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Mulheres indianas retiram úteros para que menstruação não as impeça de trabalhar 06 Julho 2019

Milhares de mulheres jovens da Índia retiraram os úteros nos últimos três anos para deixarem de menstruar e poderem trabalhar no corte de cana-de-açúcar, em campos onde não há casas de banho e qualquer falta é penalizada.

Mulheres indianas retiram úteros para que menstruação não as impeça de trabalhar

Dois focos de notícias regionais recentes citados esta sexta-feira, 05, pela BBC mostram que a Índia, país que considera que as mulheres ficam impuras quando estão com o período, continua a ter uma relação muito problemática com a menstruação.

O primeiro tem origem no estado de Maharashtra, com a imprensa indiana a revelar que milhares de jovens mulheres se sujeitaram a procedimentos cirúrgicos para retirar os seus úteros nos últimos três anos.

Citado pelo MN, um número substancial destes casos teve como motivação a possibilidade de trabalharem nas colheitas e corte de cana de açúcar, referem os jornais citados pela estação britânica.

Refira-se que todos os anos, dezenas de milhares de famílias pobres dos distritos de Beed, Osmanabad, Sangli e Solapur emigram para zonas conhecidas como "faixa do açúcar" para trabalharem seis meses no corte de cana de açúcar.

"Uma vez lá, essas famílias são controladas pelos empreiteiros, habitualmente relutantes em contratar mulheres, já que o trabalho é muito duro e as mulheres podem ter de faltar um ou dois dias durante os seus períodos. Caso faltem a um dia de trabalho, terão de pagar uma penalização e quando elas têm os seus períodos, tudo isto se torna ainda mais difícil", revela a fonte, destacando que estes trabalhos estão longe de ter boas condições já que as famílias têm de viver em cabanas ou tendas perto dos campos, onde não há casas de banho, e não há horas para dormir nem para acordar.

A questão foi levantada no mês passado na assembleia nacional pelo deputado Neelam Gorhe, tendo o ministro da Saúde de Maharashtra, Eknath Shinde, admitido que se registaram 4.605 histerotomias só no distrito de Beed, desde 2016.

Segundo sublinhou o ministro regional, embora nem todas estas cirurgias tenham sido feitas em mulheres que trabalham no corte de cana de açúcar, o governo criou um comité para investigar vários dos casos.

Num inquérito feito pela Fundação Thomson Reuters a 100 mulheres, todas disseram ter recebido medicação dada pelos seus empregadores quando se queixaram de dores menstruais, embora a lei preveja um dia de folga.

Conforme adiantaram, os medicamentos raramente são fornecidos por médicos e muitas admitiram que não sabem o nome dos medicamentos que tomam nem conhecem os possíveis efeitos secundários.

Já as costureiras, que provêem na quase totalidade de famílias pobres da região, consideram que estes medicamentos lhes causam problemas de saúde - desde depressões até crises de ansiedade, passando por infeções urinárias e abortos. Entretanto, alegam que não podem perder o salário de um dia por causa de dores menstruais, escreve o MM.

Perante os alertas, a Comissão da Índia para as Mulheres descreveu as condições em Maharashtra como "patéticas e miseráveis" e apelou ao Governo nacional para adotar medidas que previnam este "tipo de atrocidades".

Estes relatórios surgem numa altura em que, em todo o mundo, são adotadas políticas de igualdade de género, para facilitar o acesso e condições das mulheres no trabalho.

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