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NSO/Pegasus: "Macron não é alvo de espionagem", diz em Paris ministro da Defesa de Israel 30 Julho 2021

Esta quarta-feira aconteceu pela primeira vez em oito anos uma reunião entre os titulares de Defesa de França e do Estado de Israel. É sob o impacto da investigação do ICIJ — e que levou a uma reunião de emergência no Eliseu na quinta-feira 22 — que Benny Gantz esteve em Paris, a garantir de viva voz à Florence Parly que o ’Pegasus’ da empresa de cibersegurança NSO não tem Macron como alvo.

NSO/Pegasus:

O ministro Benny Gantz chegou a Paris, onde há uma semana a reunião de emergência do Conselho de Estado mostrou a seriedade com que Macron encara a questão.

O próprio chefe do governo israelita, Naftali Bennett, tinha sido interpelado por Macron, após essa reunião "excecional", segundo o porta-voz do palácio presidencial francês.

A visita de Gantz a Parly está a ser vista como uma tentativa de reparar os estragos dessa "denúncia do alegado envolvimento de uma empresa do Estado de Israel — o grupo NSO que desenvolve equipamento de ciberespionagem — para vigiar 180 jornalistas, ativistas e políticos a nível mundial".

Entre as vítimas, mais de um milhar segundo revela o ICIJ-Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, algumas já se posicionaram.

Ruanda acusado de espionagem com o Pegasus

Entre essas alegadas vítimas, destaca-se Carine Kanimba, segundo os onlines The Guardian, inglês, e Süddeutsche Zeitung, alemão. Ela tem sido a principal voz contra o regime de Paul Kagame, deteve o pai, o ruandês Paul Rusesabagina— "ex-herói" (segundo o regime de Paul Kagame o classificou em 2015).

Rusesabagina, de 64 anos, saudado a nível internacional como "um herói que salvou1.268 pessoas, Tutsis e Hutus", durante a guerra civil em 1994, está desde agosto último, detido no seu país natal acusado de terrorismo.

México acusado de espionagem com o Pegasus

Segundo o ICIJ, 15.000 linhas telefónicas e 25 jornalistas estarão sob vigilância do Pegasus no México.

A aquisição do instrumento israelita de vigilância terá sido feita durante a presidência de Peña Nieto, por decisão dos ministros da Defesa e da Justiça, com o objetivo de combater o crime, designadamente o narcotráfico. Mas o ISIJ revelou que a família do presidente Lopes Labrador estão a ser alvos.

A maior parte dos países da lista são classificados como ditaduras ou como democracias imperfeitas. Entre eles, o Azerbaijão, Bahrein, Kazaquistão, Marrocos, Hungria, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos.

Reações: a caminho do tribunal

O tribunal de Paris recebeu perto de duas centenas de queixas de jornalistas que tiveram o seu telefone infiltrado, "em violação da sua intimidade privada", em "atentado contra a sua liberdade de imprensa", "em exploração dos seus dados pessoais e profissionais".

Marrocos ameaça acusadores. No mesmo dia enquanto a NSO garantia ser falsa a denúncia do ICIJ, o reino de Marrocos — alegado "utente do sistema Pegasus da NSO" com o objetivo de "amordaçar a voz dos jornalistas independentes em Marrocos e saber como é que chegavam às fontes" comunicou que vai entrar na Justiça com uma ação por difamação.

Pegasus inaceitável/ aceitável

A empresa tecnológica NSO Group Technologies — com sigla formada pelos nomes dos fundadores Niv Carmi, Shalev Hulio e Omri Lavie) — desenvolveu o aplicativo Pegasus que permite a vigilância remota de smartphones.

O mítico cavalo Pégaso da extraordinária capacidade de voar renasce agora na realidade virtual.

A empresa fundada em 2010 no Estado de Israel terá contado com o apoio da NSA, a agência americana de segurança onde os três israelitas acima referidos terão ligações.

A ligação Israel-EUA através da rede tecnológica da segurança interna envolve ainda os Emirados Árabes, sob o pano de fundo da ameaça terrorista vinda do Irão e da Al-Qaeda. Perante o inimigo comum, dois antagonistas, "a América democrática da liberdade" e a "Arábia da repressão e ditadura", unem-se.

"Os seus inimigos são os nossos inimigos", sintetizou o agente da CIA, Norman Roule, citado pela Reuters. "As ações de Abu Dhabi foram decisivas para a guerra contra o terrorismo, em especial o da Al-Queda no Iémen".

Fontes: Times of Israel/Le Monde/Le Figaro/Outras referidas. Relacionado: Ciberespionagem da NSO-Israel visa 50 mil nºs, Macron entre milhar de alvos — Tribunal de Paris abre investigação, 21.jul.021; Emirados contratam elite de hackers vindos da NSA — CIA deixa-os em paz, 27.ago.019. Fotos (AFP): Ministros da Defesa de Israel e França. Carine Kanimba, com foto do pai galardoado pelo presidente Bush. O edifício-sede do grupo NSO na cidade de Herzliya, Israel.

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