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Música/70 anos carreira Djosinha: “É uma vida a cantar Cabo Verde e o mundo” 27 Maio 2022

O grupo Serenata Produções realiza neste sábado, no Mindelo, um espectáculo para assinalar os 70 anos de carreira do cantor cabo-verdiano Djosinha, que considera já ter uma vida a cantar Cabo Verde e o mundo.

Música/70 anos carreira Djosinha: “É uma vida a cantar Cabo Verde e o mundo”

O “Serenata Produções”, conforme o produtor Kicas Silva avançou à Inforpress, não poderia deixar passar a oportunidade de se associar à comemoração de uma “data tão importante” como os 70 anos de carreira de uma figura como Djosinha, que “deu e continua a dar um grande contributo para a música cabo-verdiana”.

Por isso, segundo a mesma fonte, o grupo o convenceu a deixar a ideia inicial de fazer o espectáculo primeiramente nos Estados Unidos da América (EUA), onde o cantor reside actualmente, e vir viver este “marco” com o povo da sua terra natal, São Vicente, que pode estar com o cantor, que, mesmo com 88 anos completos na última quarta-feira, 25, “ainda está em condições de deliciar o público com as suas músicas e com a sua forma de estar no palco, tão peculiar”, assinalou.

Kicas Silva escolheu um leque de artistas numa “mistura de experiência e juventude”, que também vão abrilhantar a noite e no qual constam nomes como Constantino Cardoso, Edson Oliveira, Carmen Silva, Samantha Aniger, Milanka e ainda Chico Serra e Jorge Sousa, que foram dois contemporâneos de Djosinha no grupo Voz de Cabo Verde.

Para já, escolhas que caíram no agrado de Djosinha, de nome próprio José Vieira Duarte, que, como explicou à Inforpress, tem “muitas coisas” para contar destas sete décadas e uma vida a cantar Cabo Verde e o mundo.

O cantor disse que foi aos sete anos que pisou um palco pela primeira vez, no cinema Éden Park, no Mindelo, e por volta dos 13-14 anos, acredita ter protagonizado, juntamente com a falecida Titina Rodrigues, o “primeiro dueto cabo-verdiano” no teatro do Castilho.

Djosinha relembrou o quão ficou em “alvoroço” a cidade do Mindelo depois que apresentaram uma versão de uma música brasileira chamada “Quase certo”, que aprenderam em apenas um dia, depois de o pai de Titina Rodrigues, que era piloto da Baía do Porto Grande, o ter conseguido num disco tocado em 78 rotações através de oficiais de um barco estrangeiro.

“Eu e a Titina formávamos uma bela dupla, e depois da nossa primeira actuação acabámos por fazer várias outras, inclusive em Portugal de norte a sul, e aqui em Cabo Verde até para receber o então ministro de Ultramar, o Adriano Moreira”, explicou, saudoso da sua “amiga” falecida recentemente, no dia 06 de Maio último.

Contudo, asseverou, a sua carreira começou a sério aos 18 anos, época em que conciliava as suas actuações musicais, com o futebol e ainda com teatro, em São Vicente, e depois nas suas viagens para o estrangeiro, como marítimo e também como emigrante.

Um dos pontos alto da sua trajectória foi a entrada para o grupo Voz de Cabo Verde, em 1965/1966, com qual viajou o mundo juntamente com colegas como Luís Morais, Frank Cavaquinho, Morgadinho, Jon da Lomba e outros.

“Nesta altura, eu acabei por levar para o grupo ritmos como cumbia e bolero, porque vinha da Argentina onde conheci os reis destes ritmos, e acredito que estas mudanças permitiram que Voz de Cabo Verde desse um grande salto”, sublinhou, referenciando o idílico conjunto cabo-verdiano, que fez história em Cabo Verde, Senegal e países da Europa.

Por outro lado, Djosinha lamenta o facto de o grupo só ter tido “cerca de seis anos de actividade oficial”, e com outros momentos feitos somente através de “reencontros” dos elementos.

No entanto, ele construiu uma carreira a solo, como cantor radicado na diáspora, maior parte nos Estados Unidos, onde também se destacou por 42 anos como radialista.

O mesmo país que o acolheu e onde pretendia organizar primeiramente o espectáculo de comemoração dos 70 anos de carreira, mas que decidiu reprogramar para acontecer entre Outubro e Novembro próximos.

Por agora, o cantor quer comemorar com a sua gente neste sábado, num dos hotéis do Mindelo, e assegurou apresentar-se com a “mesma energia” e com o “Djosinha de sempre”, que quando sobe ao palco, até se esquece das dores de joelhos, que o tem fustigado por causa da idade.

No espectáculo, Djosinha também promete surpresas, como de reviver com uma jovem cantora o dueto feito em tempos idos com Titina Rodrigues.

Sendo assim, não é por agora que pretende pendurar o microfone, até porque tem planos para lançar brevemente um novo disco, ainda para assinalar os 70 anos de carreira, no qual já trabalha juntamente com o produtor Kim Alves.

“O CD deverá ter oito mornas em rapsódia, boleros e três ou quatro coladeiras, que abordam situações sociais como os nossos ‘titios’, que temos por cá”, concretizou. A Semana com Inforpress

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