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"Não há presidencial americana sem alegações de má conduta sexista" 23 Junho 2020

Em 2020 é de prever que o recandidato não será incomodado com as alegações de 2016, com mais de vinte alegadas vítimas a descreverem o que lhes aconteceu. Impossível repetir o extraordinário caso do candidato Trump, que passou incólume por todas as alegações, acusações desde levianas e sérias a seriíssimas… Biden é o mais recente visado e, mesmo com dúvidas a pairar entre os seus apoiantes, diz-se tranquilo porque ... inocente.

A cidadã Tara Reade acusou o político Biden de "abuso sexual", cometido no local de trabalho: o Senado dos Estados Unidos (foto) onde ele representou o Estado do Delaware desde 1973 até 2009, ano em que tomou posse da vice-presidência ao lado do presidente Obama.

Tara Reade alega que na primavera de 1993, aos 29 anos, quando trabalhava sob as ordens do senador Biden, de 52 anos, este a acuou numa parede e cometeu o mesmo ato que a vítima no caso Lewinsky-Clinton, de 1995-96, viria a descrever.

A alegada vítima de 1993 considera — ao contrário do histórico caso da Monica Lewinsky — que esse ato íntimo invasivo não foi consentido e lhe trouxe sofrimento, logo, é um crime de agressão sexual.

Não conseguia um advogado, o último acredita nela mas despediu-se

Em entrevista ao Washington Post, a alegada vítima de 1993 referiu a dificuldade em conseguir convencer advogados de topo a defendê-la. É que grandes figuras que defendem vítimas com ela têm mais ligação com os democratas, alegou ela.

O advogado Douglas H. Wigdor, que aceitou defendê-la depois de Tara ter recebido muitas recusas, disse à CNN que a sua cliente estava a ser vítima da "hipocrisia" da imprensa que "usa dois pesos diferentes" para tratar Biden e a sua acusadora.

O mesmo advogado, apoiante de Trump e defensor de vítimas de Harvey Weinstein, dois dias depois afirmou que deixara de representar a acusadora de Biden: "Continuo a acreditar nela sobre as alegações que ela fez sobre Biden", disse Wigdor ao New York Times.

Mas o gabinete desse advogado entende que não pode representá-la depois de "termos constatado inconsistências no seu currículo académico e profissional".

Histórico de alegações, crimes sexistas

2020 contrasta pois com o mosaico multivariado de outras presidenciais. Já se viu de tudo. Candidatos (a candidatos) varridos para fora da corrida após súbita revelação de uma “ofendida” ou o ressurgimento de uma acusação antiga. Candidatos a defenderem-se e saírem mais ou menos incólumes, com a dúvida a pairar nos espíritos.

E há Trump, que mudou tudo: acumula o máximo de alegações de "má conduta sexista" — pelo menos, 25 mulheres — e no entanto seguiu e segue. Mesmo apesar daquilo que na América antes de 2016 o tornaria inelegível.

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Fontes: Referidas. Foto: O vetusto edifício do Congresso dos Estados Unidos, lugar do alegado crime de agressão sexual. O Senado é uma das suas duas câmaras, a outra é a Câmara dos Representantes.

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