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MpD refuta denúncias feitas pelo PAICV sobre alegado "caos" no setor dos transportes 31 Agosto 2021

O caso de alegado “caos no setor dos transportes” tornado público pelo deputado nacional do PAICV, Luís Pires, conhece novos desenvolvimentos com a reação do partido ventoinha. O deputado nacional do Movimento para a Democracia (MpD) para o círculo da ilha do Fogo, Filipe Santos, acaba de refutar, esta terça-feira, 31, em uma conferência de imprensa realizada em São Filipe, as denúncias feitas pelo PAICV (oposição), ontem (segunda-feira), na cidade da Praia.

MpD refuta denúncias feitas pelo PAICV sobre alegado

Para o eleito ventoinha, as declarações do deputado Luís Pires não são "sérias e estão eivadas de populismo, com o objetivo de se tirar dividendos políticos, esquecendo o momento ímpar que o mundo e Cabo Verde atravessam por causa da pandemia da Covid-19 e os seus impactos a vários níveis".

Quanto à evacuação de pacientes por via marítima, através da CVInterilhas, de Fogo para Praia, o Movimento para a Democracia (MpD) considera a posição do deputado Luís Pires de "muito ligeira e desconhecedora" dos processos técnicos nos procedimentos evacuativos dos doentes.

"Aliás, a evacuação feita no sábado, aconteceu, primeiramente, com as condições de segurança asseguradas, salvaguardando todas as orientações médicas e levadas a cabo por pessoal técnico treinado e capacitado para esse fim, garantindo um transporte adequado do doente. Portanto, a segurança do Paciente nunca foi posta em causa, fundamenta.

O deputado ventoinha afirma que não há nada de incorreto nas evacuações por barco, desde que estejam salvaguardadas a segurança sanitária do paciente. "Tanto assim é que, noutros pontos do país, as evacuações sempre foram e continuam a ser asseguradas pela via marítima", argumenta, sublinhando que, segundo informações técnicas, existem situações em que se recomenda a evacuação por essa via, considerando a segurança do paciente e da aeronave, como, por exemplo, a evacuação de doentes com perturbações mentais, orto traumatologia, de entre várias outras especialidades.

Reagindo às acusações do PAICV sobre o setor dos transportes, Filipe Santos aponta que quando o seu Governo tomou posse, em 2016, encontrou o setor dos transportes numa situação "agonizante", e alega que a Transportadora Aérea de Cabo Verde (TACV) se encontrava mergulhada em dívida de milhões e a depender dos cofres do Estado para sobreviver.

"Os parceiros e países amigos tinham suspendido a ajuda financeira ao Estado de Cabo Verde por não aceitarem que a TACV dependesse do suporte financeiro do Ministério das Finanças; paralelamente um avião foi arrestado na Holanda e os dois ATRs já não pertenciam a TACV. Ou seja, encontrou-se uma companhia sem aviões. O Governo assumiu as rédeas da situação e definiu um caminho: retirou-se do mercado dos voos domésticos, porque existia um operador privado – a BINTER – com capacidade para assegurar os voos internos; e manteve o negócio internacional da TACV por acreditar que a Companhia tinha e continua a ter um papel essencial na criação do HUB da Ilha do SAL, e porque existe uma Diáspora espalhada pelos quatro continentes", declara.

Transportes aéreos funcionam "satisfatoriamente"

O MpD assegura que a solução dos transportes aéreos funcionou até antes da Pandemia da COVID-19 e com resultados "satisfatórios" apresentados por instituições de credibilidade reconhecida, nomeadamente o Banco de Cabo Verde, o INE, entre outras.

"Vejamos : A BINTER funcionou muito bem durante os últimos anos, até Março de 2020, e permitiu que o Estado de Cabo Verde poupasse aproximadamente cinco a seis milhões de €uros/ano, que corresponde ao saldo negativo que a TACV apresentava nas operações domésticas; A TACV, após sua privatização, duplicou o número de passageiros transportados e permitiu que muitas empresas cabo-verdianas, designadamente a ASA, a CVHANDLING, as empresas de combustíveis e do setor de hotelaria e turismo tivessem ganhos consideráveis, em 2019. Os dados são objetivos e irrefutáveis. Começou-se assim a implementar o HUB do SAL", mostra.

O Partido no poder é da opinião que o Governo de Cabo Verde "rapidamente" criou uma solução para os voos interilhas, que está a ser montada. Santos afirma que em três meses de operação já foram transportados 43.122 passageiros pela BESTFLY.
"Essa solução tem permitido a evacuação de doentes por via aérea, diariamente, em cadeira ou em maca, nos voos regulares ou em voos solicitados especificamente para o efeito. Os registos existem, bastando consultar o Ministério da Saúde. Portanto, não é verdade que a BESTFLY não está preparada para fazer evacuações com macas, em voos regulares ou em voos alugados", adianta.

A título de informação e esclarecimento, o deputado ventoinha torna público que nos últimos 45 dias, a BESTFLY já fez cinco voos Charters com doentes em macas (inclusive para a ilha do Fogo), para além de evacuações em cadeiras e macas em voos regulares.

Segundo avião em inspeção

Relativamente à vinda do segundo avião, Filipe Santos garante que há informação de que o mesmo já foi inspecionado por inspetores da Agência de Aviação Civil (AAC), em Toulouse, França, na semana passada, e que estão a ser ultimados os "passos" para a sua vinda, o mais brevemente possível.

No respeitante à TACV, Santos assegura que o processo já é conhecido de todos, estando o Conselho de Administração já empossado, e que a equipa está a trabalhar para cumprir o caderno de encargos definido pelo Governo.

O deputado fez questão de ressaltar que o Governo optou pela reversão dos 51% das ações, devido ao facto de o parceiro ICELANDAIR não ter cumprido com o acordo de viabilização do reinício das atividades, assinado em março.

«Não gostaria de relembrar ao Luís Pires e ao seu partido de como se faziam as evacuações antes de 2016, que eram feitas em piores condições e que são por todos conhecidos. São lembranças que não queremos recordar e que não deixaremos que regressem. Não mais a era dos botes e de barcos de pesca. Para terminar, dizer ao Luís Pires que a Ambulância ofertada à CMSF não deve ficar em exposição, mas sim ao serviço da população do município, pelo que já deveria ter sido colocada à disposição na presente campanha de vacinação contra a Covid-19, esta que é, neste momento, um desígnio nacional", conclui o parlamentar do partido no poder.

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