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No rescaldo das eleições: Mário Matos analisa que Ulisses Correia e Silva não soube ser grande na vitória e enaltece a grandeza da líder do PAICV 22 Abril 2021

No rescaldo das eleições de 18 de abril, Mário Matos retomou, num post que publicou na sua página de Facebook , a análise da postura, na noite eleitoral, dos lideres dos partidos do arco do poder. Criticou que o presidente do partido ganhador (MpD, Ulisses Correia e Silva), num gesto de quem não soube ser grande na vitória, afirmou ser o PAICV um partido de "terra queimada", deixando vir ao de cima o sentimento de rancor, e de vontade de humilhar o seu principal adversário e a sua Líder. «A afirmação é tanto mais grave quanto o país estar a viver tempos muito difíceis de crise sanitária agravada, com repercussão económica e social devastadora, que exige o compromisso de todas as forças políticas na construção de soluções, ainda que na saudável e democrática diferença de visões e propostas». Para Mário Matos, bem demonstrada ficou a «grandeza» da líder do PAICV, Janira Hopffer Almada, que, segundo ele, orgulha a todos militantes e dirigentes do mesmo partido. «As minhas mais vivas felicitações à Presidente do meu Partido, Janira Hopffer Almada, pela sua elevação e serenidade com que encarou a derrota, pela coerência nas consequências retiradas dos resultados eleitorais, demonstrando uma grandeza que orgulha todos os que no PAICV e na sua Líder apostaram nestas legislativas. Felicito-a pela campanha que fez, com determinação e convicção, pelo foco, pela energia e pelas propostas assertivas que levou a todos os cantos do país, e pela diáspora através de plataformas digitais. Saúdo a mulher, Janira Hopffer Almada, pela forma firme, digna e elevada como se confrontou com o machismo que chegou a foros de misoginia», escreve Mário Matos. Mais detalhes a seguir.

No rescaldo das eleições: Mário Matos analisa que Ulisses Correia e Silva não soube ser grande na vitória e enaltece a grandeza da líder do PAICV

No post anterior, diisse que respeito a opcão dos eleitores, ao renovarem a confiança em Ulisses Correia e Silva e no partido que lidera, o Movimento para a Democracia, para continuarem a governar Cabo Verde. Reafirmo, respeito o voto popular. Nada de novo. Sempre o fiz. Nas derrotas e nas vitórias.

Não felicitei o Líder do MpD e o seu partido. Uma das razões ficará clara, a seguir, porque não sei assobiar para o lado...
Governar em Democracia é ter presente que a Oposição faz parte do sistema político e que é da dinâmica entre Situação e Oposição que as decisões, sobretudo as que exigem maiorias reforçadas, são tomadas. A Democracia exige democratas! Exige, também, sinceridade. Nunca hipocrisia!

Na sua primeira declaração pública, na sequência da vitória nas urnas do partdo que lidera, Ulisses Correia e Silva deixou sinais claros de que não conta com o concurso do PAICV, o partido que já governou Cabo Verde por quinze anos em regime monopartidário e outros quinze em regime democrático, a quem o eleitorado revalidou a sua confiança por duas vezes seguidas, após a vitória nas urnas de 2001.

O lider do partido ganhador, num gesto de quem não soube ser grande na vitória, afirmou ser o PAICV um partido de "terra queimada", deixando vir ao de cima o sentimento de rancor, e de vontade de humilhar o seu principal adversário e a sua Líder.

A afirmação é tanto mais grave quanto o país estar a viver tempos muito difíceis de crise sanitária agravada, com repercussão económica e social devastadora, que exige o compromisso de todas as forças políticas na construção de soluções, ainda que na saudavel e democrática diferença de visões e propostas.

Provavelmente, o Primeiro-Ministro que irá governar por mais cinco anos, estará convencido de tudo poder, porque conseguiu convencer os eleitores terem sido as secas e a pandemia os únicos responsáveis pelo incumprimento de muitos dos compromissos assumidos na Moção de Confiança que legitimou o seu primeiro governo no Parlamento, e vertidos no Programa do mesmo.

