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Navalny fora do coma continua em ventilação artificial — Governo alemão exige investigação e ameaça corte em projetos 08 Setembro 2020

O boletim médico desta segunda-feira, 7, refere que Alexei Navalny saiu do coma induzido mas continua em respiração artificial dez dias depois de dar entrada no Charité UniversitatsMedizin-Berlin, hospital de referência a nível europeu. Os médicos alemães dizem desconhecer se Navalny — cujo envenenamento está a ser atribuído ao presidente Putin, que nega a alegação — vai conseguir recuperar a fala.

Navalny fora do coma continua em ventilação artificial — Governo alemão exige investigação e ameaça corte em projetos

O caso político que ultrapassou a Rússia e envolveu a Alemanha, este do alegado envenenamento do líder da oposição Alexei Navalny, destaca-se pela diferença de diagnóstico: enquanto que no dia 20 o hospital russo dizia que Navalny tinha sofrido uma "queda do nível de açúcar no sangue", os testes em Berlim determinaram "a presença de inibidores da atividade colinesterásica" no corpo, como informava o boletim médico do dia 24.

Na manhã de hoje (segunda-feira, 7) a chanceler alemã deu um prazo à Rússia para se explicar. Através do porta-voz, o governo alemão pede a investigação do alegado envenenamento. Caso contrário, Berlim ameaça pôr fim ao projeto do gasoduto Nord Stream 2, que envolve vários milhares de milhões de euros.

Na correspondência dirigida a Berlim — em reação à declaração da sra. Merkel de que "Alexei Navalny foi vítima de homicídio tentado e que o mundo espera respostas" de Moscovo — as autoridades da Rússia destacam o facto de que a investigação ainda não determinou se houve ou não envenenamento.
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Possível envenenamento com Novichok

Alexei Navalny foi transferido para o hospital Charité-Berlin no dia 22 e na segunda-feira, 24, o primeiro boletim médico dava conta de que os exames tinham detetado a presença de um "neurotóxico desconhecido", que envenenando o organismo causou a "inibição da atividade colinesterásica".

A identificação do "neurotóxico desconhecido" como Novichok é tida como "muito provável", segundo os médicos, dada a semelhança com o caso do ex-agente duplo Sergei Skripal exilado na Inglaterra depois de ter cumprido parte da pena a que tinha sido condenado na Rússia.

Recorde-se que foi a 4 de março de 2018 que Sergei, hoje com 69 anos, e a filha Yulia, hoje com 35 anos, foram encontrados inanimados num banco de jardim na cidade inglesa de Salisbury. Tinham sido envenenados — presume a investigação que no restaurante onde tinham estado a jantar — com o neurotóxico Novichok.

O agente químico tinha sido desenvolvido na ex-URSS nos anos oitenta, disse a primeira-ministra Theresa May ao anunciar a 14 de março a primeira leva de expulsão de diplomatas russos.

Começou, assim, a maior expulsão de diplomatas da história. Dezenas de países seguiram o exemplo britânico, até ao dia 29, o que levou a Rússia a fazer o mesmo no dia seguinte ("Persona non grata" — 139 diplomatas russos expulsos de 26 países, 29.mar.018; Persona non grata: Rússia expulsa mais de 130 diplomatas de 13 países, 01.abr.018).

Fontes: DW/BBC/Le Monde. Relacionado: Rússia pede apoio da Alemanha para esclarecer envenenamento de Navalny, 01.set.020. Fotos (AFP): Putin. Navalny detido em setembro de 2019, antes das eleições regionais a que foi impedido de concorrer. Mesmo assim, o Partido da Rússia Unida, que apoia Putin, perdeu vinte dos quarenta e cinco lugares — que foram para os opositores unidos à volta de Navalny banido em 2019, mas que esperava concorrer em 2021.

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