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Mais neoescravatura — Timorenses em Portugal trabalham e passam fome, 89 quenianas morreram a trabalhar em casas de famílias na Arábia Saudita 09 Setembro 2022

Em Cabo Verde, esta terça-feira o chefe do governo "pede aos jovens para não emigrarem" decerto por razões diferentes da neoescravatura nos países ricos destinos de jovens pobres de países pobres, como os noticiários do mesmo dia dão conta. Em Portugal é a descoberta de perto de uma centena de timorenses a trabalhar e a passar fome, entre outras condições infra-humanas, em empresas agrícolas. Mais uma história de trabalho escravo no Médio Oriente surge nos noticiários contada pela queniana Diana Chepkemoi. "O patrão disse-me ’Comprei-te, posso fazer-te o que eu quiser. Porta-te bem que, senão, pode acontecer-te algo mesmo mau". Um relatório confirma que em 2021 morreram 89 jovens quenianas em casas de famílias sauditas.

Mais neoescravatura — Timorenses em Portugal trabalham e passam fome, 89 quenianas  morreram a trabalhar em casas de famílias na Arábia Saudita

O regresso de Diana Chepkemoi — ao centro na foto, com a mãe à chegada no Jomo Kenyatta International Airport de Nairóbi vinda de Riade, esta terça-feira — foi saudado emotivamente por dezenas de familiares, amigos e até apoiantes mobilizados através da sua história nas redes sociais.

"Saí do Quénia para a Arábia Saudita com a promessa de que ia melhorar de vida", mas isso não aconteceu. A Diana que desembarcou "é uma sombra, de tão magra" diz Clara, a mãe que se despediu dela há quase dois anos. Além de ter emagrecido muito, traz no rosto as marcas do sofrimento.

A jovem acrescentou que a sua história de trabalho escravo e crueldade de tratamento é só mais uma, de entre muitas que continuam a sofrer nas mãos dos empregadores sauditas. "A única diferença é que eu pude falar disso e assim pude obter apoios para sair dessa situação", diz Diana, de 24 anos "grata a todos os que me ajudaram".

"Peço ao governo que tenha atenção ao sofrimento em que vivem muitas outras jovens quenianas como eu na Arábia Saudita", apelou Diana.

89 morreram. Governo, o que faz?

"Causa-me indignação, mesmo vergonha ouvir dizer que o governo não pode fazer nada", rematou a jovem sobre a situação que ela viveu e que testemunhou.

O governo queniano conhece a situação desesperadora destas jovens emigrantes: só no ano passado recebeu a informação de que morreram oitenta e nove jovens quenianas empregadas em casas de famílias da Árábia Saudita. Isto consta do último relatório anual do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Quénia.

Preço do nosso azeite barato

Esta semana, soube-se que há cidadãos timorenses que além de vítimas de exploração no trabalho agrícola estão a passar fome: "comem só um pão por dia".

Mais de meia centena encontrados no Fundão, no centro de Portugal, são referidos na reportagem da SIC esta terça-feira como contratados por "um patrão paquistanês". Primeiro entraram no Alentejo, donde foram subcontratados por outra empresa. Chegados ao Fundão, vão sendo chamados a dedo para trabalhar e entretanto ficam à espera e sem dinheiro.

Tráfico humano e também contratos legais. Segundo diversos noticiários agora apontam existem até cidadãos da CPLP a trabalhar em condições infra-humanas no Alentejo.

A vasta terra do sul de Portugal tornou-se, nos últimos anos, uma região de plantio intensivo de olival.

O nosso azeite cada vez mais barato tem um preço: a mão-de-obra em situação de escravatura, formada por imigrantes que chegam do Paquistão, Índia, outros países do sul asiático.

Em alguns casos, houve denúncia de ilegalidades na situação associadas ao tráfico humano.

Mas em muitos casos o processo de entrada é legal com contrato em forma, o que não impede que surjam denúncias de imigrantes — sobretudo do sul da Ásia — a trabalhar em condições infra-humanas em empresas agrícolas.

Fontes: BBC/KBC/SIC/... Relacionado: {} . . Fotos: Diana Chepkemoi de regresso a Nairóbi na terça-feira ao fim de quase dois anos "a sofrer maus-tratos nas mãos de uma família saudita". Os timorenses não dão a cara.

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