REGISTOS

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Prémios Nobel 2021: Críticas à "ausência de diversidade" — Organocatálise faz Nobel da Química 12 Outubro 2021

Milénios depois elas continuam ausentes e 120 anos depois da criação do Nobel, contam-se nove laureados e uma só laureada. E se a laureação remete para os tempos mitológicos em que a Dafne deu origem aos louros com que se coroam os vencedores, certo é que o desenvolvimento civilizacional fez com que os laureados do Nobel não recebam coroas de folhas mas uma medalha de ouro puro, além do diploma e dos dez milhões de coroas suecas (mais de cem milhões CVE).

Prémios Nobel 2021: Críticas à

As críticas à "ausência de diversidade" na atribuição dos prémios Nobel não abalam a verdade escrita em pedra em Estocolmo: o Nobel não se fará por quotas de sexo/género, raça/etnia e outras variáveis.

Segundo o comité reitera, "o prémio Nobel continuará a ser atribuído com base no mérito e sem quotas de sexo/género, raça/etnia" e outras variáveis.

A "ausência de diversidade" está também nas nacionalidades contempladas desde 1901, o primeiro ano da atribuição do prémio. Mais de metade dos 962 laureados até hoje são europeus.

Os críticos apontam o predomínio dos europeus, com 52% (ingleses 88, alemães 83, franceses 57, suecos 32, suíços 27, ’holandeses’ 22, italianos 21, espanhóis 6...portugueses 2). Nobelizados com cidadania dos Estados Unidos contam 32%, enquanto na Ásia são 7% (27 japoneses, 18 chineses, 9 indianos num total de 72) e na África são 3% (sul-africanos 11).

Nobel da Física 2021

O japonês Syukuro Manabe, de 90 anos, o alemão Klaus Hasselmann e o italiano receberam o Nobel da Física 2021 pela "predição do aquecimento climático".

O meteorologista e climatologista Syukuro foi o primeiro a usar computadores na simulação de mudanças no clima global e variações climáticas naturais.

Segundo referiu o comité Nobel, o prémio reconhece "as contribuições inovadoras para a compreensão de sistemas físicos complexos", a "modelagem física do clima da Terra, quantificando a variabilidade e prevendo com segurança o aquecimento global" e a "descoberta da interação da desordem e das flutuações nos sistemas físicos de escalas atómicas a planetárias".

Organocatálise dá Nobel da Química 2021. Duo como em 2020

A Real Academia das Ciências da Suécia anunciou, no segundo dia (6-10) da atribuição dos Prémios Nobel de 2021 que os cientistas David MacMillan, do Reino Unido, e Benjamin List, da Alemanha, são os distinguidos pelo seu contributo para "tornar a produção de moléculas mais verde e mais barato" através da organocatálise". É uma "ferramenta simples", "muito elegante mesmo", segundo a definiu Pernilla Wittung Stafshede, membro do júri.

O duo germano-britânico é nobelizado por ter demonstrado, através das suas experiências concluídas em 2000, que — contrariamente ao que "por muito tempo cientistas acreditaram", que há apenas dois tipos de catalisadores: metais e enzimas — existe "mais um tipo de catalisador: a organocatálise assimétrica, que se baseia em pequenas moléculas orgânicas".

"Essas moléculas tornaram as reações mais rápidas, eficientes e com menor impacto sobre o Ambiente", lê-se no site do Nobel.

Tesouras genéticas. Em 2020, a microbiologista e imunologista francesa Emmanuelle Charpentier e a bioquímica Jennifer A. Doudna, norte-americana, partilharam o Nobel da Química pela sua descoberta de "tesouras genéticas" para editar o DNA.

A nova tecnologia de edição do ADN—patenteada em 2015 — permite alterar o ADN de animais, plantas e microorganismos, com a máxima precisão possível. A sua aplicação, revolucionária, deu-se em 2016 no caso do bebé com três progenitores— o pai e a mãe e um terceiro. Neste caso, a mãe embora saudável transmitiu a dois filhos a doença de Leigh que causa morte prematura por impedir o desenvolvimento do sistema neuronal. A técnica das "tesouras genéticas" permitiu eliminar a deficiência da mãe na informação genética do ADN e supri-la com uma caraterística do ADN dum terceiro, o doador.

Cresce a esperança

A partir de 1981, contam-se 40 laureadas, contra 19 entre 1901 e 1980. Em 2020 houve o maior número de nobelizadas em 119 anos: cinco do total de onze. Em 2018, a canadiana Donna Strickland recebeu o Nobel da Física tornado-se a terceira premiada após Marie Curie em 1903 Maria Mayer em 1963.

A previsão é que nos próximos anos a distribuição se fará mais equitativa, pelo menos na variável género, mesmo se este ano conta uma só laureada: Maria Ressa, Nobel da Paz 2021 (Nobel da Paz para a liberdade de expressão: Maria Ressa e Dmitry Muratov, 08.out.021).

...
Fontes: Website da organização Nobel/DW/Le Monde. Fotos: As disparidades entre nobelizadas e nobelizados no gráfico. A primeira nobelizada foi Marie Curie (à esqª, em baixo), franco-polaca em 1903 e 1911. Retratos do Nobel: David MacMillan, do Reino Unido, e Benjamin List, da Alemanha. Emmanuelle Charpentier, francesa, e Jennifer A. Doudna, norte-americana.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project