamos a dizer que enquanto político e governantes deste país, as sombras cinzentas que nós temos deixado transparecer dá a população oportunidade de pensar que esta sombra é uma escuridão total”, considerou o presidente que apelou ao Governo do MpD a ser “mais transparente possível”.

No seu entender, o Governo deve ter uma visão clara e transparente em todos os actos da governação e evitar que a sobra seja confundia com escuridão. A Semana com Inforpress

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