Ou, também, pode estar convencido de que, não obstante essa tirada, sem sentido de Estado, o PAiCV, com o seu habitual sentido de Estado, não regateará contribuir na aprovação das medidas de política ditas estruturantes para o país.

Sem o PAICV, e apenas para exemplificar:

  • 1. Não se pode fazer a necessária e adiada revisão da Constituição da República.
  • 2. Não se pode fazer a tão propalada quanto desejada reforma do Estado que não avançou no mandato ora findo.
  • 3. Não se pode viabilizar uma profunda revisão do sistema eleitoral e do Código Eleitoral em geral, que está desfasado da realidade política, da cultura tecnológica digital do país e dos anseios expressos insistentemente pela cidadania.
  • 4. Ficará apenas na retorica discursiva, os repetidos compromissos de construir as bases de estruturação de uma Economia diversificada.

As afirmações do líder vencedor, indiciam o prolongamento, para o segundo mandato, o exagerado clima de crispação no sistema político, que tem contagiado a sociedade, com tudo o que representa de desperdício de energias, que devem ser canalizadas antes de mais, para salvar o país das crises simutltâneas que enfrenta e que podem-se agravar nos próximos tempos.

Já temos a antevisão da próxima mas habitual tentação do lider da Maioria: à mínima diferença do PAICV nas ditas matérias estruturantes, virá a acusação "já tínhamos dito, esta Oposição é de terra queimada"! Oxalá esteja errado...!
Mas, neste segundo mandato, será que os cabo-verdianos continuarão a aceitar a justificação dos "quinze anos perdidos" (!), das secas e da pandemia para o incumprimento dos compromissos anteriores e dos do mandato que vai iniciar?
Não serei eu, militante de base, a falar pelo meu Partido mas, não tenho alguma hesitação em afirmar que o PAICV está, como sempre esteve, à altura do seu papel de Oposição construtiva, sem jamais transigir nos princípios e valores cardinais de sua identidade de partido de esquerda democrática, em prol de um Cabo Verde para todos. Por isso, continuará, sem desfalecimento, a sua luta de se construir como alternativa na governação.

As minhas mais vivas felicitações à Presidente do meu Partido, Janira Hopffer Almada, pela sua elevação e serenidade com que encarou a derrota, pela coerência nas consequências retiradas dos resultados eleitorais, demonstrando uma grandeza que orgulha todos os que no PAICV e na sua Líder apostaram nestas legislativas.
Felicito-a pela campanha que fez, com determinação e convicção, pelo foco, pela energia e pelas propostas assertivas que levou a todos os cantos do país, e pela diáspora através de plaformas digitais.

Saúdo a mulher, Janira Hopffer Almada, pela forma firme, digna e elevada como se confrontou com o machismo que chegou a foros de misoginia.
Larga é a estrada que o PAICV continua a percorrer, com escolhos, porque será por eles e pelo seu enfretamento e sua superação, fiel aos seus princípios e valores, que a jornada vale a pena.

Convicto estou, igualmente, de que o PAICV, nesta fase desafiante, demonstrará, uma vez mais, a sua maturidade e grandeza que fazem dele um dos pilares do nosso processo de democratização. Convicto continuo a estar de que, relembrando Bobbio, o PAICV continua na senda de dar o maximo de si para que, na sociedade cabo-verdiana a Democracia se constitua em costume, antídoto às tentações populistas, revancistas e iliberais que ameaçam os processos democráticos por todo o Planeta, e têm dado sinais de se quererem instalar entre nós.

Como democrata, sempre em construção, estou cá, "na linha de todas as batalhas, na feliz asserção do Poeta, Osvaldo Alcântara, por Um Cabo Verde Para Todos!
Saravá Partido Africano da Independência de Cabo Verde!

Mário Matos*

(Post publicado na sua página de Facebook)
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*Sociólogo e ex-Deputado da Nação

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