ECONOMIA

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

MpD inviabiliza proposta de aumento salarial, Governo justifica que “não há espaço orçamental” 14 Dezembro 2019

Os deputados do MpD chumbaram hoje a proposta da oposição sobre o aumento de três por cento aos funcionários da administração publica para o próximo ano, e Governo diz que “não há espaço orçamental” para a acolher.

MpD inviabiliza proposta de aumento salarial, Governo justifica que “não há espaço orçamental”

A iniciativa foi apresentada, esta sexta-feira, pelo deputado da União Cabo-verdiana Democrática e Independente (UCID), António Monteiro, justificando que nos últimos anos os cabo-verdianos foram confrontados com uma “inflação de mais de nove por cento”.

Na sua declaração de voto, os democratas cristãos explicaram que a sua proposta se baseia no facto de se ter registado, “de forma significativa”, uma queda no poder de compra dos cabo-verdianos e que o custo de vida “está muito elevado”.

“É só ver o preço dos produtos que neste momento temos no mercado” Indicou o porta-voz da UCID.

Para António Monteiro, o seu partido entende que o valor de quatro centos e noventa milhões, trezentos e vinte e seis mil escudos e seiscentos e setenta e dois escudos pode ser “perfeitamente cabível” no item ‘investimento não especificado’ da proposta orçamental.

Na perspectiva da UCID, o não cumprimento das promessas feitas durante as campanhas eleitorais faz com que as pessoas “não acreditem nos políticos”.

“Antes disseram que eram diferentes e que iam fazer diferente. Mudem de atitude e comprovem ao povo cabo-verdiano que são diferentes”, desafiou a UCID ao Governo e à bancada que o suporta.

O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição), por sua vez, alinhou pelo mesmo diapasão que a UCID, afirmando que a proposta é “justa, tendo em conta a inflação e a perda do poder de compra dos funcionários”.

Para o porta-voz do maior partido da oposição, Julião Varela, o Governo, ao não dar o aumento salarial, “traiu os trabalhadores cabo-verdianos”, tendo em conta, afirmou, que em período de campanha eleitoral, “o MpD havia assumido que, anualmente, fazia revisão salarial”.

“Mais de 20 mil funcionários de administração pública não viram um tostão na melhoria dos seus salários”, indicou Varela, lamentando que apenas 2.2% (por cento), que, segundo ele, “é residual em relação ao numero de funcionários existentes em Cabo Verde”.

Maioria e promessa eleitoral

Na perspectiva do porta-voz do grupo parlamentar do MpD, Luís Carlos Silva, “não há nenhuma carência” quer na proposta do PAICV, quer na da UCID sobre o aumento salarial.

Lembrou que o Governo recebeu um quadro “macroeconómico instável e extremamente frágil, com défice elevado “.

É preciso, prosseguiu o deputado, uma “gestão muito cuidadosa e rigorosa desse quadro fiscal” para que o país “não entre em derrapagem e em incumprimentos, nomeadamente do serviço da dívida”.

“A inflação, desde 2016, tutela 1.9% e este Governo já deu aumento salarial ao quadro comum de 2.2%”, revelou, acrescentando que em relação ao quadro especial, este teve um “aumento da massa salarial de 10.8%”.

Na sua óptica, o Governo não só “já cumpriu com as suas promessas, como também “já repôs o poder de compra dos cabo-verdianos”.

O Governo, na voz do ministro das Finanças, Olavo Correia, reiterou que “não há espaço orçamental” para acolher as propostas da oposição.

Explicou que o aumento salarial visa “repor o poder de compra” ou “compensar os ganhos da produtividade”.

“Conseguimos repor o poder de compra nos últimos anos, aumentámos muito mais do que a inflação acumulada até agora para o pessoal do quadro comum e aumentámos mais de dez por cento ao pessoal do quadro especial”, precisou o governante, para quem, nos últimos três anos, a massa salarial atingiu “mais de sete milhões de contos”.

“É completamente incomportável qualquer aumento da massa salarial, porque não temos recursos orçamentais para o efeito”, indicou Olavo Correia.

Entretanto, para a oposição, o facto de o Governo não aceitar aumento salarial na administração pública está a “prejudicar milhares de trabalhadores” do sector privado uma vez que este acompanha os aumentos dados pelo executivo. A Semana com Inforpress

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project